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Capital

Para vizinhos, jovem executado após sequestro era tranquilo e trabalhador

O corpo foi encontrado na noite de ontem (11), em estrada vicinal, próximo à Avenida Gury Marques

Por Geisy Garnes e Bruna Marques | 12/08/2021 11:24
Ailton foi levado de dentro de casa, na comunidade Só por Deus, pelos bandidos. (Foto: Henrique Kawaminami)
Ailton foi levado de dentro de casa, na comunidade Só por Deus, pelos bandidos. (Foto: Henrique Kawaminami)

A morte de Ailton Franco da Silva, de 24 anos, pegou os moradores da comunidade “Só por Deus” de surpresa. Para quem convivia com o jovem, a história de sequestro e execução destoa a figura de trabalhador que costumavam ver todos os dias. Ainda assim, o corpo foi encontrado na noite de ontem (11), em estrada vicinal, próximo à Avenida Gury Marques, com várias perfurações de tiro.

Ailton morava com a mulher e o filho de 5 anos em um dos barracos da comunidade, no Jardim Centro-Oeste. Na madrugada de terça-feira (10), foi surpreendido por falsos policiais armados com metralhadora, colocado em um Fiat Palio e afastado da família.

Ailton Franco da Silva, de 24 anos, em momento de lazer. (Foto: Arquivo pessoal)
Ailton Franco da Silva, de 24 anos, em momento de lazer. (Foto: Arquivo pessoal)

Para os vizinhos, o crime assusta não só pela crueldade, mas também pelo alvo dos bandidos ser uma pessoa considerada tranquila e caseira. Ao Campo Grande News, uma das vizinhas, de 22 anos, que já foi namorada do cunhado de Ailton, descreveu o rapaz como uma pessoa tranquila e trabalhadora. “Ele trabalhava em um lava-jato. Só se reunia com a família, não vinha ninguém estranho aqui”.

Vizinha da família há sete anos, uma operadora de caixa de 32 anos se diz chocada com o crime. “A casa deles sempre foi muito tranquila, fiquei chocada com a notícia. Só víamos ele saindo e voltando do trabalho”, lamentou.

Nesta manhã, a casa de onde o rapaz foi arrancado pelos bandidos amanheceu vazia. Abaladas, nem a mãe de Ailton, nem a esposa, quiseram falar sobre o crime. Agora, cuidam do detalhes para o sepultamento, que deve acontecer na tarde de hoje.

Investigações – Enquanto isso, a DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídio) investiga o assassinato brutal de Ailton. Além de ser sequestrado, ele foi atingido por mais de 20 tiros de pistola 9 milímetros. Até o momento, não há qualquer indício de envolvimento do rapaz com o crime.

Conforme apurado pela reportagem, na Justiça, Ailton responde apenas a um processo de “arrebatamento de preso”, consequência de uma confusão no Jardim Canguru, em 2015. Consta na denúncia, que em setembro daquele ano, ele e outros moradores do bairro tentaram linchar o autor de um furto.

Para fazer isso, no entanto, tentaram “tomar” o suspeito das mãos da polícia e desacataram guardas municipais. Além disso, Ailton tem algumas passagens pela polícia ainda quando adolescente por: dirigir sem carteira, ameaças, vias de fato e furto. Depois de adulto, ainda foi indiciado por direção perigosa e uma ameaça.

A denúncia – A família do rapaz havia registrado o sumiço do jovem, na tarde de ontem (10), após três pessoas de colete, fortemente armadas e com máscara cobrindo o rosto, se passarem por policiais para "prender" a vítima.

Corpo foi encontrado em estrada vicinal, próximo a MS-035. (Foto: Kísie Ainoã)
Corpo foi encontrado em estrada vicinal, próximo a MS-035. (Foto: Kísie Ainoã)

Segundo a família, enquanto um dos suspeitos aguardava em carro modelo Fiat Pálio, duas pessoas desceram e anunciaram a prisão do jovem por tráfico de drogas. A mãe do jovem só ficou sabendo da "prisão" do filho momentos depois, pela sogra da vítima.

Ao registrar o desaparecimento do filho, a mulher ainda revelou que a nora tentou seguir o carro que levou o homem, mas perdeu os suspeitos de vista na região do Bairro Paulo Coelho Machado.

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