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Capital

Quando o comércio achou que ia lucrar com o Reviva, veio o golpe da pandemia

Na reabertura das lojas nesta 2ª feira, comerciantes contam que foi preciso demitir e CDL alerta para baixo estoque

Por Aline dos Santos e Clayton Neves | 06/04/2020 12:41
Lojas reabriram as portas na Rua 14 de Julho, Centro de Campo Grande. (Foto: Kisie Ainoã)
Lojas reabriram as portas na Rua 14 de Julho, Centro de Campo Grande. (Foto: Kisie Ainoã)

A reabertura das lojas nesta segunda-feira (dia 6) na Rua 14 de Julho é cercada por mais desafios do que as regras sanitárias impostas pelo novo coronavírus.

O comércio ainda se recuperava do impacto do fechamento da via para revitalização, obra que foi de maio de 2018 a novembro do ano passado, e o aumento no valor do aluguel das lojas. Hoje, comerciantes contam que já foi preciso demitir e trabalham com uma perspectiva: os próximos dias serão de tensão.

“O comércio na 14 foi afetado por conta da reforma e nesses 15 dias de coronavírus a gente foi pego de surpresa. Estávamos desprevenidos e têm sido muito difícil pagar aluguel, funcionários. Precisamos demitir duas pessoas. Os próximos dias vão ser tensos”, afirma Kety Mota, proprietária da Mulato’s, loja de roupas na Rua 14 de Julho.

Gerente da Clan Color, loja de artigos para fotografias, Laura Cristina conta que dois funcionários estão de férias e um foi demitido. “Esse é mais um momento difícil que a gente está enfrentando. No período da obra, o movimento caiu em 40%. Antes do decreto fechando o comércio, já tinha caído 20%. Nessa semana vamos sentir o momento e ver se conseguimos ficar com o quadro de funcionários”, afirma a gerente.

"Precisamos demitir duas pessoas. Os próximos dias vão ser tensos", afirma Kety Mota. (Foto: Kisie Ainoã)
"Precisamos demitir duas pessoas. Os próximos dias vão ser tensos", afirma Kety Mota. (Foto: Kisie Ainoã)

“Ficou bem complicado, a gente já estava num momento em que os comerciantes estavam tentando recuperar o que perderam no período de reforma. Agora, vamos tentar correr atrás de novo”, afirma Roberto Nakasse, proprietário de ótica.

Ele conta que mantém todas as despesas na ponta do lápis e manteve uma reserva emergencial. “Não precisei demitir, graças a Deus”, afirma.

Conforme a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande), a estimativa é de perda de até 70 mil postos de trabalho na Capital. De acordo com o presidente da entidade, Adelaido Vila, eram 320 mil trabalhadores no varejo e a estimativa é que o quadro teve redução de 20%.

“A CDL prepara um planejamento de inserção digital e também algumas promoções na área central. Nossa grande preocupação é que o estoque está muito baixo, principalmente no vestuário e calçados”, afirma Adelaido.

A ACICG (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande) informou que não tem número de demissões. O comércio retomou a atividade com regras para manter o distanciamento entre as pessoas e horário reduzido:  das 9h às 16h30.

Proprietário de ótica, Roberto Nakasse traz as contas na ponta do lápis e conseguiu manter quadro de funcionários. (Foto: Kisie Ainoã)
Proprietário de ótica, Roberto Nakasse traz as contas na ponta do lápis e conseguiu manter quadro de funcionários. (Foto: Kisie Ainoã)