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Campo Grande, Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018

19/11/2017 16:08

Para ver filhas com diploma, pais enfrentam 8 ônibus e espera de horas

Candidatos e familiares reclamam da longa distância entre residência e local de prova.

Anahi Gurgel e Bruna Kaspary
Silvia e o marido pedem para entrar na escola e aguardar as filhas terminarem a prova do Encceja. (Foto: Bruna Kaspary)Silvia e o marido pedem para entrar na escola e aguardar as filhas terminarem a prova do Encceja. (Foto: Bruna Kaspary)

O longo trajeto percorrido até os locais de prova do Encceja (Exame Nacional de Certificação de Competências), realizado neste domingo (19) em todo o País, foi motivo de grande descontentamento entre candidatos de Campo Grande, que teve total de 27 mil inscritos. Familiares e amigos que foram acompanhar os participantes preferiram aguardar horas até o término da prova, para evitar perda de tempo e gastos com o deslocamento.

Moradora do Jardim Noroeste, a dona de casa Silvia Farias, 49, precisou atravessar toda a cidade para levar as duas filhas, de 21 e 19 anos, até a Escola Municipal Padre Tomaz Ghirardelli, no Bairro Dom Antônio Barbosa, local do exame.

“Somente em um dia iremos pegar 8 ônibus: 4 em cada rota. Vou esperar a prova acabar, porque é muito longe para ir e voltar”, calcula.

Juntamente com o marido, fez questão de estar junto com as meninas durante todo o percurso para desejar “sorte”.

Ela relata que a família veio de Bataguassú para a Capital há 3 anos, depois que o filho mais velho foi assassinado. “Foi muito chocante para todos e minhas filhas passaram a ter dificuldade na escola. Elas eram mais novas, não conseguiam focar no aprendizado e abandonaram as aulas na 7ª série”, lembra.

"Esse diploma significa muito para toda a família", acrescenta.

Silvia em escola municipal aguarda filhas terminarem exame, na tarde deste domingo. Foram 4 ônibus de ida e mais 4 de volta. (Foto: Bruna Kaspary)Silvia em escola municipal aguarda filhas terminarem exame, na tarde deste domingo. "Foram 4 ônibus de ida e mais 4 de volta". (Foto: Bruna Kaspary)

Quem também reclamou muito da distância de sua casa no Maria Aparecida Pedrossian, até ao local da prova, foi o estudante Andrew Espinoza, 18. Ele foi levar a namorada e um primo para fazer o Encceja na mesma escola.

“Ficamos indignados. Não dá para entender, porque eles têm endereço dos candidatos e das escolas. Qual motivo de mandar para cá? Tem gente do Bairro Moreninha, que fica mais perto daqui, fazendo prova lá no Pedrossian”, disse.

O vigilante Jones Roger Martinelli Vieira, 26, foi de moto levar uma prima do bairro Serraville, depois do Noroeste, ao Dom Antônio.

“De manhã ela veio de Uber e pagou R$ 25. Voltou para almoçar e me pediu carona. Eu abasteci com R$ 20 e já está na reserva. Vou esperar minha prima terminar a prova e tomara que ela banque a volta”, disse, em tom de brincadeira.

A prova foi aplicada  no período da manhã, entre 8h e 12h, e no período da tarde entre 14h40 e 19h30, no horário local.

Exame - Mato Grosso do Sul teve 80.024 inscritos para fazer a prova, neste domingo, em 21 municípios. Estes buscam a certificação da conclusão do ensino fundamental e médio.

O exame não era aplicado há três anos, uma vez que o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) acabou destinado a validar diplomas de conclusão do ensino fundamental e médio. O retorno do Encceja ocorre porque menos de 10% dos alunos conseguiram isso pelo Enem.

Assim ao conquistar a pontuação mínima na prova, conforme o Ministério da Educação, o candidato terá isenção automática no próximo Enem. Ainda não há data para a divulgação dos resultados.

Familiares e amigos que foram acompanhar candidatos no Encceja aguardam do lado de fora. Não compensa ir para casa. (Foto: Bruna Kaspary)Familiares e amigos que foram acompanhar candidatos no Encceja aguardam do lado de fora. Não compensa ir para casa. (Foto: Bruna Kaspary)


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