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Capital

Pedalada tem Pai Nosso para Emanuelle e apelo por trânsito mais seguro

Cerca de 100 ciclistas, se reuniram para homenagear a estudante, de 21 anos, que morreu atropelada

Por Adriano Fernandes e Liniker Ribeiro | 12/03/2021 20:39
Ciclistas sobre a rotatória onde ocorreu o atropelamento. (Foto: Paulo Francis)
Ciclistas sobre a rotatória onde ocorreu o atropelamento. (Foto: Paulo Francis)

Um grupo com aproximadamente 100 ciclistas, se reuniu na noite desta sexta-feira (12) para homenagear a jovem Emanuelle Aleixo Gorski, de 21 anos, que morreu atropelada por uma caminhonete S10 na noite de quarta-feira (10), enquanto pedalava pela Avenida Desembargador José Nunes da Cunha, no Parque dos Poderes.

Para além de dar um último adeus simbólico a estudante de Direito, que se foi de maneira tão trágica os ciclistas também pediram mais segurança no trânsito, principalmente para os ciclistas. A homenagem foi organizada pelos grupos de ciclismo ADP (Amigos do Pedal) e Fire Bike.

À direita, Joilson Santos de Paula ao lado de Reinaldo Tognoli. (Foto: Paulo Francis)
À direita, Joilson Santos de Paula ao lado de Reinaldo Tognoli. (Foto: Paulo Francis)

A concentração foi em frente a Cidade do Natal, nos altos da Afonso Pena de onde eles seguiram até a rotatória da Desembargador José Nunes da Cunha com a Avenida Mato Grosso onde ocorreu o acidente. No local, todos rezaram um Pai Nosso em memória de Emanuelle.

“O que aconteceu foi uma tragédia muito grande, de uma tristeza profunda, poderia ter sido eu a vítima ou a minha filha, que tem quase a mesma idade da Emanuelle. Essa situação envolve toda a sociedade, precisamos ter mais cuidado, atenção e só conseguimos isso com conscientização. O ato é para alerta a população e as autoridades que precisamos melhorar os espaços públicos”, desabafa o presidente do Fire Bike e coronel do Corpo de Bombeiros, Joilson santos de Paula.

Joilson observa que desde que as lombadas que estavam instaladas no Parque dos Poderes foram desligadas a sensação de insegurança dos ciclistas que pedalam na região, aumentou junto a imprudência dos motoristas.

Ciclistas durante a concentração na Cidade do Natal. (Foto: Paulo Francis)
Ciclistas durante a concentração na Cidade do Natal. (Foto: Paulo Francis)

“Mesmo quando não estavam funcionando mais que não estavam funcionando os motoristas ficavam com a sensação de que poderiam ser multados e com isso, diminuíam a velocidade. Com a retirada das lombadas a insegurança na região aumentou”, completa.

As más condições das ciclovias, ainda conforme o coronel, são outro agravante que colocam os ciclistas em risco. “Apesar de Campo Grande ter uma malha cicloviária boa em vários pontos elas não se interligam, tem sujeira, buraco o que acaba aumentando a insegurança para o ciclista”, completa.

Quem também cobrou mais conscientização e responsabilidade no trânsito foi o presidente do grupo Amigos do Pedal, Reinaldo Tognoli.

“Toda vez que existe um evento traumático com a perda de um familiar nesta circunstâncias, traumatiza toda a sociedade. Nós, ciclistas ficamos sensibilizados, é uma situação que já acontece a algum tempo, é necessário que haja uma mudança de comportamento e que os condutores tenham mais paciência no trânsito, cabe aos cidadãos se respeitarem”, comenta.

Ciclistas pedalando na Avenida do Poeta. (Foto: Paulo Francis)
Ciclistas pedalando na Avenida do Poeta. (Foto: Paulo Francis)

Reinaldo conta que já pratica o ciclista há dez anos e já presenciou todo tipo de violência no trânsito da Capital, de assaltos a motorista avançado sobre o espaço dos ciclistas e causando acidentes.

“Temos uma falha na estrutura, as ciclovias estão precárias até o Parque dos Poderes que era um local que nos consideramos seguros, os motoristas passaram a andar em alta velocidade depois que retiraram as lombadas e aqui no local do acidente é um desse trechos”, critica.

Alguns familiares da jovem acompanharam o início da concentração, mas preferiram não dar entrevista. Em sua fala durante a concentração, uma amiga da jovem, Ana Maria, de 55 anos, não disfarçou a tristeza pela perda de Emanuelle e lembrou que o trânsito também é lugar de respeito.

 “Para mim isso que aconteceu é uma tragédia, acho muito importante essa conscientização, acho importante essa ação para que os motoristas se conscientizem. Todo mundo precisa ter mais cuidado e respeitar o espaço um do outro”, conclui.

Ciclistas pedalando em direção ao local do acidente. (Foto: Paulo Francis)
Ciclistas pedalando em direção ao local do acidente. (Foto: Paulo Francis)

Atropelamento e morte - Emanuelle foi atropelada por uma caminhonete S10 que era conduzida por um engenheiro cartográfico, de 62 anos, por volta das 21h40 de quarta-feira (10). Emanuelle foi resgatada pelo Samu (Serviço Móvel de Atendimento de Urgência) e morreu 1h depois na Santa Casa de Campo Grande.

Pelo menos dois frentistas de um posto de combustíveis presenciaram o acidente, mas nenhuma das testemunhas foram ouvidas, nem mesmo o engenheiro. Os depoimentos estão marcados para a semana que vem.

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