Pipoqueiro investe do próprio bolso para preservar ponto na Orla do Aeroporto
Prestador de serviço gastou R$ 1 mil para conter erosão e manter espaço de trabalho nos fins de semana
Sob a sombra das árvores da Orla do Aeroporto, Givaldo de Souza, de 62 anos, trabalha para reconstruir o terreno onde instala seu carrinho de pipoca aos fins de semana. O objetivo é impedir que a chuva destrua novamente o espaço de onde complementa a renda.
RESUMO
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Givaldo de Souza, de 62 anos, servidor público durante a semana e vendedor de pipoca nos fins de semana, investiu cerca de R$ 1 mil para conter a erosão no terreno onde trabalha na Orla do Aeroporto, em Campo Grande. Sem apoio externo, ele aterra o local e usa madeiras para evitar que as chuvas destruam o espaço, problema que enfrenta há sete anos. No ano passado, gastou o mesmo valor, mas a chuva desfez o serviço.
Prestador de serviço para a Prefeitura durante a semana e vendedor ambulante aos sábados e domingos, Givaldo diz que investiu cerca de R$ 1 mil na obra em lugar público. Além de aterrar o terreno, ele utiliza madeiras para fazer uma contenção e reduzir os danos provocados pelo desgaste do solo provocado pelas chuvas, problema que, segundo ele, se repete todos os anos.
Há sete anos trabalhando no local, Givaldo afirma que o processo erosivo faz parte da rotina. No ano passado, também investiu mais de R$ 1 mil para recuperar o terreno, mas a chuva carregou a terra e desfez o serviço.
Nesta segunda-feira (20), ele começou o aterro por volta das 10h e espera concluir o trabalho até o fim do dia. A intervenção deve abranger cerca de dez metros. Aproveitando uma pausa inesperada no trabalho, Givaldo decidiu refazer a contenção.
“Toda a água desce por aqui. Tudo é com recurso meu mesmo. A gente trabalha aqui e precisa cuidar do lugar onde tira o sustento”, afirma.
Morador do Bairro Santa Emília, Givaldo conta que escolheu permanecer naquele ponto porque o movimento da Orla do Aeroporto garante boa parte das vendas. O local é um dos principais espaços de lazer de Campo Grande nos fins de semana, reunindo ciclistas, famílias, vendedores ambulantes e visitantes que acompanham a movimentação das aeronaves.
Foi justamente por acreditar no potencial do lugar que decidiu investir mais uma vez.
“Esse ponto é muito bom para trabalhar, graças a Deus. Por isso faço esse esforço para melhorar o acesso. A gente vê que é complicado, mas, se nós mesmos não fizermos, ninguém faz.”
Prefeitura - Procurada pela reportagem sobre o desgaste do solo, a Prefeitura de Campo Grande informou que uma equipe da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) fará uma vistoria no local para avaliar a situação. A administração municipal não respondeu aos demais questionamentos sobre a necessidade de autorização para intervenções de particulares nem sobre eventual previsão de obras na área.
*Texto atualizado às 17h47, de 20 de julho de 2026, para inserir posicionamento da Prefeitura de Campo Grande.
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