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Capital

Coleta seletiva na Capital atinge 49% de adesão, mas tem problemas estruturais

Situação de barracões no Parque do Lageado expõe trabalhadores a risco e dá prejuízo financeiro

Por Cassia Modena | 26/02/2026 12:45
Coleta seletiva na Capital atinge 49% de adesão, mas tem problemas estruturais
Cobertura alta e insuficiente deixa material coletado exposto ao tempo (Foto: Reprodução/MPMS)

Na última semana, dois procedimentos administrativos foram abertos pelo MPMS (Ministério Público Estadual) para avaliar como a Solurb, concessionária dos serviços de limpeza urbana em Campo Grande, tem gerenciado a adesão da população à coleta seletiva e as condições para a separação do material coletado. Segundo estudo apresentado pela empresa este ano, pouco menos da metade das casas e condomínios que têm acesso ao serviço deixam o lixo separado.

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A coleta seletiva em Campo Grande atingiu 49% de adesão, mas enfrenta desafios estruturais. O Ministério Público Estadual abriu dois procedimentos para avaliar a gestão da Solurb, concessionária responsável pelo serviço. Um deles aponta problemas em três dos sete barracões da Unidade de Triagem de Resíduos, onde trabalhadores cooperados lidam com condições precárias, como tetos altos e drenagem ineficiente, especialmente em dias chuvosos, o que compromete a segurança e a eficiência do trabalho. O segundo procedimento acompanha as ações educativas da Solurb para aumentar a adesão à coleta seletiva. Apesar do crescimento desde 2018, fatores como a pandemia e a ação de atravessadores, que coletam lixo antes do caminhão oficial, impactaram os índices. A empresa promove campanhas em redes sociais e palestras para conscientizar a população, mas ainda não se manifestou sobre os procedimentos abertos pelo MPMS.

O primeiro procedimento diz respeito à situação de três dos sete barracões instalados na UTR (Unidade de Triagem de Resíduos) da empresa no Parque Lageado. Vistoria realizada em 3 de fevereiro deste ano mostrou que tetos altos, estrutura aberta e drenagem ineficiente estão expondo trabalhadores de cooperativas a risco e levando à perda de materiais que poderiam estar gerando renda. Isso ocorre principalmente em períodos chuvosos.

Já o segundo servirá para acompanhar as ações de educação que a Solurb realiza para aumentar o índice de adesão ao serviço de coleta seletiva em casas e condomínios.

Molhados e com medo de choque - A vistoria técnica do MPMS foi pedida pelo promotor de Justiça, Luciano Loubet. Ela constatou que "a UTR apresenta algumas estruturas muito altas e abertas, o que expõe diretamente o ambiente de trabalho à ação do sol intenso e das chuvas".

Além disso, quando chove muito, "a água da chuva atinge alguns barracões, molhando os materiais armazenados e inviabilizando a continuidade das atividades operacionais", continua o texto de relatório anexo ao procedimento administrativo.

Como há esteiras e outros maquinários elétricos no local, por mais que não haja fios desencapados, os trabalhadores temem choques. Eles chegam a faltar em dias chuvosos por não haver condições adequadas para o trabalho.

"Foi relatado pela presidente da Cooperativa Novo Horizonte, sra. Hirlane, que os colaboradores trabalham com medo, uma vez que realizam serviços com as máquinas alimentadas com energia, com os pés na água, causando insegurança e com receio de choques elétricos", diz outro trecho do documento.

A indicação é de melhorias. "Necessita urgentemente de melhorias estruturais e operacionais, especialmente quanto à cobertura, vedação lateral, sistema de drenagem e adequação do ambiente para uso seguro de maquinarias, garantindo condições dignas e seguras de trabalho aos cooperados", finaliza o relatório.

Coleta seletiva na Capital atinge 49% de adesão, mas tem problemas estruturais
Área de barrecão alagada em dia chuvoso na Capital (Foto: Reprodução/MPMS)

Em 25 de fevereiro, o MPMS enviou notificação para que a Solurb se manifeste sobre o caso no prazo de 15 dias.

Quase a metade - Estudo feito pela Solurb abre o segundo procedimento administrativo. Ele revela que 49,77% dos imóveis com acesso ao serviço estão separando o lixo reciclável e colocando nas calçadas para ser recolhido. Foram avaliados 161.026 imóveis entre 1º e 21 de janeiro para essa análise.

A adesão evoluiu desde 2018, ano seguinte ao da audiência em que a empresa se comprometeu a acompanhar periodicamente a participação da população e desenvolver ações educacionais sobre reciclagem. O período inicial registrou 13,59% de adesão.

Ainda de acordo com a avaliação, a pandemia de covid-19 e "atravessadores", pessoas que coletam o lixo das calçadas antes de o caminhão passar e recolher, interferiram no crescimento dos índices. A empresa também apresentou resultados de campanhas em redes sociais, palestras e ações presenciais que ajudam a conscientização.

A Solurb informou à reportagem que não irá se manifestar sobre os dois assuntos por ainda não ter conhecimento dos procedimentos.

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