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Capital

Ônibus circulam com todos sentados, apesar de reclamação de quem tem de esperar

O fluxo de passageiros passou a ser fiscalizado por funcionários do Consórcio Guaicurus e guardas municipais

Por Aline dos Santos e Clayton Neves | 09/04/2020 08:13
Fiscal controla entrada de passageiros em ônibus no terminal Guaicurus. (Foto: Marcos Maluf)
Fiscal controla entrada de passageiros em ônibus no terminal Guaicurus. (Foto: Marcos Maluf)

A quinta-feira é de cena rara nas primeiras horas da manhã em Campo Grande: os ônibus do transporte coletivo deixam os terminais somente com passageiros sentados. Porém, os usuários reclamam de ter de esperar o próximo veículo.

 A exigência de não levar passageiros em pé, medida para evitar aglomeração em tempos de pandemia do novo coronavírus, vinha sendo descumprida, conforme registro dos leitores.

Hoje o fluxo de passageiros passou a ser fiscalizado por equipes do Consórcio Guaicurus e guardas municipais. No entanto, segue o tumulto nas plataformas, onde as pessoas não mantêm a distância mínima.

No Terminal Guaicurus, um fiscal na porta do ônibus controlava o acesso dos passageiros. Conforme presenciado pela reportagem, a linha com maior público é a 087, que passa por outros dois terminais: Morenão e General Osório.

Por volta de 7h30, a fila era de cem pessoas à espera do 087. Passaram três veículos na sequência e ainda assim a fila só fazia aumentar. Com a fiscalização, os ônibus levam apenas passageiros sentados.  A Guarda Municipal mantém uma viatura na entrada do terminal Guaicurus.

Os passageiros reclamaram da demora e pedem mais ônibus para atender a demanda. “Se fosse para ir todo mundo sentado, tinha que colocar mais ônibus. Para sair um e logo encostar outro. Está demorando demais, isso atrapalha a gente”, afirma Doralina Garcia, 42 anos, que trabalha como serviços gerais.

"Está demorando demais, isso atrapalha a gente", diz Doralina, que já estava atrasada para o trabalho. (Foto: Marcos Maluf)
"Está demorando demais, isso atrapalha a gente", diz Doralina, que já estava atrasada para o trabalho. (Foto: Marcos Maluf)

Ela relata que chegou ao terminal Guaicurus às 6h40 e uma hora depois ainda aguarda embarcar num ônibus da linha 075, que vai até o terminal General Osório, passando pelo Hércules Maymone. “Tinha que está no serviço às 7h20. Cuido de duas crianças e preciso chegar para minha patroa ir trabalhar”, diz Doralice, preocupada com o relógio que já marcava 7h40.

A diarista Jussara Rodrigues, 42 anos, esperou uma hora pela chegada do ônibus no terminal Guaicurus. Ela chegou às 6h40 e sé embarcou às 7h35.

No terminal Morenão, há guardas municipais na entrada e uma viatura circula pelo local. Os ônibus eram liberados apenas com todos os passageiros sentados. A mesma situação foi verificada pela reportagem no ponto de embarque na Praça Ary Coelho, Centro da cidade.

Natanael Nogueira, 36 anos, conta que todos os dias caminha até o terminal Morenão, onde pega um ônibus com destino ao Itamaracá, onde trabalha. “No horário que pego o ônibus não tem lotação, acredito que é por ser mais perto das 8h, fora do horário de pico”, afirma.

Para a empregada doméstica Maria Ferreira de Araújo, 47 anos, a medida de controlar o número de passageiros está correta. “Tem que fiscalizar para evitar tumulto. É bom não arriscar”, diz, ao comentar os casos de coronavírus em Campo Grande.

O Consórcio Guaicurus orienta a evitar horários de pico e pede que empresários façam turnos alternativos. Também informou que colocou ônibus extras em alerta, para caso a demanda aumente muito em alguma região. Se o passageiro insistir em permanecer no ônibus de pé, a orientação aos motoristas é ligar para Guarda Municipal e não sair do local até que seja resolvida a situação.

Viatura da Guarda Municipal no terminal Morenão. (Foto: Marcos Maluf)
Viatura da Guarda Municipal no terminal Morenão. (Foto: Marcos Maluf)
Aglomeração na plataforma de embarque do terminal Guaicurus. (Foto: Marcos Maluf)
Aglomeração na plataforma de embarque do terminal Guaicurus. (Foto: Marcos Maluf)