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Capital

Por medo ou conscientização, população mostra que não é tão difícil usar máscara

Há quem ainda resista ao uso da máscara, mas já se resignou por acreditar que seja uma das principais armas contra a covid-19

Por Silvia Frias e Bruna Marques | 05/06/2020 09:58
Com obrigatoriedade do uso de máscara em vários locais, população precisou de adaptar (Foto: Henrique Kawaminami)
Com obrigatoriedade do uso de máscara em vários locais, população precisou de adaptar (Foto: Henrique Kawaminami)

O uso de máscara em Campo Grande não é obrigatório nas ruas, mas é medida exigida dentro dos estabelecimentos comerciais e órgãos públicos. Gostando ou não, a população teve que se adaptar às mudanças e muitos dizem que conseguiram incorporar o hábito, seja por medo ou pela consciência da proteção contra o novo coronavírus (covid-19).

No dia 20 de abril, a prefeitura de Campo Grande chegou a decretar o uso obrigatório de máscara mesmo na rua, mas, voltou atrás e tornou a medida como recomendação. Em maio, nova determinação estabeleceu que o equipamento é exigência no transporte coletivo, nas repartições públicas e nos estabelecimentos comerciais.

Maria ainda luta para se adaptar, por causa dos óculos (Foto: Henrique Kawaminami)
Maria ainda luta para se adaptar, por causa dos óculos (Foto: Henrique Kawaminami)

A cabeleireira Maria Santana Araújo, 54 anos, trabalha em salão no centro da cidade e é obrigada a usar a máscara durante todo o dia. Ela usa óculos e ainda não encontrou o jeitinho de evitar que as lentes embacem. Mesmo com o problema, diz que já se acostumou, até por questão de saúde. Maria é hipertensa e tem diabetes e, por isso, prefere não se arriscar. “No começo tirava toda hora, mas agora já acostumei, mesmo embaçando óculos”. Estoque não falta, pois ela confecciona e vende a proteção.

O uso dos óculos é o motivo para a balconista Silvana Souza, 50 anos, ainda não ter se adaptado completamente ao uso da máscara. “Eu que dependo do transporte público, sofro bastante, tenho que sair com bolsa, sacola e essa máscara ainda”, diz, explicando que o embaçamento das lentes é constante. Apesar de não gostar, estava com a máscara.

Já a professora de Educação Física Lidiane Lira, 35 anos, diz que a adaptação é mais fácil,

Lidiane diz quase não sai de casa (Foto: Henrique Kawaminami)
Lidiane diz quase não sai de casa (Foto: Henrique Kawaminami)

até porque quase não sai de casa. De licença desde que as aulas foram suspensas, passa o dia em casa. Hoje teve que ir ao centro da cidade para consulta no dentista. Na bolsa, levava máscara reserva, conforme orientação das autoridades sanitárias. Em casa, ainda tem mais duas para emergência.

Amanda Flores, 24 anos, também disse que pouco sai de casa, mas hoje foi a uma entrevista de emprego. O marido é mecânico e tem o maior número de máscaras na casa, 4 no total. Ela tem duas e deixou outras duas para o filho pequeno, de apenas dois anos. O EPI (Equipamento de Proteção Individual) foi tão incorporado na família que a criança pede a máscara quando vê o pai colocando a proteção antes de ir para o trabalho.  “Não atrapalha em nada”.

O aposentado Jaime Antonio Barbosa Filho, 70 anos, diz que nem se incomoda mais, até por saber da necessidade de se cuidar. “Eu tenho tudo que velho tem”, listando pressão alta, artrose e artrite entre as doenças. Foi ao centro para pagar algumas contas. “Sei que sou do grupo e risco, é necessário me cuidar e é uma forma de não contaminar o próximo”.

Hoje, dia em que muita gente já está com salário na conta, as ruas do centro estavam movimentadas e, muita gente, sem máscara. Entre os idosos, a reportagem constatou que a maioria usava a proteção. O uso, aliás, pode se tornar obrigatório em todo o País, depois que projeto foi aprovado no Senado. Como o texto original sofreu modificações, ainda volta para nova votação na Câmara.

Nas ruas, há quem ainda não aderiu ao uso da máscara (Foto: Henrique Kawaminami)
Nas ruas, há quem ainda não aderiu ao uso da máscara (Foto: Henrique Kawaminami)