Não aceitava ordens, diz faxineira sobre auxiliar que a xingou de “cadela”
Áudios com ataques à colega renderam condenação de R$ 6 mil em Campo Grande
A condenação por danos morais após áudios com ofensas trouxe à tona uma disputa que, segundo a vítima, começou antes das mensagens: a resistência de um funcionário em aceitar a liderança de uma mulher no ambiente de trabalho. A faxineira, hoje com 52 anos, afirma que as agressões verbais vieram depois de conflitos sobre divisão de tarefas e autoridade dentro da equipe de limpeza.
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Faxineira de 52 anos obteve condenação de R$ 6 mil por danos morais contra um colega de trabalho que enviou áudios com ofensas a terceiros. Segundo ela, o conflito teve origem na resistência do auxiliar em aceitar sua liderança após uma promoção. O juiz Walter Arthur Alge Netto, da 4ª Vara Cível de Campo Grande, entendeu que as mensagens feriram a honra da trabalhadora. A sentença ainda cabe recurso e o processo tramita há sete anos.
À época, ela liderava o homem e outros quatro auxiliares de serviços gerais responsáveis pela manutenção de um atacadista. A faxineira relatou ao Campo Grande News que assumiu a função de encarregada após ser promovida pela empresa terceirizada onde atuava. A responsabilidade dela era organizar a rotina da equipe e distribuir as tarefas entre os funcionários.
Segundo ela, o colega condenado teria demonstrado insatisfação com a mudança e tentava ocupar o posto que ela havia recebido. O conflito teria aumentado principalmente quando a vítima precisava se ausentar do trabalho e deixava outro funcionário responsável pelo setor. “Quando eu estava de folga, ele abusava do poder e colocava os outros funcionários para trabalhar”, relatou a trabalhadora.
O episódio que motivou o processo ocorreu após uma discussão entre o auxiliar e outra funcionária que ficou responsável pelo setor durante a ausência de Luzia. De acordo com a encarregada, após o desentendimento, ela fez cobrança e então o homem enviou áudios a um colega de trabalho fazendo comentários sobre ela.
O funcionário que recebeu as mensagens teria guardado os áudios e encaminhado o conteúdo para a chefe da equipe. Ao ouvir as gravações, ela afirma ter ficado surpresa com a forma como era mencionada pelo colega. “Quando eu ouvi os áudios, eu não acreditei no que ele tinha falado”, contou.
Segundo ela, antes dos áudios o colega já teria tido conflitos com outros funcionários e feito comentários desrespeitosos sobre as mulheres da equipe. “Ele não queria fazer a parte mais pesada do serviço e queria que as mulheres fizessem. Eu falei que não aceitava esse tipo de situação”, disse.
A trabalhadora relata que permaneceu na área de limpeza após deixar a empresa onde ocorreu o caso. Para ela, a decisão judicial serve como alerta sobre a necessidade de respeito nas relações profissionais. “Principalmente nós mulheres, que somos assediadas onde tem homens. A gente está trabalhando porque precisa”, afirmou.
Na decisão judicial, o juiz Walter Arthur Alge Netto, da 4ª Vara Cível de Campo Grande, considerou que as mensagens ultrapassaram uma crítica relacionada ao ambiente profissional e atingiram a honra da trabalhadora. O auxiliar foi condenado ao pagamento de R$ 6 mil por danos morais.
O valor da indenização ainda não foi pago porque da sentença ainda cabe recurso. O processo tramita há cerca de 7 anos na Justiça estadual.

