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Capital

Nem paciente com aneurisma consegue vaga em UTI superlotada pela covid

Em outro caso, paciente com infecção generalizada recorreu à Justiça para não morrer

Por Lucia Morel | 30/03/2021 15:49
Paciente em leito de unidade de saúde de Campo Grande. (Foto: Marcos Maluf/Arquivo)
Paciente em leito de unidade de saúde de Campo Grande. (Foto: Marcos Maluf/Arquivo)

Mesmo quem não é vítima de covid-19 sofre para conseguir atendimento na rede pública e vaga em UTI (Unidade de Terapia Intensiva). O jeito é apelar para a via judicial na tentativa encontrar atendimento.

Em um dos casos, Luzia Julião Bellão da Silva, de 69 anos deu entrada no Hospital Unimed em 8 de março, levada pela família. Eles não tem plano de saúde, mas diante da pressa no atendimento, resolveu buscar o serviço privado.

Com hemorragia no crânio, por conta de aneurisma, precisava de uma cirurgia de urgência. No entanto, a unidade hospitalar não tinha vaga em UTI, o que impediu a cirurgia. Imediatamente, a família solicitou vaga no SUS, sem sucesso.

A Unimed buscou outras alternativas e verificou vaga no Hospital El Kadri, onde ela passou por cirurgia para tratar o aneurisma.

Conforme o pedido de vaga, parentes relatam que “por meio de empréstimos, os familiares arcaram com os custos iniciais junto ao Hospital El Kadri, sob pena de verem a requerente sofrer graves sequelas ou até mesmo perder sua vida por ausência de vaga na rede pública”.

Até o dia 19 de março ela permaneceu internada lá, mas ação foi impetrada no dia 23 para transferência e negada. “No entanto, não se pode desconsiderar que, não havendo vaga concreta em hospital integrante do Sistema Único de Saúde, revela-se impossível o pedido, pois não pode o Juízo, em decisão liminar, criar as condições para a instalação de um leito e equipamentos correspondentes”, revela trecho da sentença de um dia depois da petição.

Já ontem, a tutela de urgência foi concedida, dando prazo de 2 horas para que o município a transferisse para uma vaga pública. A reportagem não conseguiu contato com a família para saber se Luzia acessou o leito.

Em outro caso, Ramão Souza de Oliveira, 66 anos, chegou a peregrinar por atendimento na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro Vila Almeida  e até no Hospital Evangélico, onde fora diagnosticado com problemas de coluna.

Septicemia - No entanto, sem apresentar nenhuma melhora após tomar as medicações recomendadas nessas duas unidades, buscou auxílio na Clínica Campo Grande. Lá, foi identificada lesão nos rins, com quadro de “septicemia (infecção generalizada) com o risco ao comprometimento aos seus órgãos vitais e que muito provavelmente culminaria com o seu óbito, acaso continuasse aguardando atendimento no UPA”, conforme a petição do dia 22 de março.

Também por questões financeiras, a família entrou com pedido de vaga em leito público, mas sem sucesso até o momento. Em decisão de ontem, o pedido foi negado. O contato da família também não foi repassado à reprotagem neste caso..

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