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Capital

Presidente da Santa Casa comprou casa de R$ 400 mil com dinheiro vivo

Gecoc também aponta compras de imóveis por sócio e relaciona evolução patrimonial a contratos da Santa Casa

Por Ângela Kempfer | 14/09/2026 08:18
Presidente da Santa Casa comprou casa de R$ 400 mil com dinheiro vivo
Presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, em entrevista no ano passado (Foto: Arquivo)

A investigação sobre contratos e pagamentos da Santa Casa de Campo Grande e da Operadora Santa Casa Saúde identificou quatro aquisições imobiliárias consideradas relevantes pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção). Duas foram feitas pela então presidente da instituição, Alir Terra Lima, e outras duas pelo advogado Paulo da Cruz Duarte e sua esposa.

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Alir Terra Lima, ex-presidente da Santa Casa de Campo Grande, presa na última sexta-feira, comprou um imóvel por R$ 400 mil em espécie em janeiro de 2025, segundo relatório do Gecoc. Paulo da Cruz Duarte, apontado como seu sócio, adquiriu dois apartamentos em 2023 e 2025, também com pagamentos em dinheiro. O grupo investiga contratos e pagamentos suspeitos entre a Santa Casa e a Operadora Santa Casa Saúde.

As compras somam R$ 1,87 milhão em valores declarados nas escrituras. O relatório relaciona a análise patrimonial ao período das contratações investigadas, mas uma das aquisições de Alir ocorreu em 2021, quase dois anos antes de ela assumir a presidência da Santa Casa, em fevereiro de 2023.

A compra mais recente atribuída a Alir ocorreu em 24 de janeiro de 2025, em transação com dinheiro vivo, o que chamou a atenção dos investigadores. Ela adquiriu um imóvel residencial na Rua João Pessoa, em Campo Grande, por R$ 400 mil. Conforme a escritura citada pelo Gecoc, o valor foi “pago no ato, em espécie da moeda corrente nacional”.

Essa operação ocorreu quando Alir já ocupava a presidência da Santa Casa e durante o período em que empresas ligadas a Paulo da Cruz Duarte mantinham contratos com a Operadora Santa Casa Saúde.

A outra aquisição de Alir identificada pelos investigadores é anterior à gestão dela no hospital. Em 27 de julho de 2021, a advogada comprou um imóvel residencial na Rua Luciana, em Campo Grande, pelo valor declarado de R$ 450 mil.

Nesse caso, o pagamento foi feito por meio de três transferências bancárias, nos valores de R$ 22,5 mil, R$ 31,5 mil e R$ 396 mil, conforme a escritura analisada pelo Gecoc.

Por ter ocorrido antes de Alir chegar à presidência da Santa Casa, essa compra não é apresentada no relatório como uma aquisição realizada durante a gestão investigada. Ela aparece no levantamento patrimonial usado pelo Ministério Público para traçar a evolução dos bens dos envolvidos ao longo do período analisado.

Apartamentos de Paulo

O relatório também detalha duas aquisições realizadas por Paulo da Cruz Duarte e sua esposa.

A primeira ocorreu em junho de 2023, poucos meses depois de Alir assumir a presidência da Santa Casa. O casal adquiriu um apartamento no Edifício Pernambuco, na Rua Pernambuco, por R$ 350 mil, além de duas vagas de garagem.

Segundo o documento, o valor foi integralmente pago em moeda corrente nacional. A compra ocorreu meses depois da constituição da Duarte Soluções Creditícias Ltda., em fevereiro daquele ano, e pouco antes do primeiro contrato identificado entre empresa ligada a Paulo e a Santa Casa Saúde, firmado em agosto.

A segunda aquisição foi registrada em 20 de março de 2025. Paulo e a esposa compraram um apartamento no Edifício Tom Jobim, na Rua José Gomes Domingues, por R$ 670 mil, com três vagas de garagem.

O pagamento foi dividido em parcelas mensais de R$ 50 mil, além de prestações finais previstas para quitação do saldo.

O Gecoc destaca que essa segunda compra ocorreu no mesmo período em que empresas ligadas ao advogado recebiam alguns dos maiores pagamentos feitos pela Santa Casa Saúde. Entre março e dezembro de 2025, por exemplo, a Duarte Soluções Creditícias recebeu dez parcelas de R$ 557 mil, totalizando R$ 5,57 milhões, sob a rubrica de execução técnica para abertura de uma filial da operadora em Dourados.

Segundo a investigação, os documentos imobiliários analisados até agora não representam necessariamente a totalidade das operações patrimoniais dos envolvidos. O objetivo do levantamento é cruzar datas de aquisição de bens com a criação de empresas, assinatura de contratos e circulação de recursos investigados.

Alir Terra Lima está entre as seis pessoas presas preventivamente na operação. Paulo da Cruz Duarte não foi preso, mas teve o afastamento das funções na Santa Casa e na Operadora Santa Casa Saúde determinado pela Justiça, além de ficar proibido de acessar as dependências das instituições enquanto durar a medida cautelar.