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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

19/10/2012 20:46

Por quê a culpa sempre cai na mãe em casos de abandono de criança?

Elverson Cardozo
O maior problema, explicou a juíza Katy Braun, é lidar com casos em que a parternidade é desconhecida. (Foto: Minamar Junior)O maior problema, explicou a juíza Katy Braun, é lidar com casos em que a parternidade é desconhecida. (Foto: Minamar Junior)

Aos 19 anos, ela ficou grávida. Nesta semana, quatro anos e seis meses depois de a criança nascer, ficou conhecida como a mãe que abandonou o filho sozinho por cinco dias para trabalhar como prostituta, enquanto a criança só tinha mangas para comer. O pai, nesta história, ninguém sabe, e ninguém procurou, realidade mais do que comum em casos de abandono de criança.

O menino nem sabe quem é ele. Na certidão de nascimento, o registro foi feito apenas no nome mãe. Responsabilizar o pai, neste caso, é praticamente impossível. Está aí o principal desafio da justiça em casos do tipo.

Para a juíza Katy Braun, da Vara da Infância, Juventude e do Idoso, em Campo Grande, assim como a mãe, o pai pode ser responsabilizado e de duas formas: com a perda do poder familiar - a guarda do filho - ou por ações movidas contra ele, pelos próprios filhos, que podem entrar, no futuro, com pedido de danos morais por falta de amparo e assistência, situação que está se tornando cada vez mais constante.

Mas quando não há reconhecimento de paternidade, não há como penalizar o pai, explicou. É o caso da mãe que abandonou o filho no bairro Concórdia. Quando ficou grávida, o pai do menino não aceitou a criança e foi embora sem deixar notícias.

Para a jovem, que teve de criar o garoto sozinho, muita gente, na hora de julgar, esquece do pai. “Para a sociedade o filho é só da mãe, que dá a luz, amamenta, que leva, passa e cozinha”, disse. “Eu errei, reconheço. Pisei na bola feio, mas é porque eu nunca gostei de pedir favores”, completou.

Para Naura Clivia, psicóloga do TJ-MS, a cobrança em cima da mãe é cultural. (Foto: Minamar Junior)Para Naura Clivia, psicóloga do TJ-MS, a cobrança em cima da mãe é cultural. (Foto: Minamar Junior)

A pressão social em cima das mães que apresentam desvio de conduta é uma realidade que chama a atenção. Nesse cenário, o pai surge apenas como reprodutor. A mulher, na avaliação da juíza Katy Braun, ainda carrega o peso de ser a dona de casa que cuida dos filhos e por isso o parceiro acaba sendo “protegido”, mesmo quando a responsabilidade cai sobre ele.

Voluntária do projeto Padrinho, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, advogada Adriana de Oliveira Melo, de 31 anos, vê todos os dias, na prática da profissão, a ausência de responsabilização em cima dos homens.

Na grande maioria dos casos, afirmou, a paternidade é desconhecida, o que torna a situação ainda mais complicada. “O ônus social é da mãe", resume.

“O ônus social é da mãe”, disse a advogada Adriana de Oliveira. (Foto: Minamar Junior)“O ônus social é da mãe”, disse a advogada Adriana de Oliveira. (Foto: Minamar Junior)

"Ela fica com a responsabilidade”, ressaltou, acrescentando que, mesmo ciente dos direitos e da divisão da responsabilidade com o parceiro, a mulher assume a culpa. “O homem não é tocado pelo cordão umbilical como somos”, exemplificou.

Psicóloga do TJ-MS, Naura Clivia, de 40 anos, acredita que a questão, além do laço afetivo, é cultural. Aos olhos da sociedade, a mãe sempre foi a responsável e, por conta dessa cobrança, acaba aceitando sozinha, sem questionar, o peso do compromisso. “Eu percebo que elas pegam para elas”, relatou.

Mas essa situação caminha para uma mudança, acredita. "O que falta é conhecimento", disse. Adriana de Oliveira também acredita em um novo comportamento. Para a advogada, o primeiro passo seria trazer o assunto à tona, pela mídia, de forma lúdica, utilizando o alcance que novelas, minisséries e seriados têm, por exemplo. “Atinge muito mais pessoas dessa forma”, ressaltou.

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Continuando....
Filhos nos trazem juventude, nos faz ser criança novamente, o sorriso de um filho, o amor que eles sentem pelos pais não tem preço. A melhor coisa num final de dia depois de voltar do trabalho é ser recebida com aquele sorriso, aquele abraço gostoso e verdadeiro que só um filho pode dar. Quem perde isso, tá perdendo todo um amor verdadeiro e sem interesses.
 
Edinalva Garcia em 20/10/2012 10:58:19
"Acreditamos em nosso imaginário que tal amor seja algo natural. Algo que nasce com as mulheres, verdadeiro apanágio feminino. Fala-se até de “instinto materno”. E coitadas daquelas que não o têm! Sofrem um certo preconceito, pois falta-lhes qualquer coisa de fundamental!" O MITO DO AMOR MATERNO, Elizabeth Badinter, seria uma boa leitura para acabar com o preconceito contra mulheres mães ou não.
 
Ana Cristina Piccini em 20/10/2012 10:51:49
Li vários comentários aqui, cada um pense da forma que bem entender sobre o assunto, porém, fico indignada de ver como a mulher é julgada e condenada sem ao menos poder se defender e o pior de tudo é que a maioria que julga são as próprias mulheres, não existe uma união entre nós, mulheres. E isso se dá não só nesta questão como em muitas outras. Achar que quem tem obrigação é somente a mãe é de muita ignorância. Sou divorciada e tenho duas filhas pequenas, crianças ainda. Exigi guarda compartilhada para que o pai tivesse as mesmas obrigações que eu, para que minhas filhas pudessem continuar tendo o convívio diário com o pai, estamos separados e graças à Deus temos uma boa relação por conta disso. E outra coisa, filho não é só obrigação, eles nos trazem a alegria de viver, continua...
 
Edinalva Garcia em 20/10/2012 10:46:37
de repente o pai dessa criança não sabe que ele existe, porque ele está registado só com o nome da mãe, até nisso ela foi ingrata, a criança um inocente crescendo sem ter a noçao de quem é o pai dele, é bom conversar com ela pra saber quem é o pai dessa criança inocente, com certeza ela deve ter pelo menos noção de quem é, pra fazer o DNA.
 
marilza santos em 20/10/2012 10:20:11
bom, enquanto as pessoas transferirem suas responsabilidades nada mudará, temos que cada um assumir seus atos e pronto.
 
DEBORA FRANCISCA ORTIZ PAIVA em 20/10/2012 10:05:48
tb acho que tem que penalizar o pai sim com certeza, mas nos mae a partir do momento que ficamos gravida e nascemos mulher temos a responsabilidade e a carisma peço a Deus tdos os dias por essas crianças eu sei pq vivo nos presidios e unei fazendo serviços e vejo em que situaçao chegamos hoje, tenho tres filhos criei sozinha 30/27 e 8 aninhos trabalho dia e noite mas sempre com Deus na minha frente falta hoje amanha Deus supre, menina fica com Deus, o dinheiro facil hoje, quando chegar nos 40 anos tera ou talvez nao seu filho e ai, compensa ser caixa sim e outra coisa.Deus vai te abençoar, sendo certa, esses homens podres que usam vc, larga disso. fica com Deus
 
ESTER REIS em 20/10/2012 09:49:48
A MÃE SEMPRE ESTARÁ ERRADA, PORQUE ELA É QUEM RECEBE O ESPERMATOZOIDE, PORQUÊ, PRIMEIRO, NÃO RESPEITOU DEUS, FAZ SEXO SEM CASAR, SEM RESPONSABILIDADE, POR PAIXÃO, EMOÇÃO, POR VAIDADE, MARIA VAI COM AS OUTRAS, SEM PREVENTIVO NENHUM, E A LEI DE DEUS DIZ, NÃO FAZEIS O SEXO ANTES DO CASAMENTO LEGAL, IGREJA E CARTÓRIOS, PARA QUE SEJA CONHECIDOS OS RESPONSÁVEIS DE TUDO DO AMANHÃ, PRINCIPALMENTE UM FILHO, DESRESPEITAM A LEI DE DEUS, LEI DA TERRA, E DEPOIS MEU, É SÓ CULPA, E A LEI DE DEUS DIZ, QUE O MAL, USA A MÃE OU O PAI, PARA JUDIAR DOS FILHOS OU VICE VERSO, A LEI DA TERRA DESRESPEITOU A LEI DE DEUS, INTRODUZIU O DESQUITE, DIVÓRCIO, APOIOU A PROSTITUIÇÃO, A PROCRIAÇÃO SEM BASE, E QUEM É A MAIOR VÍTIMA, FILHOS E MÃES, FILHOS PAGAM POR ERROS DOS PAIS, PORTANTO, VOLTEM NA PALAVRA DE DEUS, RESPEITE
 
pedro braga em 20/10/2012 08:47:42
Respondendo a indagação de JÚLIA PRATES, "NÃO, NEM CONHEÇO TAL PESSOA". Entretanto, como bem sintetizou o leitor RUI SCHILDT, é comum vermos as mulheres sendo sempre colocadas na condição de "vítimas" em tudo. O fato é que isso parece ser da própria natureza feminina, pois logo aparecem várias outras mulheres para defendê-la e dar-lhe razão(ou pelo menos tentam justificar sua conduta). Cada um tem sua quota de direitos e responsabilidaes quanto aos filhos. O que não é aceitável é afirmar que "a culpa SEMPRE cai na MÃE", como é o título da matéria. Apenas quis mostrar que quando a questão é outra(no caso, o exemplo da pensão alimentícia), as pessoas logo associam a "culpa" ao homem. Resultado do paradigma "mãe cuida e pai sustenta". Por fim, concordo com a leitora RITA DE CÁSSIA.
 
Paulo Alfredo Ocampos em 20/10/2012 08:33:19
SENHOR PAULO AFREDO..... o que tem a ver seu comentário com a repotagem em questão? Por acaso é o senhor o ex marido que entrou na justiça contra a mãe por pensão alimentícia?????
 
julia prates em 19/10/2012 23:48:40
Vivemos num mundo que se chama: Olho por olho e dente por dente. Só quem passa por uma situação parecido que sabe a dor que essa pobre mãe está passando, ver o filho dizendo o tempo todo que sente fome, e o que temos "mangas" somente. Precisa arrumar dinheiro rápido, pois ninguém ajuda.... o que resta prostituição.... E agora? O filho fica sem ver a mãe, fica sabendo de tudo o que houve.... e a justiça não sabe o que fazer? E assim é a vida....Só Deus pra ter dó mesmo.
 
paulo cesar em 19/10/2012 22:26:16
Concordo com o Paulo Alfredo Ocampos. As mulheres gostam de ser sempre as vítimas; quando se divorciam são as coitadinhas que dependem do marido e precisam de pensão. Isso sem contar que nessas horas, convenientemente, elas dizem que a mãe é muito mais importante para os filhos do que o pai, e sempre ficam com a guarda da criança. Agora, quando fazem besteira com a criança, mudam de ideia e querem dizer que são coitadas pq não tinham o pai junto (lembrando que a maioria esmagadora dos casos de alienação parental é praticada por mulheres que tentam afastar os filhos dos pais).

Tá certo que tem cara que vaza e larga a mulher grávida, mas isso não dá direito à mulher de tratar a criança com descaso.
 
Rui Schildt em 19/10/2012 22:04:44
Pode-se formalizar uma lei obrigando todo homem que engravidar a namorada, ou qualquer mulher , que não queira assumir o filho fica procurado pela polícia enquanto viver .Não é possível que nós mulheres sempre temos que tentar corrigir sozinha um erro cometido a dois . Acreditamos em quem ignora nossos sentimentos , enquanto queremos amor eles querem prazer e se por um descuido acontece uma gravidez ,muitas ouve: se vira relaxada o problema é seu .E sempre de cabeças baixas vão levando a culpa ,até quando? Que políticos de hoje vejam com mais responsabilidade essa questão,porque trata-se de vidas . Uma pena eu ser muito idosa para voltar as cadeiras escolares seria uma Luislinda de Valois .E ia tratar não só da questão racial ,como esta com prioridade .
 
Irinete de Oliveira em 19/10/2012 22:01:03
Na verdade, pelo que sabemos, a pessoa que detém a guarda da criança, seja ela pai ou mãe, tem a obrigação de proteção e cuidado. Se o pai e a mãe exercem em plenitude de igualdade esse direito/dever, vai depender de quem estava na companhia do incapaz por ocasião do abandono. Não dá pra querer responsabilizar um ou outro só pelo fato de ser pai ou mãe, tem que ser verificado caso a caso.
 
Rita de Cássia em 19/10/2012 21:55:28
Está muito banalizado essa questão de filhos sem pai, isso é grave, tem sim que responsabilizar, é muito fácil culpar só a mãe, mas pai tem a mesma parcela de culpa,ainda maior, pq a mãe de um jeito ou de outro cuida, com ou sem recursos, e pai? Some no mundo, não tem conhecimento nenhum de como está seu filho.
 
Caroline Mena em 19/10/2012 21:11:58
Assim como as mulheres "sentem o peso" nos casos de Abandono de Incapaz, os homens são sempre os "culpados" no casos de separação quando a questão é a PENSÃO ALIMENTÍCIA. Há uns dois ou três anos, quando a mídia veículou a notícia de que uma MÃE havia sido presa por dívida de pensão akimentícia, houve ma "revolução social" e um certo programa de TV até pagou Advogado para livrá-la da cadeia. E aí???
 
Paulo Alfredo Ocampos em 19/10/2012 21:02:23
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