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Capital

Mulheres são condenadas a 20 anos por execução em “tribunal do crime”

Pelo segundo dia seguido sessão do Júri julgou homicídio ligado à facção criminosa

Por Ana Lívia Tavares | 21/10/2021 18:00
Trio foi a julgamento nesta quinta-feira (21) (Foto: Dayene Paz)
Trio foi a julgamento nesta quinta-feira (21) (Foto: Dayene Paz)

Ao matar por motivo torpe e se utilizando de meio cruel, uma faca na tentativa de decapitar a vítima, Jéssica Moreira e Lislie Silva Vargas  foram condenadas a 20 anos de prisão, cada uma. As mulheres foram julgadas nesta quinta-feira (21), pela 1ª Vara do Tribunal do Júri, em Campo Grande, junto com Luquen Luis Martins dos Santos, condenado a 18 anos.

O Conselho de Sentença acatou a acusação do Ministério Público Estadual contra o trio pela morte Sorraira Cabritta Campos, 24 anos, depois de ser julgada pelo "tribunal do crime". Em juízo, Jessica negou participação no assassinato e manteve a negativa no julgamento desta quinta. Disse que ela e Lislie conheceram Luquen em um baile, no dia anterior a prisão. "Eu sou inocente nessa situação. Dormi na casa onde fui presa, porque fui numa festa. A polícia chegou querendo informação que a gente não tinha e para não apanhar mais, acabamos confessando", alegou.

Jessica, assim como Lislie, afirma ter sido torturada para confessar o crime. Contestadas pelo próprio juiz sobre o motivo de não terem falado da suposta tortura durante audiência de custódia, disseram que ficaram com medo de voltar para a delegacia e apanharem mais.

Luquen contou que quando viu a polícia chegar a casa onde houve a prisão, correu para se esconder. "Joguei as roupas da máquina em cima de mim e fiquei escondido dentro da casa, eles não me procuraram lá. Eu não sabia de homicídio, eu achei que eles estavam me procurando porque quebrei a condicional", disse. O trio disse que não conhecia Sorraira.

“Execução” - Após permanecer em cativeiro por cinco dias, Sorraira Cabritta foi julgada e condenada à morte pelo “tribunal do crime” do PCC em setembro de 2018. A vítima era suspeita de integrar o CV (Comando Vermelho) - facção rival. O corpo dela foi encontrado com vários golpes de faca, em uma área de mata, no Bairro Zé Pereira, em Campo Grande.

A polícia recebeu informação de que Luquen tinha envolvimento na morte da vítima. Ele foi visto dirigindo um Chevette Dourado com três mulheres no dia anterior ao crime.  Os militares foram até o local indicado. Ao perceber a movimentação da PM, Luquen fugiu. A equipe foi recebida por Lislie que autorizou a entrada da polícia na residência.

Lislie e Jéssica contaram que tinha participação no homicídio e, uma delas,  recebeu ligação de um presidiário, cujo nome não foi divulgado. A ordem era para ir até uma residência no Núcleo Industrial, junto com Jéssica e outro homem, identificado apenas como Juliano - identificado posteriormente como sendo Luquen - para encontrar a vítima que estava mantida em cativeiro e a levar em Chevette até o local de execução.

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