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Capital

Polícia Civil nega favorecer ‘Coreia’ ao atender ocorrência no dia do crime

Por Rafael Ribeiro e Viviane Oliveira | 17/01/2017 12:40
Delegados alegam que seguiram recomendações e não fizeram avaliação da atuação da PM (Foto: Fernando Antunes)
Delegados alegam que seguiram recomendações e não fizeram avaliação da atuação da PM (Foto: Fernando Antunes)

Os delegados da Polícia Civil que participaram do registro inicial e investigação do inquérito que indiciou o policial rodoviário federal Ricardo Hyun Su Moon, 47 anos, pelo assassinato do empresário Adriano Correia do Nascimento, 33, negaram terem dado algum tipo de favorecimento ou tratamento privilegiado ao acusado no dia do ocorrido, em 31 de dezembro.

A investigação da conduta das polícias Civil e Militar no dia dos fatos foi exigida pelo Ministério Público Estadual em ofício encaminhado à Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública).

Isso porque relatos de testemunhas mostram que Moon, chamado de ‘Coreia’ por amigos, não foi preso imediatamente após a chegada da PM à avenida Ernesto Geisel, chegou a discutir com as vítimas sobreviventes e só foi à Decap (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) da região central, onde o caso foi registrado inicialmente, por conta própria, após passar pela 5ª Companhia da PM, na região central, acompanhado de advogado e representantes da PRF.


“Assim que ele foi me apresentado ficou nas dependências da Depac Centro e depois de homologada a prisão dele (em flagrante) pelo juiz foi levada para uma das celas do Garras (Delegacia Especializada e Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros). A gente trabalhou o que foi apresentado”, disse o delegado João Eduardo Davanço, responsável pela prisão de ‘Coreia’ no dia (o PRF ganharia a liberdade provisória horas depois).


Atendendo ao pedido do MPE, a Corregedoria da Polícia Militar e a Sejusp abriram inquérito para investigar se houve ou não favorecimento por parte dos PMs que atenderam a ocorrência. A Corporação não se manifesta sobre o assunto.


Pelo menos um dos delegados que participou da coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (17), Enilton Zalla, que foi ao local do crime após ser acionado, revelou que questionou os policiais militares sobre a ausência de Moon. “Contaram que o levaram à sede da Companhia por motivos de segurança, já que chegaram familiares das vítimas”, disse.


Para o delegado, a análise dos fatos é confusa. “Se tratava de um caso muito complexo. A Polícia Militar ficou o tempo inteiro comigo para verificar qual seria essa decisão preliminar. Não posso falar que a PM deu voz de prisão, porque precisava da interpretação pericial e do delegado de polícia”, avaliou.


Responsável pela apuração do caso, Daniela Kades também faz avaliação de que não houve favorecimento. E diz que ‘Coreia’ não foi algemado durante as quase duas horas que prestou depoimento na Depac Centro “porque não oferecia perigo.” “Somente acusados que ofereçam resistência podem ser algemados. Algemá-lo poderia até caracterizar abuso de autoridade”, disse.

O Caso – Moon permanecerá na carceragem na sede do Garras (Delegacia Especializada e Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros), onde está preso desde o último dia 5, quando a Justiça voltou a trás de sua própria decisão inicial de conceder liberdade provisória ao acusado no dia ocorrido e acatou o pedido de prisão preventiva feito pelo MPE.

O ato virou motivo de discórdia entre a Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul e a Justiça, com troca de desabafos por meio de notas oficiais das associações correspondentes.

Conforme foi recapitulado pela perícia em reconstituição realizada no último dia 11, Ricardo Hyun Su Moon conduzia sua Mitsubishi Pajero prata naquela manhã em sentido à rodoviária, onde embarcaria para Corumbá (a 419 km de Campo Grande), seu posto de trabalho na PRF. Após uma suposta briga de trânsito, ele atirou sete vezes contra a Hilux branca do empresário.

Nascimento, dono de dois restaurantes japoneses na cidade, morreu na hora, perdeu o controle do veículo e bateu em um poste. Um jovem de 17 anos que o acompanha foi baleado nas pernas. Outro acompanhante no veículo, um supervisor comercial, de 48, quebrou o braço esquerdo e sofreu escoriações com a batida. Ambos foram socorridos conscientes.

Em seu depoimento, Moon disse que agiu em legítima defesa. Afirmou que as vítimas não o obedeceram mesmo após ele se identificar como policial, que tentaram lhe atropelar ao fugir dele e que viu um objeto escuro que poderia ser uma arma na mão de uma das vítimas. Repetiu a alegação durante a reconstituição e foi confrontado pelas duas testemunhas sobreviventes.

O advogado de ‘Coreia’, Renê Siuf, disse ao Campo Grande News que ainda não teria tido acesso à acusação formal da Polícia Civil, que está em São Paulo (SP) e se integraria sobre o caso apenas na próxima quinta-feira (19).

A polícia revelou nesta manhã que o PRF fez três ligações ao Ciops (Centro Integrado de Operações de Segurança), pedindo reforço, a presença do Batalhão de Trânsito e um bafômetro. Não se sabe, no entanto, o que de fato o motivou a fazer os sete disparos.

O MPE terá agora 15 dias para formalizar a denúncia de Moon à Justiça. Segundo a polícia, alguns laudos, como o da própria reconstituição, serão anexados posteriormente ao inquérito.

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