Catan promete reduzir impostos e abrir “caixa-preta” dos incentivos
Candidato do Novo também quer enxugar a máquina pública e criar tabela estadual para financiar a saúde
RESUMO
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O deputado estadual João Henrique Catan, de 38 anos, candidato do Novo ao governo de Mato Grosso do Sul, participou de sabatina promovida por veículos de comunicação do estado e apresentou propostas para as áreas de saúde, educação, segurança e economia. Entre os compromissos, ele prometeu reduzir impostos, revisar incentivos fiscais, criar uma tabela estadual do SUS, combater a corrupção e investir em tecnologia e infraestrutura para impulsionar o desenvolvimento do estado.
O advogado e deputado estadual João Henrique Catan, de 38 anos, é o candidato do Novo ao Governo de Mato Grosso do Sul. Natural de Campo Grande, ele está no segundo mandato na Assembleia Legislativa e se apresenta como uma alternativa à atual administração estadual.
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Durante a sabatina, Catan prometeu reduzir impostos, revisar incentivos fiscais, diminuir cargos comissionados e criar uma tabela estadual para financiar serviços de saúde. Também defendeu investimentos em tecnologia, infraestrutura, educação e segurança pública.
Catan participou do Frente a Frente, rodada de entrevistas com os candidatos ao Governo do Estado nas eleições de 2026. A iniciativa reúne Campo Grande News, SBT/MS, TV Guanandi, A Crítica, JD1 Notícias e Correio do Estado.
A sabatina foi mediada pelo jornalista Alexandre Giachetto e contou com perguntas de Daniel Pedra, Maristela Brunetto, Marcos Anelo, Nathalia Pelzl, Carlos Guilherme e Edir Viegas.
Alexandre Giachetto - Por que o senhor deseja ser governador de Mato Grosso do Sul?
João Henrique Catan - Desejo tanto ser governador do Estado que recorri à Justiça para estar aqui diante deste grupo extremamente competente da imprensa de Campo Grande e ter os mesmos direitos concedidos aos meus adversários.
Simplesmente cansei de assistir à velha política governar meu Estado. Tenho a experiência de dois mandatos como deputado estadual, somando oito anos, assistindo ao governador ditar as regras na Assembleia Legislativa.
Isso cansa, enquanto vemos faltar saúde, educação e segurança. As pessoas não aguentam mais a velha política governando Mato Grosso do Sul. Era preciso alguém levantar a cabeça e enfrentar.
Eles tramaram o jogo para que não houvesse disputa ao Senado entre a direita e para que não pudesse surgir o novo. É uma atitude corajosa de alguém que se levantou e disse: “Não, haverá uma segunda opção”.
Fui às ruas para tirar o PT e Dilma, quando isso parecia impossível, e volto às ruas agora para mostrar que é possível fazer o novo.
Arrecadação e finanças públicas
Daniel Pedra, do Correio do Estado - O senhor prometeu reduzir impostos e revisar os incentivos fiscais concedidos pelo Estado. Quais tributos diminuiria primeiro e quais benefícios pretende cortar?
João Henrique Catan - É importante dizer ao público que está nos assistindo que hoje só conseguimos ter informações sobre a renúncia fiscal porque entramos na Justiça. Vocês noticiaram essa judicialização, que deu transparência àquilo que o Estado deixa de arrecadar. É um absurdo.
Mato Grosso do Sul tinha R$ 4 bilhões em renúncia de receita. O candidato Riedel elevou esse valor para R$ 11 bilhões e projeta entregar ao próximo governador, em 2028, uma renúncia de R$ 13 bilhões.
Em primeiro lugar, precisamos rever os contratos, abrir a caixa-preta e mostrar aquilo que as operações policiais têm demonstrado: pessoas recebem indevidamente para permitir o acesso a benefícios e incentivos fiscais.
Quero remodelar o Fundersul e conceder isenção principalmente para bezerros de até 12 meses. Quero rediscutir toda a matriz econômica, remodelando os incentivos fiscais para que eles cheguem às cadeias primárias de produção.
Na minha avaliação, é muito mais importante incentivar quem está produzindo do que incentivar o consumo.
Hoje, Mato Grosso do Sul tem uma população extremamente endividada, principalmente os servidores públicos. São quase R$ 9 bilhões comprometidos com empréstimos consignados, sendo que esses empréstimos estavam sendo negociados com a participação do Banco Master.
Vamos rever e discutir isso. Faremos os incentivos chegarem ao médio e ao pequeno produtor. Vamos atender o produtor que tem 20 vacas leiteiras, quer chegar a 40 e não consegue porque é sufocado pela política fiscal do Estado.
Faremos Mato Grosso do Sul voltar a ter um dos maiores rebanhos bovinos, porque vamos incentivar a cadeia primária. Hoje estamos atrás de Mato Grosso, mas já estivemos à frente. Será um começo importante para termos um desenvolvimento verdadeiro em Mato Grosso do Sul.
Daniel Pedra - Qual alíquota o senhor poderia citar que seria reduzida? A do ICMS?
João Henrique Catan - Mato Grosso do Sul tem uma política fiscal truculenta, falsa e mentirosa. Temos uma alíquota modal de 17% do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), mas também existe a pauta fiscal.
Quem é comerciante sabe. Existe uma alíquota de 17% que será cobrada sobre determinado produto. Vamos supor que esse copo custe R$ 10. O Estado estabelece uma pauta e diz que ele vale R$ 20. No lugar de cobrar 17%, acaba cobrando, por uma via indireta, o equivalente a 34%.
É apenas um exemplo, mas mostra uma forma que o Estado utiliza para modular sua alíquota e arrecadar 21%, 22%, 24% ou 25%, dependendo do item.
Vamos acabar com o Imposto Garantido e com a pauta fiscal realizada apenas para arrecadar.
Temos uma reforma tributária em andamento e vamos lutar, como governador de Mato Grosso do Sul, por uma contrarreforma para que o Estado tenha autonomia federativa. Essa autonomia está sendo destruída pela reforma.
Maristela Brunetto, do Campo Grande News - O senhor trata bastante da questão tributária em seu plano de governo. Fala da pauta fiscal e da redução de impostos. O próximo governador já terá que lidar com a implantação da reforma tributária. Estados e municípios serão representados na definição do rateio. O senhor defende uma contrarreforma, mas o que tem sido dito é que Mato Grosso do Sul poderá perder recursos porque o consumo será valorizado, e temos uma população pequena. Como lidar com esse cenário, considerando que o Estado arrisca perder receita e não possui sobra no orçamento?
João Henrique Catan - Você tem razão. Essa dificuldade foi criada pelos governantes que administraram o Estado. Nada mudou nesses 12 anos de administração do PSDB, com Reinaldo Azambuja e Riedel.
Eles incentivaram o consumo e os empréstimos consignados. Os servidores estão endividados. O Banco Master operou esses contratos por meio da PKL One. Isso foi revogado recentemente por uma denúncia nossa.
A grande questão é a reforma tributária. O candidato Riedel já disse, por meio de seu secretário Jaime Verruck, que uma das alternativas seria aumentar os tributos porque, caso isso não seja feito, o percentual de repasse previsto na reforma poderá ser menor.
O que queremos para Mato Grosso do Sul é trazer a teoria da direita. Sou um deputado de direita, defendo esses valores e o liberalismo econômico. Acredito que chegamos a um ponto em que o cidadão não aguenta mais pagar impostos. Vá ao comércio, olhe as lojas e o varejo. A situação está difícil.
Meio ambiente e sustentabilidade
Edir Viegas, do JD1 Notícias - Em seu plano de governo, o senhor afirma que a fiscalização ambiental será focada no que é ilegal. Entretanto, a perda da vegetação nativa também pode ocorrer por meio de supressões autorizadas e, portanto, legais. Seu governo pretende apenas garantir o cumprimento da legislação ou estabelecerá limites mais rigorosos para proteger o Pantanal e o Cerrado, inclusive negando autorizações consideradas tecnicamente prejudiciais aos biomas?
João Henrique Catan - O que posso dizer é que o governo atual estabelece vínculos de corrupção já denunciados pela PF (Polícia Federal) e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) dentro do órgão de controle, o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul).
A Assembleia Legislativa foi obrigada a votar a Lei do Pantanal, contra a qual votei, porque estava refém da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Em nosso governo, você não verá isso.
Entendemos que a legislação existente deve dar condições ao produtor. Os incêndios no Pantanal estão aumentando porque o rebanho bovino está diminuindo. Mato Grosso do Sul perdeu espaço e hoje Mato Grosso possui um rebanho maior do que o nosso.
Vamos incentivar, por meio da política fiscal, o aumento do rebanho e levar a produção. O boi é o bombeiro do Pantanal.
Quando você fala em preocupação com o Pantanal e o meio ambiente, sabe o que me preocupa muito? O homem pantaneiro e as raízes culturais daquele povo, que está sem escola, saúde, educação, segurança e acesso.
Pegue uma pessoa que está no meio do Pantanal e sofre uma picada de cobra, algo extremamente comum. O que acontece? Ela chega ao Hospital Regional e se arrepende de ter vindo, porque muitas vezes nem sabemos se chegará com vida.
Vamos instituir verdadeiramente um programa de PSA (Pagamento por Serviços Ambientais). Quem preserva deve receber incentivos.
Atualmente, os incentivos estão concentrados em R$ 11 bilhões em renúncia de receita para grupos econômicos que fazem um Pix e mandam o dinheiro para fora do País.
Estamos falando, por exemplo, da celulose. Ela é produzida em Mato Grosso do Sul e, pela Lei Kandir, a exportação não paga tributo. Estamos ficando sem nada.
Quando pegamos nossa produção, como gado, soja e leite, e vendemos no mercado interno, há pagamento de ICMS. Essa lógica está equivocada.
Vamos ajudar quem quer produzir e aumentar o rebanho no Pantanal, uma região que precisa ser preservada. O gado diminui a matéria orgânica disponível para o fogo, ao mesmo tempo que produz e gera emprego e renda.
Edir Viegas - Vou repetir a pergunta, deputado, porque o senhor não respondeu. Seu governo suspenderia ou negaria uma autorização diante de risco ambiental provocado por uma atividade econômica?
João Henrique Catan - Vamos priorizar a produção em vez de proibir e punir. Remuneraremos, por meio do pagamento por serviços ambientais, quem preserva. É um tema novo que já incluímos em nosso plano de governo e faremos acontecer.
Quem preserva receberá por isso. Quanto às licenças e à legislação, vamos mantê-las como estão. O que faremos é retirar a corrupção e a inércia de dentro do Imasul, que já foi alvo de operações relacionadas à falta de fiscalização e à concessão de licenças indevidas.
Vamos construir uma ponte entre quem preserva e quem produz em Mato Grosso do Sul. Essa é a diferença.
Marcos Anelo, do SBT/MS - O Novo afirma que o excesso de burocracia estatal atrapalha a atividade produtiva. Na área ambiental, qual é a principal burocracia estatal que o senhor identifica?
João Henrique Catan - Basta bater às portas do Governo do Estado para ver como funciona. Uma pessoa que está nos assistindo, para conseguir uma vaga no Hospital Regional, na Santa Casa ou em uma creche, precisa pedir e se humilhar diante de um vereador, deputado, prefeito ou alguém que trabalhe em um gabinete.
Tente conseguir uma licença dentro do Imasul. Você precisa fazer o quê? Pagar propina. É difícil. Criam dificuldades para depois vender facilidades.
Vamos acabar com essa prática implementada em Mato Grosso do Sul. Levaremos tudo isso para a palma da mão.
A inteligência artificial, os programas e os sistemas de computador podem oferecer as respostas necessárias. Aquilo que o Estado cobra dos empresários que desenvolvem programas de computação, setor que também já apareceu em investigações de corrupção, poderia ser revertido.
Atualmente, quem não tem uma resposta no telefone está fora do mercado. Isso também não terá espaço em meu governo.
Carlos Guilherme, de A Crítica - Dados divulgados recentemente mostram que as matrículas de estudantes com autismo passaram de 546 para 3.159 em seis anos, entre 2020 e 2026. Como seu governo pretende atender essas crianças e adolescentes, que precisam de profissionais adequados dentro das salas de aula, sem estourar o orçamento público?
João Henrique Catan - Minha família é fundadora da Escola Juliano Varela, que atende crianças com síndrome de Down. Falo com a autoridade de quem participou e ajudou a cuidar e acolher essas crianças.
Sou advogado e tenho diversas ações ajuizadas contra operadoras de saúde que negam atendimento às crianças atípicas, principalmente o acompanhamento fonoaudiológico e as atividades multidisciplinares.
Reconhecemos a importância e a evolução proporcionada por esses atendimentos. Sabemos que isso promove integração.
Vamos ajudar ouvindo essas famílias. Tenho uma lei que criou o Cadastro da Pessoa com Deficiência. Ela já está em vigor, mas o governador e candidato Riedel não a implementou de modo a compreender as demandas dessas pessoas e transformá-las em serviços e políticas públicas permanentes em Mato Grosso do Sul.
Vamos ouvir as mães atípicas, porque também sou um candidato atípico, um candidato fora do padrão. Não tenho compromisso com o atraso nem com o equívoco.
Carlos Guilherme - Em seu plano de governo, o senhor afirma que pretende melhorar a aprendizagem. Também houve aumento do número de escolas de tempo integral em Mato Grosso do Sul. Como medirá se os alunos estão realmente aprendendo e quais resultados cobrará dessas escolas?
João Henrique Catan - Um dos índices educacionais coloca Mato Grosso do Sul com apenas 16% das crianças e adolescentes saindo da escola com domínio da matemática básica. Isso é uma vergonha.
Esse resultado ajuda a explicar por que temos um dos piores índices de evasão escolar. As crianças não permanecem na escola porque ela deixou de ser um lugar de acolhimento.
Na condição de deputado estadual, destinamos emendas para colocar aparelhos de ar-condicionado nas escolas. Você instala o equipamento, mas a energia cai e é preciso refazer o quadro elétrico. Não há computador nem aulas diferentes.
Os professores não são avaliados e não existe autoavaliação. Em qualquer escola particular, atualmente, o próprio aluno avalia o professor.
Hoje, cerca de 70% dos professores convocados recebem menos do que os 30% efetivos. Essa política acabará em nosso governo.
Vamos promover a reestruturação das escolas, criar programas de intercâmbio para jovens, respeitar as escolas cívico-militares, implantar escolas charter e desenvolver um grande programa inclusivo e transformador.
Nathalia Pelzl, da TV Guanandi - O senhor defende uma gestão baseada em metas. A educação possui vários pontos que precisam ser melhorados. Qual resultado se compromete a entregar ao final de quatro anos? O foco principal será reduzir a evasão, ampliar a jornada dos estudantes ou melhorar a alfabetização?
João Henrique Catan - Queremos tornar a escola um lugar onde a criança seja acolhida.
Sejamos sinceros. Em Mato Grosso do Sul, quando a classe média tem oportunidade, não quer matricular seus filhos na escola pública. Queremos fugir da escola pública, da saúde pública e de todos os lugares em que o Estado participa e falha.
Precisamos compreender a situação, chamar os servidores e promover uma equiparação para tornar as aulas mais interessantes.
Hoje, os melhores professores também estão na internet. Nem sempre estão mais dentro da escola. Precisamos oferecer condições para modernizar o ensino, capacitar os professores e reconhecer esses profissionais com equiparação salarial.
Também criaremos programas para levar jovens ao exterior para estudar. Que programa inovador temos atualmente? O estudante sai da escola sem aprender matemática ou física.
Como tornaremos isso interessante e diferente dentro do mundo atual da tecnologia? Levaremos tecnologia às escolas. Colocarei computadores e celulares de última geração nas mãos dos estudantes.
Nathalia Pelzl - O senhor fala em tornar a gestão mais eficiente e combater o desperdício. Na Saúde, onde o Governo de Mato Grosso do Sul poderia economizar sem prejudicar o atendimento?
João Henrique Catan - Sou o único candidato que vai responder: na propina. Basta não roubar. Vamos acabar com isso.
Tenho uma lista de operações, como Clean, Gutenberg e Turn Off. O regulador de vagas da saúde foi preso. Houve investigados e presos em órgãos da educação e da infraestrutura.
O dinheiro do cidadão está saindo de maneira criminosa em Mato Grosso do Sul.
Como solução, criaremos uma tabela estadual do SUS (Sistema Único de Saúde), que remunerará os hospitais conforme a quantidade de leitos e de especialidades oferecidas.
Basta consultar o DataSUS. Visitei o Hospital Regional e quero dizer que instalarei meu gabinete lá para despachar dentro daqueles corredores onde as pessoas estão sofrendo e agonizando.
Há pacientes que esperam há dez dias por cirurgias de pedra na vesícula e hérnia. Há crianças com problemas simples, como fimose, chorando de dor.
Escutei uma criança chorando. Tenho dois filhos e sabia que voltaria para casa enquanto aquela criança continuaria lá. O caso está em nossas redes sociais.
A criança estava com a bexiga cheia. O problema não foi resolvido em Rochedo, e ela foi encaminhada ao Hospital Regional. Quando chegou lá, não havia urologista pediátrico para atendê-la.
O Hospital Regional recebe R$ 60 milhões por mês. A Santa Casa de Campo Grande recebe R$ 9 milhões e entrega uma produção de serviços equivalente a R$ 12 milhões.
Como o Hospital Regional, com R$ 60 milhões, consegue entregar uma quantidade tão pequena de serviços? Se dividirmos os cerca de R$ 4 milhões que ele entrega em serviços, teremos uma equivalência de 14 vezes a tabela do SUS. A Santa Casa entrega o equivalente a 2,6 vezes a tabela.
Temos também organizações sociais administrando hospitais de Ponta Porã e Três Lagoas. É preciso observar quanto recebem e quanto entregam em serviços.
Vamos criar uma tabela estadual do SUS para dar condições de descentralizar a saúde em Mato Grosso do Sul.
Nathalia Pelzl - Como funcionará essa tabela estadual? A qualidade do atendimento será considerada? Um hospital que atender mais receberá mais, mesmo que registre mais complicações e reinternações?
João Henrique Catan - Vou voltar ao exemplo do Hospital Regional porque, diferentemente dos outros candidatos e do candidato Riedel, estive lá dentro e percorri os leitos.
Como pode um hospital público daquele tamanho receber R$ 60 milhões todos os meses, agora com uma PPP (Parceria Público-Privada), atender aproximadamente 1,5 milhão de pessoas e ter apenas seis leitos de área vermelha?
Isso significa que, se você tiver uma emergência, estará em uma situação muito difícil em Mato Grosso do Sul.
Calcularemos os repasses de acordo com a produtividade, a quantidade de especialistas e o número de leitos.
A Santa Casa possui cerca de 700 leitos e recebe R$ 9 milhões. O Hospital Regional tem aproximadamente 300 leitos e recebe R$ 60 milhões todos os meses. Isso não pode acontecer.
São seis leitos de área vermelha e 16 de área azul. Isso me dói. É por isso que quero fazer a diferença e ser o governador da mudança.
Daniel Pedra - O senhor promete zerar, em 12 meses, as filas de consultas, exames e cirurgias, inclusive mediante a contratação de horários ociosos nos hospitais particulares. Quanto esse programa custará ao governo?
João Henrique Catan - Vamos implantar a tabela estadual do SUS, que será nosso indexador para definir a remuneração.
Precisamos deixar claro que não estamos vendendo uma panaceia nem prometendo resolver todos os problemas. Estamos falando de problemas básicos.
Vocês estão fazendo o trabalho de entrevistar os candidatos, realizar uma sabatina em formato diferente e analisar os planos de governo. Sejamos sinceros: são os mesmos problemas há 12 anos.
Falta alguém com coragem e compromisso para fazer diferente e inovar. Esse modelo já deu certo.
São Paulo (SP) enfrentou problemas dessa forma, levando pessoas para serem atendidas no Albert Einstein e no Hospital Nove de Julho, inclusive durante a madrugada, para a realização de exames.
Prefiro que uma pessoa faça o exame durante a madrugada, resolva seu problema e gere um custo menor ao Estado, com remuneração definida pela tabela de referência, a permitir que espere 25 ou 28 anos. Há cidadãos que esperaram e morreram na fila por uma cirurgia ou um exame.
Segurança pública
Marcos Anelo - O primeiro censo da população em situação de rua de Campo Grande identificou 1.476 pessoas. A essa população são atribuídos muitos furtos, principalmente de fios. Comerciantes e moradores da região central afirmam não suportar mais essa situação. Como resolver o problema?
João Henrique Catan - Também é um problema antigo. Vamos voltar ao exemplo de São Paulo.
São Paulo realizou uma investigação. O Estado não permaneceu apenas agindo de maneira recorrente para tentar resolver o problema do comércio invadido. Foi a fundo para descobrir a origem, quem estava financiando, qual traficante e qual facção criminosa estavam operando e utilizando essa população, que é vulnerável.
O policial de Mato Grosso do Sul será valorizado. Receberá um auxílio-alimentação digno e condizente com sua função.
Como podemos aceitar que um policial receba R$ 100 para cumprir 15 plantões? Isso não representa nem R$ 6 por plantão para comprar uma coxinha.
Enquanto isso, um vereador, secretário ou ocupante de cargo de confiança recebe auxílio-alimentação de R$ 1 mil, R$ 2 mil ou R$ 3 mil. Basta consultar o Portal da Transparência. Também é preciso verificar quanto o governador recebe de auxílio-alimentação.
Isso não é justo com nossos policiais e mudará em Mato Grosso do Sul.
Existem pessoas que utilizam cidadãos em situação de vulnerabilidade e de rua para trabalhar para facções criminosas, praticar assaltos, vender drogas e furtar fios.
Posso garantir que, em nosso governo e dentro do nosso partido, essas pessoas não terão espaço para disputar cargos de vereador, deputado estadual ou prefeito e levar a criminalidade para dentro da política.
Depois, o Ministério Público e os delegados ficam impedidos de trabalhar quando um cidadão ligado a um grupo criminoso armado conquista um mandato de deputado estadual.
Vamos combater o crime como um todo, de maneira transparente, valorizando a tecnologia e a investigação e oferecendo condições para que a polícia trabalhe com dignidade.
Marcos Anelo - Especialistas afirmam que a situação das pessoas em situação de rua deve ser enfrentada com moradia, emprego e saúde. O senhor concorda?
João Henrique Catan - É todo um contexto. Você citou a população em situação de rua, mas temos também os problemas enfrentados pelas mulheres, o feminicídio e vários outros índices provocados pela falta de uma política integrada e preventiva.
O Estado falhou e está quebrado. Não resta alternativa, segundo o governo, a não ser aumentar os tributos. Por isso quero entrar para mudar, abrir a caixa-preta e impedir que essa seja a única alternativa.
Faltaram recursos. Como falaremos em uma política multidisciplinar e integrada se apresentei, na Assembleia Legislativa, um comprovante de que o Governo do Estado não pagou as contas de telefone do Corpo de Bombeiros e da polícia?
Durante aquele período, se alguém ligasse, o telefone estaria cortado. O Estado reconheceu isso.
Precisamos dizer ao cidadão que essa política será realizada. Concordo com sua afirmação, mas isso será possível porque diminuiremos a máquina pública.
Vamos retirar cargos de apadrinhados, reestruturar e modificar a administração. Meu compromisso não é com deputado, prefeito ou com o inchaço da máquina. Meu compromisso é com o povo de Mato Grosso do Sul.
Carlos Guilherme - Além dos problemas comuns às grandes cidades, Mato Grosso do Sul possui uma extensa fronteira. Como as propostas apresentadas em seu plano de governo garantirão, na prática, mais segurança nessa região?
João Henrique Catan - Temos uma fronteira aberta com países como Paraguai e Bolívia, uma das maiores existentes, e isso representa uma dificuldade muito grande.
Convivo com Ponta Porã e Corumbá desde a infância e conheço os grupos que atuam nessas regiões. Hoje, como cidadão do Estado, sinto-me inseguro nesses locais.
A imprensa mostrou como lideranças do PCC (Primeiro Comando da Capital) foram exterminadas nessas regiões. Não havia condições para que qualquer força policial de Mato Grosso do Sul impedisse que pessoas travassem uma guerra a céu aberto.
A polícia receberá valorização, tecnologia e todas as condições para enfrentar criminosos. Sou daqueles que acreditam que “bandido bom é bandido morto”.
Desenvolvimento econômico, tecnologia e inovação
Maristela Brunetto - O senhor deixou claro que possui um pensamento liberal na economia. O desenvolvimento econômico deve ocorrer conforme os interesses do mercado ou seu governo também atuaria como indutor? De que forma?
João Henrique Catan - Respeito a teoria liberal e concordo com ela. Mas acredito que o Estado precisa atuar como indutor quando não há um empresário disposto ou em condições de realizar determinada atividade de interesse público.
Olhe para Campo Grande e para a parceria entre a prefeita Adriane Lopes e o governador. Veja a porta de sua casa e o que acontece quando chove.
Isso também ocorre em todo o Estado. Para recuperar a malha rodoviária estadual, precisamos direcionar o Fundersul exclusivamente às rodovias, sem permitir desvios de finalidade.
Também precisamos criar uma agência estadual de mineração. Ela poderá explorar o minério utilizado para produzir asfalto, como o basalto.
Vamos criar uma agência estadual de mineração, uma usina de concreto, uma usina de asfalto e uma empresa pública com máquinas específicas para recuperar a malha viária.
Vou duplicar rodovias que não recebem esse tipo de investimento há muito tempo. Temos cerca de 6 mil quilômetros de rodovias estaduais ainda não pavimentadas. Vamos levar pavimentação a essas regiões, criando condições com tecnologia e induzindo o desenvolvimento.
Quando tive essa ideia, não sabia que outro estado já havia adotado esse modelo com bons resultados.
Santa Catarina possui consórcios, usinas de asfalto e concreto e pedreiras estaduais. Vamos implantar essa estrutura nas nove regiões de Mato Grosso do Sul, para fornecer asfalto mais barato às prefeituras e atender às rodovias que pretendemos pavimentar e duplicar.
É com esse tipo de medida que traremos mudanças ao Estado.
Maristela Brunetto - O senhor fala em oferecer infraestrutura para atrair investimentos privados. Além disso, como o governador deve agir para trazer esses investimentos?
João Henrique Catan - O primeiro ponto é que as rodovias precárias encarecem a produção em Mato Grosso do Sul.
Os incentivos fiscais correspondem a quase 50% daquilo que arrecadamos, sem qualquer transparência.
Vocês representam alguns dos veículos jornalísticos de maior audiência no Estado. Não é normal, legítimo nem correto que a imprensa não saiba quem recebe incentivos fiscais em Mato Grosso do Sul.
A imprensa não pode cobrar porque não tem acesso às informações. Nem a Assembleia Legislativa conhece todos os beneficiários desses R$ 11 bilhões.
Imaginem um casal em que uma pessoa esconde 50% da renda enquanto a casa está quebrada, inundada e sem comida na geladeira.
Esse é o Estado que será entregue ao próximo governador. Vamos mudar essa situação.
Edir Viegas - Mato Grosso do Sul perde profissionais capacitados para outros estados. Quando grandes indústrias chegam, como as do setor de celulose, trabalhadores de fora ocupam os melhores postos porque temos pouca mão de obra local qualificada. O senhor propõe criar parques tecnológicos e incubadoras. Como pretende conciliar a capacitação profissional com esses parques?
João Henrique Catan - Tudo exige dinheiro, investimento e uma atuação multidisciplinar.
Em continuidade à resposta dada à Maristela, precisamos entender que as informações sobre os incentivos fiscais são omitidas dos legisladores, do Ministério Público e da imprensa, que respeito como quarto poder do Estado e do País.
Imagine o cidadão que está nos assistindo. Todos os anos, o candidato Riedel retira aproximadamente R$ 11 bilhões do orçamento por meio da renúncia fiscal e agora projeta esse valor em R$ 13 bilhões.
O Estado arrecada cerca de R$ 27 bilhões, mas não explica quais contrapartidas são exigidas das empresas que recebem os incentivos, como devolverão esses benefícios à sociedade e quais trabalhadores capacitarão.
As empresas chegam a Mato Grosso do Sul, montam um canteiro de obras, alteram toda a rotina da cidade e, depois, vão embora. Muitas vezes deixam poucos empregos permanentes.
Não sei se não seria melhor dividir essa renda com o município e investir em unidades habitacionais que o atual governo prometeu na eleição passada, mas não entregou.
Alexandre Giachetto: O senhor tem um minuto para as considerações finais.
João Henrique Catan: Quero agradecer a oportunidade e pedir ao cidadão sul-mato-grossense que escolha com carinho e procure saber quem está verdadeiramente comprometido com você.
Olhe para sua vida nos últimos 12 anos e veja o que mudou e o que melhorou. Observe os impostos que está pagando. Você não se sente desanimado? Não gostaria que surgisse alguém novo, diferente e com vontade de trabalhar?
Trabalho com carteira assinada desde os 14 anos e quero promover mudanças em nosso Estado. Sou bolsonarista, de direita e não aceitei a farsa montada para impedir que a direita tivesse uma candidatura.
Poderia disputar dez ou 12 mandatos, como alguns colegas fizeram dentro da Assembleia Legislativa, mas rejeitei esse caminho.
Abri mão da possibilidade de um terceiro mandato para termos um candidato novo, inovador, preparado, com 38 anos e um bom currículo para governar Mato Grosso do Sul.
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