Rapaz foi baleado a 100 metros de onde irmã foi espancada até a morte há 1 ano
Família acredita que a mesma pessoa que matou mulher foi atrás do irmão dela neste domingo
Há cerca de 100 metros do local onde a irmã foi espancada até a morte há um ano e cinco meses, um rapaz foi baleado várias vezes na manhã deste domingo (15), no Bairro Estrela Dalva, em Campo Grande. Mesmo ferido, ele conseguiu pilotar a própria motocicleta até uma unidade de saúde em busca de socorro e está estável.
RESUMO
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Um jovem foi baleado na manhã de domingo (15) no Bairro Estrela Dalva, em Campo Grande, a cerca de 100 metros de onde sua irmã foi espancada até a morte há um ano e cinco meses. Mesmo ferido com cinco tiros, ele conseguiu pilotar sua motocicleta até uma unidade de saúde. A vítima, que trabalha como moto Uber, apontou como autor dos disparos um homem conhecido como Maicon, mesmo suspeito da morte de sua irmã, Patrícia Ramos Escafa. O rapaz passou por cirurgia, está em estado estável na Santa Casa e, segundo sua mãe, o ataque pode estar relacionado a um possível temor de vingança pela morte anterior.
O ataque aconteceu na Rua Bartolomeu Antônio da Silva Filho, esquina com a Rua Lídia Paulina Martins. Em frente à casa onde o rapaz foi baleado ainda ficaram marcas de tiros. A região fica próxima ao campo de futebol do Estrela Dalva, conhecido como “Buracanã”.
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Segundo relato de um vizinho, o barulho dos disparos acordou moradores da região. “Acordei com minha mulher gritando. A gente estava cochilando porque eu tinha trabalhado a noite inteira. Quando saímos, não tinha ninguém, só os vizinhos”, contou.
De acordo com o registro policial, a Polícia Militar foi acionada após a vítima dar entrada na UBS (Unidade Básica de Saúde) do Nova Bahia com ferimentos provocados por disparos de arma de fogo. Ao chegar ao local, os militares encontraram também uma equipe do Batalhão de Choque, que já havia iniciado diligências para localizar o suspeito.
O rapaz relatou aos policiais que trafegava de motocicleta quando foi surpreendido por um homem que efetuou diversos disparos em sua direção. Mesmo ferido, ele conseguiu conduzir a motocicleta Honda CG Titan até o pronto atendimento da unidade de saúde, onde pediu ajuda.
A médica responsável pelo atendimento informou à polícia que a vítima apresentava cinco perfurações por arma de fogo, atingindo a lateral esquerda das costas, abdômen, coxa direita, braço esquerdo e ombro esquerdo. Apesar da gravidade dos ferimentos, ele estava consciente, orientado e em estado estável, aguardando transferência para a Santa Casa para atendimento especializado.

Aos policiais, a vítima apontou como autor dos disparos um homem conhecido como Maicon. Segundo o relato, o suspeito já teria sido responsável pelo homicídio de sua irmã, Patrícia. Ele afirmou, no entanto, que não sabe o motivo do ataque.
A mãe das vítimas, de 58 anos, cuidadora de idosos, contou que o rapaz baleado é o filho caçula e trabalha como moto Uber. Na hora do ataque, ela estava em casa preparando o almoço quando ouviu os disparos. “Eu estava fazendo almoço e escutei os tiros, mas não imaginei que fosse meu filho”, relatou.
O desespero veio pouco depois, quando recebeu uma mensagem enviada do celular dele por uma funcionária da assistência social da unidade de saúde “Quando vi a mensagem eu apavorei”, disse. Ela passou a noite acompanhando o filho no hospital e saiu da unidade nesta segunda-feira (16). Segundo a mãe, o rapaz passou por cirurgia, está estável e conversando.
Para ela, o atentado pode estar ligado à morte da filha. “Ele [autor] voltou a aparecer e tentou matar meu filho. Acho que é por medo de meu filho se vingar pela morte da Patrícia”, afirmou. Apesar da suspeita, a mulher diz que a família nunca pensou em fazer justiça com as próprias mãos. “A gente não espera ter gente ruim assim. Nós não pensamos em fazer justiça com as próprias mãos”, declarou.
Hoje, é ela quem cria o filho de Patrícia, um menino de 10 anos.
A irmã do rapaz baleado, Patrícia Ramos Escafa, de 38 anos, morreu cinco dias após ser espancada com um pedaço de madeira, em outubro de 2024. O crime aconteceu em um bar na Avenida Senhor do Bonfim, no Bairro Estrela Dalva, em Campo Grande.
De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada por volta das 14h40 e encontrou Patrícia com sangue nos cabelos e lesões na cabeça, costas, braço e perna esquerda. Aos policiais, ela contou que havia sido agredida pela dona e por uma funcionária de uma conveniência na Rua Eulina Barbosa.
Os militares foram até o local, que estava fechado, mas foram atendidos pelo marido da autora. Ele confirmou que a mulher havia agredido Patrícia com um pedaço de madeira por causa de uma rixa antiga iniciada após uma briga entre os filhos das duas mulheres, que tinham 9 anos na época.
A suspeita, identificada como Elaine, de 32 anos, não foi encontrada no dia do crime. Segundo o marido, ela havia sido orientada pelo advogado a se apresentar posteriormente na delegacia.
Patrícia reclamava de dores fortes e foi levada à UPA Nova Bahia. Devido à gravidade dos ferimentos, acabou transferida para a Santa Casa, onde morreu dias depois.
Na época, o caso foi registrado como lesão corporal dolosa e homicídio simples. Agora, mais de um ano depois, a família volta a viver o medo na mesma região onde a filha perdeu a vida.
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