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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

28/11/2014 11:58

Prefeitura cadastra moradores, mas famílias não querem deixar favela

Ludyney Moura e Paulo Fernandes
Morador reclama da falta de energia na favela Cidade de Deus (Fotos: Pedro Peralta)Morador reclama da falta de energia na favela Cidade de Deus (Fotos: Pedro Peralta)
Prefeitura vai visitar um por um dos cerca de 500 barracos do local Prefeitura vai visitar um por um dos cerca de 500 barracos do local
Funcionário da Emha estão marcando os locais sem moradores Funcionário da Emha estão marcando os locais sem moradores

Dezenas de funcionários da Emha (Agência Municipal de Habitação) estão desde o começo da manhã desta sexta-feira (28) colhendo informações dos moradores da favela Cidade de Deus, no Bairro Dom Antônio Barbosa, região sul da Capital. Muitos barracos vazios foram encontrados no local pelos funcionários.

A intenção da Prefeitura é levar os moradores para outra localidade. “Em muitas dessas casas só encontramos materiais reciclados, entulhos e ele disse muitos barracos são usados somente como depósito e outros só estão mantendo para segurar a posse”, disse o diretor adjunto da Emha, Enéas Netto.

Os moradores da favela que trabalham no lixão não querem a remoção para outro lugar. A Emha pretende passar pelos cerca de 550 barracos da favela, e está coletando informações pessoais e cadastro tanto no município quanto nos programas sociais dos governos federal e estadual.

A Prefeitura está prometendo entrar em contato com os moradores sobre o destino das famílias. A comunidade também tem reclamado da falta de energia na favela desde que a administração retirou os geradores do bairro.

“Está complicado morar aqui pela falta de energia”, conta Wilian Rodrigues Miranda, 29 anos, catador de materiais recicláveis, que morava com a esposa, duas crianças recém-nascidas e um menino de quatro anos no barraco.

Sem luz, ele foi obrigado a deixar a mulher e os filhos na casa da sogra, que mora no Jardim Centenário. Wilian também não quer deixar a região, já que obtém seu sustento e de sua família daquilo que consegue reciclar no lixão.

Apesar de não ser um dos catadores do lixão, Luis Henrique Batista, de 24 anos, também trabalha com reciclagem. Ele e a esposa estão há cinco dias sem luz, e contam que não tem como manter nada na geladeira e por isso estão comendo só arroz e feijão. “Eu não gostaria de me mudar da daqui”, diz.

“Só aceito se não tiver opção”, revela o pintor João Rosa de Souza, 47 anos, que mora há 2 anos e 2 meses na favela. Diferente de boa parte de seus vizinhos, ele não vive da reciclagem de materiais retirados do lixão, e conta que melhorou de vida desde que se mudou de seu antigo bairro, o Taquarussu, para a favela.

“Eu cheguei aqui andando de bicicleta e agora já consegui comprar um carrinho velho para carregar as minhas coisas. No Taquarussu as pessoas são ricas, mas não pagam bem, e aqui são pobres e pagam”, diz João.



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