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Capital

“Não foi precipitada”, diz família sobre prisão de médico por morte de Fabíola

João Jazbik Neto, de 78 anos, foi preso na noite desta sexta-feira (14) por determinação da Justiça

Por Clara Farias | 15/08/2026 14:52
“Não foi precipitada”, diz família sobre prisão de médico por morte de Fabíola
Fabíola Marcotti, de 51 anos, morreu na chácara onde vivia em Campo Grande. (Foto: Arquivo pessoal)

Para a família de Fabíola Marcotti, de 51 anos, a prisão preventiva do médico João Jazbik Neto, de 78 anos, não foi precipitada, mas ocorreu após a “análise dos elementos apresentados no curso da investigação”. O médico foi preso na noite desta sexta-feira (14), após a determinação expedida pela 2ª Vara do Tribunal do Júri. Ele passou por audiência de custódia na manhã deste sábado (15).

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A família de Fabíola Marcotti, de 51 anos, afirmou que a prisão preventiva do médico João Jazbik Neto, de 78 anos, ocorreu após análise de elementos da investigação. Preso na sexta-feira (14), ele passou por audiência de custódia no sábado. A família acredita que Fabíola foi vítima de feminicídio, citando a ausência de sinais de disparo a curta distância e suspeita de alteração da cena do crime. "A família não busca vingança. Busca Justiça", diz nota divulgada.

Segundo os familiares, Fabíola foi vítima de um cruel feminicídio, e a convicção se deve às "circunstâncias reveladas ao longo da investigação e dos elementos técnicos que, progressivamente, passaram a colocar sob sério questionamento a versão de suicídio inicialmente apresentada", diz um trecho do texto enviado ao Campo Grande News.

A família ressalta, porém, que respeita o devido processo legal, a presunção de inocência e o direito de defesa do médico. Os familiares citam os elementos periciais já divulgados, entre eles a ausência de sinais característicos de um disparo feito com a arma encostada ou à curta distância.

O laudo necroscópico divulgado anteriormente pelo Campo Grande News apontou que não foram encontrados vestígios típicos de disparos realizados com a arma encostada ou muito próxima da pele. O exame, no entanto, não determinou quem efetuou o disparo nem concluiu se a morte foi homicídio ou suicídio.

Os familiares afirmam ainda que a investigação não ignorou divergências na versão inicial e que os investigadores buscaram confrontar os relatos com depoimentos, perícias e outros elementos reunidos durante as diligências.

A família também menciona a suspeita de alteração da cena em que Fabíola foi encontrada. Conforme já informado na investigação, armas e munições teriam sido retiradas do local após a morte, circunstância que passou a ser analisada pela Polícia Civil.

“Não foi precipitada”, diz família sobre prisão de médico por morte de Fabíola
Arma apreendida na casa do médico João Jazbik, no Jardim Veraneio, na Capital (Foto: Campo Grande News/Arquivo)

“Não busca vingança” -  Na nota, a família afirma que não busca vingança ou condenação pela opinião pública, mas a apuração completa das circunstâncias da morte. “Fabiola já não pode falar. Agora, cabe às provas falarem por ela”, diz o texto divulgado neste sábado.

Fabíola era fisioterapeuta e, segundo os familiares, tinha sonhos e projetos. A família afirma que não quer que a história dela seja reduzida a uma estatística ou a uma única versão dos acontecimentos.

Ao final da manifestação, os familiares reforçam que confiam na investigação e pedem que o caso seja esclarecido. “A família não busca vingança. Busca Justiça. Não pede condenação pela opinião pública. Pede verdade”, afirma a nota.

Caso - Fabíola foi encontrada morta em 18 de maio na chácara onde vivia com o marido, no Jardim Veraneio. A ocorrência foi inicialmente tratada como morte suspeita, mas a Polícia Civil passou a investigar a hipótese de feminicídio após identificar inconsistências na dinâmica da morte.

Durante as diligências na época do ocorrido, a Polícia Civil também identificou indícios de possível fraude processual. Um armário com armas e munições teria sido retirado da casa principal após a morte da fisioterapeuta e levado para outro imóvel da propriedade.

João Jazbik chegou a ser preso anteriormente por posse irregular de arma de fogo e fraude processual, mas conseguiu habeas corpus e passou a responder por esses crimes em liberdade, mediante medidas cautelares.

Se a morte de Fabíola for confirmada oficialmente como feminicídio, ela será o 12º caso do tipo registrado em Mato Grosso do Sul neste ano, seguindo a ordem cronológica dos casos. Com isso, o número de feminicídios de mulheres no Estado em 2026 chega a 21.

João Jazbik Neto teve a prisão preventiva decretada ontem (14), sem prazo determinado, mantida pela Justiça. Após a audiência de custódia, realizada neste sábado, ele foi encaminhado ao Centro de Triagem. A defesa pediu a revogação da prisão e solicitou que, caso mantida a custódia, o médico fosse encaminhado para uma unidade compatível com sua idade e condições de saúde.

A defesa do cardiologista nega participação na morte da esposa e sustenta que ele colaborou com as investigações. Em nota, o advogado José Belga Trad afirmou que o inquérito policial ainda não foi concluído e que não há processo judicial contra o médico. Segundo os advogados, também não houve denúncia do Ministério Público até o momento.

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