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Capital

Pacientes da Santa Casa "envelhecem" e ficam menos resistentes a bactérias

Com a chegada da covid-19, hospital encarregou-se de pacientes que antes eram atendidos pelo Hospital Regional

Por Lucia Morel | 17/09/2020 18:43
Maioria dos pacientes recebidos agora pela Santa Casa são idosos, com doenças crônicas e que demandam grande período de tratamento, o que antes, ficava a cargo do HR. (Foto: Assessoria da Santa Casa)
Maioria dos pacientes recebidos agora pela Santa Casa são idosos, com doenças crônicas e que demandam grande período de tratamento, o que antes, ficava a cargo do HR. (Foto: Assessoria da Santa Casa)

Com mudança no perfil de pacientes desde o começo da pandemia do novo coronavírus, quando passou a receber quem antes era tratado no Hospital Regional, a Santa Casa de Campo Grande notou não apenas aumento de custos (como pode-se ler aqui), mas também o “envelhecimento” dos assistidos e sua maior resistência aos medicamentos, devido longo período de internação.

A infectologista Priscila Alexandrino explica que toda e qualquer unidade de saúde que lide com pacientes que permanecem longo tempo internados tem o ônus de atuar com medicamentos de alto custo, porque precisam ser “mais fortes” para combater as bactérias hospitalares.

Ocorre que, uma pessoa que permanece, por exemplo, cinco dias internada, corre menos risco de adquirir alguma bactéria e assim, não precisa de antibióticos mais potentes. Já alguém de longa permanência, vai necessitar de um cuidado maior e medicamentos mais efetivos no combate a microrganismos.

“Em abril, o HR começou a esvaziar para receber apenas pacientes de covid-19, e a Santa Casa passou a receber esses pacientes. Recebemos pacientes idosos, crônicos, de longa permanência e passamos de 100 leitos de clínica médica para 300. É uma mudança importante, que aumenta os custos”, afirma.

Somente em leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), que são os mais caros, foram novos 30, sendo apenas 10 destinados exclusivamente para covid-19. “Mudamos nosso perfil de referência de paciente politraumatizado para um paciente idoso, crônico, acamado e essa mudança no perfil gerou aumento de custo importante”, ressalta.

A especialista diz que a mudança de pacientes alterou a compra de medicamentos, já que passaram a ser usados antimicrobianos de alto custo, além demanda por mais esquipes e pessoal. “Pegamos a referência e ficamos de retaguarda para outros hospitais”, diz.

Assim, “os pacientes ficam mais tempo no hospital e tomam mais antibióticos, desenvolvendo bactérias mais resistentes a esses antibióticos. Quando um paciente vai embora rápido, a chance de ter uma bactéria mais resistente ao remédio é menor. Em qualquer hospital é assim”, diz, ressaltando que a Santa Casa vive essa alteração de perfil num período muito curto de tempo.

De uma média de cinco dias de internação, agora o hospital tem em grande parte, pacientes que ocupam os leitos por 30 a 60 dias, isso tanto nos clínicos quanto na terapia intensiva.

Para ela, “é necessário que a prefeitura viabilize o sustento da instituição”, já que a Santa Casa mantém quase 130 UTI e atualmente, funciona com cerca de 700 leitos ativos.

A contratualização do município com o hospital está sendo debatida este mês e espera-se que nesse tempo chegue-se a um acordo.

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