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Campo Grande, Sábado, 22 de Setembro de 2018

11/12/2017 16:54

Para família, queda de empregada do 13º andar foi acidental

“Tenho certeza no meu coração que aconteceu um acidente com minha mãe”, afirmou uma das filha da vítima

Geisy Garnes e Anahi Gurgel
Edifício onde queda fatal aconteceu (Foto: Marcos Ermínio)Edifício onde queda fatal aconteceu (Foto: Marcos Ermínio)

No dia 8 de dezembro, Izabeth Cândido da Hora Ajala morreu ao cair do 13º andar do condomínio Solar Van Gogh, no Centro de Campo Grande. Ainda lidando com a dor da perda, a família da empregada doméstica só consegue ter uma única certeza: naquele dia, um acidente tirou a vida da mulher de 48 anos.

Abalada, uma das filhas de Izabeth recebeu a equipe do Campo Grande News nesta tarde. Ela mora ao lado da casa onde, até a semana passada, vivia a mãe e a irmã, de 18 anos. “Sempre quis minha mãe perto de mim”, lembra a mulher de 30 anos, que preferiu não se identificar. Izabeth tinha quatro filhos, dois netos, de 4 e 7 anos, e ainda cuidava de quatro cachorrinhos.

Falar da mãe, para ela, é lembrar de uma mulher vaidosa, que passava por uma das melhores fase da vida e amava o trabalho. É justamente por isso que a ideia de ver Izabeth tirar a própria vida é inadmissível aos olhos da família. “Tenho certeza no meu coração que aconteceu um acidente com minha mãe”, afirmou.

Foi a patroa da mãe quem a avisou da morte, mas a dor e o medo a bloquearam de ir até o local onde o corpo de Izabeth foi encontrado. Após a morte da empregada, a filha procurou as matérias sobre o caso, mas, a cada uma, ela se deparou com a possibilidade do suicídio da mãe levantada pela polícia.

“A polícia devia ter falado: ‘Vamos averiguar, ponto’. Porque a mídia se agarrou a essas possibilidades. Minha mãe não se jogou. Quem quer se jogar não monta uma cena, não coloca a escada perto da janela. Minha mãe era perfeccionista, detalhista, tudo que ela limpava ficava um brinco”, contou.

Nina, uma das cachorrinhas da família ainda espera a dona no portão (Foto: André Bittar)Nina, uma das cachorrinhas da família ainda espera a dona no portão (Foto: André Bittar)

A dor é ainda maior quando percebe como a mãe foi exposta. Tímida e reservada, Izabeth já havia enfrentado a depressão, mas hoje estava bem, se recuperava de uma cirurgia para a retirada da vesícula e voltava a rotina, que vivia afirmando sentir falta. “Ela amava trabalhar lá”, lembrou.

“Minha mãe se arrumava, era vaidosa, se maquiava, arrumava o cabelo, escolhia roupas bonitas para usar, estava indo na igreja. Era sempre disposta, estava vivendo uma fase plena, para mim uma pessoa com depressão não tem vontade de fazer nada, de sair de casa”, reforça a mulher. Em uma tentativa de ajudar o próximo, a família autorizou a doação de órgãos de Izabeth, mas a violência da queda impossibilitou o procedimento.

Do portão da casa de Izabeth, a cachorrinha ainda mantém um ritual, todos os dias vai para o portão, sempre no mesmo horário, esperar a dona chegar, mas agora são os filhos que cuidam da cadelinha e buscam força uns nos outros para seguir a vida, sem a presença da mãe.



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