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Capital

“Nem o semáforo sonoro adianta”, reclamam deficientes visuais

Nesta manhã, professores e alunos do Ismac protestaram para pedir mais acessibilidade e respeito

Por Viviane Oliveira e Bruna Marques | 28/05/2024 11:55


Deficientes protestaram nesta manhã em Campo Grande (Foto: Bruna Marques) 
Deficientes protestaram nesta manhã em Campo Grande (Foto: Bruna Marques)
Na manhã desta terça-feira (28), alunos e professores do Ismac (Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos Florivaldo Vargas), na Rua 25 de Dezembro, ao lado da Prefeitura de Campo Grande, protestaram para pedir respeito aos motoristas no trânsito e mais acessibilidade. Eles reclamam, por exemplo, que nem o sinal sonoro da Afonso Pena, avenida mais movimentada da cidade, localizada na esquina do instituto, funciona.

Segundo Teyla Pereira, professora de Orientação e Mobilidade, o instituto trabalha para que os deficientes visuais tenham autonomia e independência, mas muitas vezes faltam recursos. “Igual aqui na Afonso Pena, próximo do instituto, numa avenida de tanto movimento, eles têm muita dificuldade para terem acesso ao prédio. O semáforo sonoro não funciona ”, lamentou.

Ainda conforme Teyla, por mais que se ensine algumas técnicas de autonomia, muitas calçadas são inapropriadas com piso tátil inadequado. “Nós pedimos que as autoridades olhem com mais carinho e mais empatia para os deficientes visuais que precisam do som, de acessibilidade de qualidade”, destacou. O semáforo sonoro só funciona no cruzamento das ruas Barão do Rio Branco com a 25 de Dezembro.
Gildo mostra a dificuldade de caminhar em calçada quebrada misturada com pisto tátil (Foto: Bruna Marques)
Gildo mostra a dificuldade de caminhar em calçada quebrada misturada com pisto tátil (Foto: Bruna Marques)
A aluna do Ismac, Kelly Cavalheiro, de 39 anos, conta que perdeu a visão por causa de uma doença autoimune. Ela mora em Corumbá, mas sempre que pode participa das aulas no instituto e sofre com a falta de acessibilidade das vias. “Não é só aqui. Na minha cidade também não tem. Não tem acessibilidade, não tem piso tátil, não tem respeito, não tem empatia aos deficientes. A dificuldade é sair na rua, de se locomover. A gente não pediu para ficar assim, infelizmente são acasos que acontecem", disse. Kelly perdeu a visão há 8 anos.

Também aluna do instituto, a servidora pública Camila Novaes Insabralde, de 41 anos, afirma que a sociedade campo-grandense não tem muita noção de como os deficientes visuais são impactados com a falta de acessibilidade arquitetônica e da falta de sensibilidade atitudinal.

“Por exemplo, um carro que para em cima da faixa de pedestre, ou da guia rebaixada, ou do piso tátil. Calçadas esburacadas, falta de harmonia da faixa de pedestre e o rebaixo do meio-fio. Eu nasci com glaucoma congênito. Faço uso de bengala que me dá segurança para andar sozinha na rua. O instituto fica ao lado da prefeitura, nem assim a acessibilidade é respeitada”, afirmou.

O aposentado Gildo Ribeiro do Nascimento, de 54 anos, perdeu a visão em um procedimento cirúrgico que não deu certo. Ele fez a travessia utilizando o semáforo sonoro do cruzamento das ruas Barão do Rio Branco com a 25 de Dezembro para demonstrar a importância do equipamento para o deficiente visual. Assista, acima, ao vídeo.

A reportagem encontrou em contato com a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) para saber se está no cronograma o conserto do semáforo sonoro da Avenida Afonso Pena e aguarda retorno.

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