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Capital

Prefeitura desiste do Chácara Cachoeira e novo hospital vai para periferia

Secretário de Saúde informou que já identificou um terreno, mas avalia outros imóveis públicos

Por Maristela Brunetto | 19/08/2026 11:14


RESUMO

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A Prefeitura de Campo Grande desistiu de construir o hospital municipal no bairro Chacara Cachoeira apos falhas em licitacoes no modelo built to suit. O secretario de saude, Marcelo Vilela, busca agora uma nova area periferica para facilitar o acesso da populacao e estuda adotar uma parceria publico privada. O objetivo e reduzir a dependencia da Santa Casa e ampliar a rede propria de atendimento. A expectativa e que o projeto estruturado seja anunciado ate o inicio de 2027.

Depois de duas tentativas frustradas de selecionar uma empresa para construir um prédio e alugá-lo para funcionamento de um hospital municipal, a Prefeitura de Campo Grande desistiu do bairro Chácara Cachoeira. A administração agora busca uma nova área e estuda outro modelo de contratação para tirar o projeto do papel.

A Prefeitura havia apostado no chamado built to suit, modelo em que uma empresa constrói o imóvel sob medida e o aluga ao poder público. As duas licitações, porém, não tiveram sucesso. O secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, que já havia demonstrado insatisfação com a localização escolhida, afirmou que a possibilidade de construir no Chácara Cachoeira está superada.

A nova forma de contratação ainda está em análise. Vilela considera adequada a possibilidade de uma PPP (parceria público-privada), com uma empresa responsável pela construção e operação da estrutura e que receberá remuneração do poder público, em um modelo semelhante ao que o Estado adotou no Hospital Regional de Campo Grande.

O secretário falou sobre o assunto nesta manhã, durante entrevista ao podcast Na Íntegra, do Campo Grande News. Na conversa, também abordou mutirões para acelerar consultas com especialistas e cirurgias e ações desenvolvidas em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio da bancada federal.

A crise da Santa Casa também entrou na discussão. Para Vilela, a situação recorrente do hospital reforça a necessidade de uma unidade municipal própria, que reduza a dependência da principal estrutura hospitalar do Estado.

“Eu não vejo a hora. Eu estou com muito sangue nos olhos, porque eu quero colocar esse hospital com projeto, começar essa construção... e sair dessa dependência da Santa Casa”, afirmou.

O secretário ressaltou que o futuro hospital será totalmente público, diferentemente da Santa Casa, que é uma instituição beneficente e privada, embora receba recursos públicos. Segundo ele, atualmente Campo Grande ainda depende da unidade para diversos atendimentos de alta complexidade.

A secretária municipal de Planejamento e Parcerias Estratégicas, Catiana Sabadin, também participa dos estudos para definir o modelo de contratação. Vilela disse esperar que o projeto esteja estruturado para ser anunciado até o começo de 2027 e que a iniciativa se conclua durante a atual gestão.

Segundo o secretário, houve inicialmente uma defesa da área escolhida no Chácara Cachoeira. Desde que assumiu o cargo, no início do ano, entretanto, ele passou a questionar a localização por considerar que o acesso seria difícil para quem mais depende da rede pública.

Até o perfil dos serviços existentes no entorno, segundo Vilela, estaria distante da realidade do público-alvo do hospital. O Chácara Cachoeira está entre os bairros de maior valorização imobiliária de Campo Grande.

Na avaliação do secretário, a nova unidade deve ficar próxima a uma das saídas da cidade e dos bairros periféricos, onde se concentra parcela da população que mais utiliza a rede pública de saúde.

Vilela não antecipou qual região é a preferida. Disse que analisa áreas nas saídas da cidade e imóveis públicos disponíveis, para evitar gastos com desapropriação. Segundo ele, já identificaram um terreno, mas outras opções continuam em avaliação. A ideia é identificar 3 a 4 áreas para a prefeita Adriane Lopes (PP) decidir.

A Prefeitura lançou duas licitações para o Hospital Municipal, ambas sem sucesso.

Vilela também relacionou a dificuldade de ampliar a rede própria à dependência dos serviços da Santa Casa, que enfrenta sucessivas crises e ameaças de restrição de atendimento. A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) conseguiu trazer a Campo Grande uma carreta do Ministério da Saúde para a realização temporária de exames de imagem  durante este mês e também firmou convênios com outros hospitais filantrópicos da Capital, ampliando em 89 o número de leitos destinados a internações e cirurgias.

Projeto de 2024

O projeto lançado em 2024 previa a contratação de uma empresa responsável pela construção, equipagem e manutenção estrutural do hospital no modelo built to suit. Nesse formato, a empresa ergueria o complexo e o poder público pagaria pelo uso ao longo do contrato. Segundo o edital, o valor mensal máximo estimado para a remuneração seria de R$ 5.142.403,37 durante 240 meses, o equivalente a 20 anos.