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Número de PMs na Capital é 4 vezes menor que o recomendado pela ONU

Enquanto roubos explodem, dados da Sejusp mostram que Campo Grande possui número médio de um policial militar para cada 1.079 habitantes; Estado tem o menor efetivo da região Centro-Oeste

Por Rafael Ribeiro | 09/01/2017 12:56
Efetivo total da Corporação na capital corresponde a apenas 14,1% do total (Foto: (Foto: Marcelo Calazans / arquivo)
Efetivo total da Corporação na capital corresponde a apenas 14,1% do total (Foto: (Foto: Marcelo Calazans / arquivo)
Na média, capital tem um policial militar apenas para uma área correspondente ao tamanho de bairros como a região central (Foto: Fernando Antunes/Arquivo)
Na média, capital tem um policial militar apenas para uma área correspondente ao tamanho de bairros como a região central (Foto: Fernando Antunes/Arquivo)

O contingente de policiais militares atualmente lotados nos batalhões responsáveis pela segurança ostensiva em Campo Grande é quatro vezes menor que o recomendado pela Organização das Nações Unidas às grandes cidades e capitais.

Dados obtidos pelo Campo Grande News via Lei de Acesso à Informação apontam que o Comando de Policiamento Metropolitano (CPM) tem atualmente um efetivo de 801 policiais militares. Ou seja, uma média de um PM para cada 1.079 habitantes. A recomendação da ONU é que haja um agente de segurança ostensivo para cada 250 moradores.


Com menos policiais militares à disposição, a área de atuação é grande. Contando apenas o perímetro considerado urbano, a capital sul-mato-grossense conta com uma média de um agente para cada 192,8 quilômetros quadrados.


Para se ter uma idéia do déficit de patrulhamento, a área média é proporcionalmente maior que a de bairros importantes da cidade, como a região central, Vila Piratininga e Tiradentes. Ou seja, diversas regiões da capital contam com o equivalente a um PM disponível para fazer o patrulhamento.


Sem policiamento compatível, o crime subiu na capital. As delegacias de Campo Grande encerraram 2016 com 7.439 casos de roubo registrados, segundo dados da Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública), número maior que os 6.657 crimes do tipo registrados ao todo no ano anterior.


Para efeito de comparação, apesar de ter o maior número de habitantes do Estado, população que corresponde a 33% do total de moradores de Mato Groso do Sul, Campo Grande conta com apenas 14,1% de todo o efetivo da Polícia Militar, que é de 5.690.


Outros 621 policiais militares são alocados nos chamados batalhões especiais, como o Choque, canil e inteligência, que não especificamente atuam especificamente na capital. Alguns deles, inclusive, possuem sedes no interior.


Estadual – O número de policiais militares por habitante é abaixo da média da ONU não só na capital, mas em todo o Estado. Ao todo, o efetivo atual dá uma média proporcional de um agente para cada 461 sul-mato-grossenses.


Mato Grosso do Sul tem o menor efetivo da Polícia Militar da região Centro-Oeste, segundo dados do Ministério da Justiça e Cidadania que mostram Mato Grosso com quase 6 mil agentes e Goiás com cerca de 13 mil PMs.


O Estado tem no total o oitavo menor contingente da PM no País, segundo o ministério. Amapá, Acre, Roraima, Rondônia, Tocantins, Sergipe e Piauí


Solução – Manifesto publicado no final de 2015 pela ACS (Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul) pediu à Sejusp o aumento do efetivo para 9 mil policiais.


“É uma briga de décadas”, disse Edmar Soares da Silva, presidente do órgão. Segundo ele, a alta demanda de trabalho prejudica a Corporação, com problemas de escala ampliada e menor atuação nas ruas. “O policial se sente impotente de não poder realizar o trabalho de proteção da sociedade como deveria. É a maior preocupação dele.”


Em nota, a Sejusp disse que pretende aumentar o efetivo da PM, especificamente na capital. O texto disse que desde o início da gestão do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), em 2015, 937 novos homens foram incorporados à tropa. Há planos a realização de um novo concurso neste ano para a contratação de até 1.000 novos policiais, segundo a ACS.

A Secretaria Nacional da Segurança Pública, órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Cidadania, disse que apesar da recomendação da ONU cada estado é livre párea decidir o contingente de suas polícias militares de acordo com legislação estadual própria, sem número mínimo obrigatório de agentes.

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