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Capital

Preso, Bernal pede celulares de volta e família de vítima se opõe

Defesa do ex-prefeito diz que telefones são essenciais para que ele receba pagamentos

Por Anahi Zurutuza | 06/04/2026 19:11
Preso, Bernal pede celulares de volta e família de vítima se opõe
Bernal meche no celular após atirar em fiscal tributário (Foto: Câmera de segurança/Reprodução)

Preso desde o dia 24 de fevereiro por matar a tiros o fiscal tributário estadual, Roberto Carlos Mazzini, o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, foi à Justiça para tentar recuperar dois celulares. No pedido, o advogado dele, Gledson Alves de Souza, argumenta que os aparelhos foram comprados de forma lícita e que a família precisa do acesso a eles para “voltar ao trabalho”.

RESUMO

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Ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal, preso desde 24 de fevereiro por matar o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, tenta recuperar dois celulares apreendidos pela polícia. A defesa alega que os aparelhos contêm dados profissionais e foram entregues espontaneamente. A família da vítima é contra a devolução, argumentando que os telefones são essenciais para a investigação. O inquérito foi concluído com indiciamento por homicídio qualificado e porte ilegal de arma.

O defensor de Bernal explica que o cliente exercia regularmente a advocacia antes da prisão e que os celulares contêm dados de clientes e tratativas profissionais. “Somente com o acesso aos aparelhos será possível aos familiares dar continuidade às atividades profissionais do requerente, inclusive no tocante aos recebimentos pendentes”, esclarece.

Ele alega ainda que o ex-prefeito entregou os celulares espontaneamente à polícia, o que exclui qualquer indício de tentativa de ocultação de provas. O advogado pede então “imediata extração/perícia dos dados dos aparelhos” para que eles possam ser devolvidos.

A família da vítima é contra. Por meio de advogado que os representa, viúva e filhos argumentam que no momento do crime, Bernal usou os celulares pelo menos duas vezes e que a manutenção dos telefones com a polícia é importante para esclarecer os fatos. “a restituição ora pretendida é, no mínimo, deveras açodada e, ao fim e ao cabo, inviabilizam a persecução penal e a produção de provas”, contra-argumenta Tiago Martinho.

A investigação – O inquérito policial foi concluído e encaminhado à Justiça no dia 2 de abril. Segundo a Polícia Civil, Bernal atirou para matar Roberto Carlos, na tarde de 24 de março. O delegado Danilo Mansur manteve o enquadramento por homicídio qualificado, por recurso que dificultou a defesa da vítima, além de porte ilegal de arma de fogo, já que o registro do revólver calibre 38 e a autorização para porte estavam vencidos.

De acordo com a investigação, a vítima chegou ao imóvel acompanhada de um chaveiro e teve acesso à residência após a abertura do portão. Cerca de 40 minutos depois, Bernal chegou ao local, pegou um revólver na caminhonete e entrou no imóvel já com a arma em mãos. Em poucos segundos, após avançar em direção à área interna, efetuou o primeiro disparo.

A defesa sustenta que o ex-prefeito agiu para se proteger. Em interrogatório, Bernal afirmou que atirou após se sentir ameaçado. Já o relato do chaveiro e as imagens analisadas pela polícia indicam que a vítima não teve tempo de reagir, versão que diverge da apresentada pelo investigado.

Parte da dinâmica, no entanto, ainda depende de perícia. O laudo das imagens de segurança e exames complementares devem esclarecer pontos como a distância dos disparos e a sequência dos fatos.

Segundo o delegado, um relatório complementar será enviado à Justiça após a conclusão dessas análises.

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