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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

11/11/2012 08:15

No Centro da Capital, um território demarcado como cracolândia

Mariana Lopes
No Centro da Capital, um território demarcado como cracolândia
O muro em frente a uma banca de revista, localizada na rua 15 de Novembro com a Rui Barbosa, foi pichado pelos usuários de droga, identificando o local (Foto: Rodrigo Pazinato)O muro em frente a uma banca de revista, localizada na rua 15 de Novembro com a Rui Barbosa, foi pichado pelos usuários de droga, identificando o local (Foto: Rodrigo Pazinato)
A presença dos usuários começa desconfiada. Apesar de andarem em grupos, se dispersam rapidamente (Foto: Rodrigo Pazinato)A presença dos usuários começa desconfiada. Apesar de andarem em grupos, se dispersam rapidamente (Foto: Rodrigo Pazinato)

Rua 15 de Novembro esquina com Rui Barbosa, no centro de Campo Grande. O cruzamento já é bem conhecido não apenas pelo comércio que movimenta a região durante o dia, mas também pela agitação que ganha noite e madrugada afora. Quando as portas das lojas se fecham, o comércio que predomina é o das drogas e do sexo.

O local muda de cara logo que a noite chega. O corre-corre de consumidores e trabalhadores do comércio dá lugar ao vai-e-vem desconfiado de usuários de droga e garotas de programa. Lá pelas 19h, um ou outro aparece, escolhe a porta de uma loja para se sentar e já acende um baseado.

Do outro lado da rua é o lugar das prostitutas e travestis, que também escolhem um ponto estratégico. Mas neste caso, preferem um ângulo no qual elas consigam ser vistas com facilidade. Assim funciona o código de conduta deles: cada um no seu espaço. “A gente não mexe com eles e eles não mexem com a gente, não tem confusão”, conta uma das garotas de programa que aguardava o próximo cliente.

Essa é a famosa cracolândia, que antes funcionava na 15 de Novembro mesmo, mas na altura das ruas 14 de Julho e Calógeras, e mudou de ponto após a revitalização da praça Ari Coelho e a presença dos guardas municipais.

 

Apesar de manter a política da boa vizinhança, Rinaldo confessa que não dá para confiar (Foto: Minamar Júnior)Apesar de manter a política da boa vizinhança, Rinaldo confessa que não dá para confiar (Foto: Minamar Júnior)

Para os comerciantes da região, a situação não chega a dar problemas muito sérios, mas eles são categóricos em afirmar que causa transtornos. “É por causa dos clientes também, todos os dias amanhece uma sujeira só aqui na porta da minha banca, até preservativo aparece”, comenta Rinaldo Narcizo de Medeiros, 46 anos.

Há oito anos com a banca de revista bem em frente ao muro no qual foi pichado “cracolândia”, hoje ele prefere manter a política da boa vizinhança. “Eles me chamam de tiozão, me cumprimentam, até me desejam um bom descanso. Há um certo respeito, mas minha banca já foi arrombada umas quatro vezes, não tem como confiar”, pontua.

Em outra loja, o comerciante José Rogério Facre Pinto, 56 anos, diz que apesar de os usuários de droga e prostitutas nunca terem tentado roubá-lo, ainda assim ele tem um pouco de receio quando sai da loja à noite. “Às vezes fico até umas 20h, 21h, fazendo trabalho interno, e antes de sair, tomo o cuidado de observar bem a rua”, diz.

Como funciona - Neste mesmo horário que José Rogério às vezes deixa a loja, a reportagem do Campo Grande News foi conferir de perto como funciona a noite da cracolândia.

A equipe chegou ao local perto das 19h30. Passou pouco tempo e um casal se aproximou, ele de bicicleta e ela à pé. A garota, que disse ser menor de idade, logo pegou uma latinha cortada e acendeu a pasta base, enquanto o rapaz, que ela mesma confirmou ser o namorado, continuou em direção à praça Ary Coelho.

Ao ser abordada pela reportagem, a adolescente rapidamente soltou a droga e se esquivou. “Não tenho nada para falar, não. Tô de boa”, dizia ela, tentando até esconder o rosto. De longe, o namorado percebeu a aproximação e voltou ao encontrado da garota. Durante o tempo que a reportagem permaneceu no local, ela ficava de um lado para o outro com a bicicleta, conversando com várias pessoas.

Do outro lado da rua, uma mulher encostada na parede de uma loja só observava a movimentação. Há mais ou menos 4 anos, ela fica naquele ponto todas as noites, em busca de programas.

Sem se identificar, por causa da namorada que não sabe sua verdadeira profissão, ela conta que o convívio com os usuários de droga é tranquilo. “O máximo que eles fazem é pedir dinheiro para comprar a droga. Quando a gente tem, a gente dá, caso contrário eles ficam de boa”, afirma.

Ela diz ainda que não conhece todos por nome, mas garante que a maioria é figura carimbada. “Daqui a pouco aglomera mais gente, agora o movimento ainda está fraco”, relata.

Voltamos para o outro lado, onde ficam os usuários. Sentado na porta de uma loja, um rapaz de 26 anos topou conversar com a reportagem, mas sem se identificar, é claro. Ele disse que é dependente desde os 13 anos e que frequenta o local há uns 7.

Visivelmente sob o efeito de drogas, ela confirmou que havia fumado pasta-base há uns 20 minutos, e agora estava sentado esperando aparecer alguém com mais droga para vender.

Embora ele estivesse sem dinheiro, garantiu que sempre passa alguém que ajuda. “Às vezes eu também pego umas paradinhas para vender e acabo ganhando algo em troca”, conta.

Lá pelas tantas, ele vira para a equipe e pede R$ 4. “Eu preciso de droga, estou em abstinência”, diz o jovem, em perceptível gesto de desespero. O olhar vazio procurava insistentemente por alguém que pudesse lhe salvar, não das drogas, mas de lhe saciar a vontade de usá-la.



Estamos em crise moral com o poder político e atitude pública. O crack não tem classe social, a prostituição é imoral, a visão ética da justiça é imoral os legisladores são imorais e ineficientes. Não existe saúde pública favorável em setor psiquiatria para atendimento público e leitos de clínica especializada para tratamento involuntário. Quem se droga não tem noção do que faz e é violento agride mata estupra é preciso retirar a força pública das ruas e aquartelar somente quando ficar fora de controle existirão ações afirmativas de grupos sociais em busca de solução prática. Falam de doutrinas de fé em teoria, em ações são ineficazes. São postulados e leis onde o distúrbio coletivo é a única ação do poder público. Fico em crise quando pago meus impostos e não posso dormir à noite em paz.
 
Carlos Alberto Catalani em 12/11/2012 10:24:05
me desculpa jose arantes fazer criticas todos fazem, cumprir as leis eles estao crumpindo, pelo jeito vc nao conhece as leis, existe direitos humanos uma serie de leis, os policiais nao podem nem apertar o braço do paciente para segurar pq se ficar vermelho da processo, estao de parabens sim os policiais, tem continuar fazendo ronda, mas ministerios publico libera ai os policiais a tomarem mas decisoes.
 
ester reis em 12/11/2012 09:24:56
FORAM LIBERAR AS DROGAS ILÍCITAS PARA OS VICIADOS, E ELES VICIARAM A SOCIEDADE TODA, NÓS SOMOS ELEMENTOS DO MEIO, E AGORA STF, POLÍTICOS, O QUE VOCÊS FARÃO, NADA, POIS NÃO TERÃO DA PARTE DE VOCÊS SOLUÇÃO, SÓ DA PARTE DE DEUS, QUER CONSERTAREM ISSO, VÃO PARA OS ALTARES DE DEUS DE JUÍZES A POLÍTICOS, E SEUS SUBORDINADOS, SE CURAREM PRIMEIRO, POIS QUANDO OS PAIS, SE CURAM CURAM OS FILHOS, VOCÊS ERRARAM AGORA SE CUREM, ÚNICA SOLUÇÃO DEUS, E MAIS NADA, APRENDAM CURAREM OS ESPÍRITOS, DEPOIS ENSINEM PARA O POVO, E ISSO SÓ COM BONS PASTORES, E ALGUNS PADRES DE DEUS, QUE SÃO POUCOS, DEUS ABENÇOEM.
 
PEDRO BRAGA em 12/11/2012 09:23:36
A polícia não faz nada.... moro no centro e vejo isso. A viatura da polícia passa devagar e nem pára para abordar essas pessoas. Não há interesse. É triste pensar que daqui poucos anos, se nada for feito, esse local estará exatamente igual à cracolândia de São Paulo. Aí já será tarde!
 
Carol Oliver em 12/11/2012 08:46:07
O bernal vai mudar isto.
 
marluce camargo em 12/11/2012 01:06:58
Manda esses funcionários públicos que são os policiais fazerem operações nesses lugares, todo mundo sabe que naquela Costa e Silva é outra cracolância, cumpram com suas obrigações de funcionários públicos, sendo que, quem paga seus salários e´a população.
 
João Arantes em 11/11/2012 21:07:06
Amigos Leitores, o problema em Rio, São Paulo e MG existe sim, mas não podemos comparar grandes cidades com Campo Grande. O tráfico no centro da cidade corre solto, na "Famosa" Costa e Silva é outra cracolândia na Portelinha nem se fala. A minha pergunta é? Onde esta a policía, a "FAMOSA"CIGCOE para fazer operações duras nesses lugares?
TODO MUNDO SABE ONDE FUNCIONA O TRÁFICO, MAS SERÁ QUE SÓ A POLÍCIA NÃO SABE?
Policiais são funcionários públicos, recebem seus salários através de impostos pagos pela sociedade, por favor policiais vão cumprir com suas obrigações de funcionários públicos.
 
Pedro arantes em 11/11/2012 21:02:14
é só chamar a ciggoe
 
angela alencara em 11/11/2012 20:53:45
ide e pregai o evangelho a toda criatura, jesus disse, e tem mais enquanto pessoas falam que esses nao tem cura. Deus fala que a ultima palavra e dele.
 
neusa pereira de campos em 11/11/2012 17:40:35
a policia devia ter Tolerância Zero aqui em Campo Grande, acabar com essa algazarra na rua, colocar equipes de policias nessas pontos das 18hs as 03:30 a PM só ia ter que usar no maximo uns 30 policiais divididos em dois. um par em cada esquina. dois na Calogeras com a 15, dois na 14 com a 15, dois na 13 com a 15, dois na Rui com a 15, dois na Pedro celestino com a 15 faze a mesma coisa em cada esquina da 7 de setembro e fazer também na Av Afonso Pena. garanto que expulsaria dali toda essa corja que mancha a nossa cidade.
 
Dom Molina em 11/11/2012 17:38:15
Será que esta situação é notada apenas pela população comum? As autoridades não deveriam tomar conhecimento dos fatos e agir? O que acontece neste Estado (e em outros também) que a criminalidade parece parte da paisagem?
 
Leny Lobo Dias em 11/11/2012 14:55:47
Não é facil resolver este problema, mais tem como, o meio mais facil não é combater os viciados consumidores de drogas, o que a policia devia fazer é fazer uma investigação minusiosa na região de descobrir os traficantes que operam na area, esta operação tem que ser secreta, inclusive se possivel infiltrando agentes entre eles, pois não adianta a policia prender os formiguinhas do trafico, tem que prender os cabeças, os grandes fornecedores e isto a policia só vai conseguir com uma ação inteligente, e só vão chegar aos cabeças através dos formiguinhas, não adianta prender dar prensa neste pequenos fornecedores, eles não entregam suas fontes pois teem medo de serem mortos, portanto a policia tem que ganhar a confiança deles, so assim vão chegar aos grandes.
 
juvenil marques em 11/11/2012 13:16:28
bom. trabalho o de vcs jornalistas . eu sou cristao e creio que so o senhor JESUS CRISTO podera libertar estas pessoas das maos do diabo que so veio para matar destruir e roubar . sou menbro da igreja peniel em campo grande e trabalhamos com recuperaçao de pessoas com dependencia de alcool e drogas vemos todos os dias pessoas que resolvem se recuperar e atraves da palavra de DEUS sao libertas da maos de satanas.muitos nem a familia acredita que serao libertos se vc esta lendo este comentario creia no poder de DEUS atraves do sangue de seu filho JESUS CRISTO. em jeremis 29/ versiculo 11/12/13 o senhor todo poderoso fala que so ele sabe o pensamento a respeito de cada pessoa na face da terra e se vc tem algum conhecido irmao tio procure ajuda DEUS ja levantou pessoas para ajudar vc
 
JOAO MARCIO PENIEL em 11/11/2012 10:40:56
Há anos isso acontece nessa região e ninguém toma providências. Há uma saída??? Sempre há, o que falta é interesse para resolver a questão. Só me pergunto um coisa: Vamos deixar que essa situação fique cada vez pior até chegar a algo irreversível, como São Paulo e outros grandes centros??? Esse problema não é pequeno e vai ficar cada vez maior. Os comerciantes deveriam se unir e tentar buscar uma solução. Sei que é cansativo e demanda tempo, mas é necessário fazê-lo. O problema apresentado envolve toda a sociedade local.
 
miriam de castro em 11/11/2012 10:38:34
Bem, em primeiro lugar parabenizo pela reportagem, muito bem feita, bem desenvolvida e teve o início, meio e fim...Tudo dentro da técnica exigida pelo bom jornalismo. Quando o texto é bom, eu parabenizo também, não apenas só critico.. essa por exemplo foi bo li do começo ao fim. Quanto ao problema citado na mesma, TODOS NÓS SABEMOS, que, NA VERDADE NINGUÉM, NINGUÉM MESMO DARÁ JEITO PARA SOLUCIONAR ESSE PROBLEMA. ELE JÁ É CRÔNICO EM TODO O PAIS E AS PESSOAS TAMBÉM SABEM DISSO, PELO MENOS EU VEJO PELAS TVs e pelas reportagens esse problema que assola todo o Pais.. senão vejamos expecifricamente Rio, São Paulo e Belo Horizonte, então esse negócio de falar que a Guarda Municipal terá a responsabilidde de solucionar isso. Tem uma outao ai acima falando pra colocar policia... acorda!
 
Gilson Giordano em 11/11/2012 09:07:20
Há muitos anos que as redondezas da praça Ary Coelho são ponto de prostituição e boca de fumo, depois que anoitece é um problema o pior que tudo isso em baixo de nosso nariz no centro de Campo Grande isso é muito ruim para a imagem de uma Capital. A guarda municipal que esta na praça deveria estar fazendo ronda por ali também.
 
Juarez Goncalves em 11/11/2012 08:45:19
Sou também comerciante desta região central da cidade e todos sabe da nossa dificuldade, já foi feito de tudo, até ajudamos na instalação de um quartel da polícia militar na 26 de agosto, mas não adiantou muito. A noite a coisa piora, e tudo mundo usa drogas, se prostitue, estraga tudo as coisas. e não temos pra quem reclamar. Queremos polícia melhor e cuidando das nossas ruas , porque senão vamos continuar com esta cracolândia e pedindo socorro, mas a quem???
 
Ana Amélia Rodrigues em 11/11/2012 08:32:44
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