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Campo Grande, Sexta-feira, 26 de Maio de 2017

21/05/2011 08:30

Santa Casa abre concurso, mas poucos médicos se inscrevem

Ana Paula Carvalho

O hospital abriu 200 vagas, mas recebeu apenas 105 inscrições

Santa Casa abriu concurso para preencher déficit de médicos, mas não conseguiu completar vagas. (Foto: Arquivo)Santa Casa abriu concurso para preencher déficit de médicos, mas não conseguiu completar vagas. (Foto: Arquivo)

O maior hospital de Mato Grosso do Sul abriu concurso para contratar 200 médicos em 26 especialidades, mas o número de inscritos é menor que o de vagas.

Na segunda-feira (23) serão aplicadas as provas, a quantidade de médicos e a triagem pode fazerque o número de contratados diminua ainda mais, já que o candidato tem que acertar no mínimo 50% das 50 questões de múltipla escolha de conteúdo específico.

Segundo o diretor clínico da Santa Casa, Luiz Alberto Kanamura, mesmo com o concurso, os setores da pediatria, pronto socorro, pronto médico, plantão hospitalar e terapias intensivas ficarão com déficit de profissionais, porque não tiveram o número suficiente de inscritos. Na pediatria foram abertas 14 vagas, o número de inscrições não chegou à metade.

Das 200 vagas, apenas 23 são para médicos celetistas (CLT), ou seja, contratados pelo hospital, as outras são para prestadores de serviço. O salário de um CLT é de R$2.400, com a obrigatoriedade de cumprir um plantão de 12h por semana. Já os prestadores de serviço recebem por plantão. O hospital paga R$600 por cada plantão de 12h.

Hoje, a Santa Casa tem 600 médicos entre prestadores de serviço e CLT distribuídos em 31 especialidades. São 598 leitos e, até às 15h19 dessa sexta-feira (20), 594 pessoas estavam internadas.

Para Kanamura, o déficit de médicos no hospital não é o causador da superlotação. “São vários fatores. A falta de leitos, a quantidade de pacientes que vem do interior e muitos outros. É um problema da saúde pública”, relata.

Questionado sobre a demora na realização de algumas cirurgias, o diretor clínico do maior hospital do Estado disse que tem pacientes que precisam realizar cirurgias em até 24h, mas que devido à superlotação faltam leitos. “Isso não deveria acontecer, se está com sobrecarga e a Santa Casa não pode operar esses pacientes deveriam ser transferidos para outros hospitais”, afirma.

Para diretor clínico da Santa Casa, contratação de médicos não acabará com superlotação. (Foto: João Garrigó)Para diretor clínico da Santa Casa, contratação de médicos não acabará com superlotação. (Foto: João Garrigó)

Para o diretor do Sindicato dos Médicos, João Batista, as condições de trabalho no hospital não estão atraindo os profissionais. “Alguns não querem trabalhar lá e, outros já estão em hospitais que pagam melhor”, diz.

Assim como diretor clínico do hospital, João também afirma que não é a falta de médicos que sobrecarrega o hospital. “A superlotação acontece basicamente por falta de leitos. No caso da Santa Casa, o centro cirúrgico fechado e a suspensão das cirurgias eletivas também colaboram para que isso aconteça”, afirma.

Angustia: A esposa de Carlos Matias, 42 anos, sofreu um acidente de motocicleta no último dia 13 na cidade de Chapadão do Sul, município que fica a 321 quilômetros da Capital. Ela fraturou o maxilar e no mesmo dia foi transferida para Campo Grande para realizar uma cirurgia, já que o hospital daquela cidade não tem estrutura para fazer esse tipo de procedimento.

Foi aí, que a angustia de Carlos começou. Desde o dia 13 ele tenta que a esposa, Luciene Rodrigues, 39 anos, faça a cirurgia que só foi marcada para o dia 24 deste mês. “Eu pergunto para os médicos se não tem como a encaixar, mas eles dizem que tem que esperar porque tem muita gente na frente”, relata.

Ele tem medo que a recuperação seja prejudicada pela demora. “Ela está com a boca toda torta. Antes ela nem comia”, diz.

Mesmo com plano de saúde, Carlos aguarda desde o dia 13 para que esposa faça cirurgia no maxilar. (Foto: Ana Paula Carvalho)Mesmo com plano de saúde, Carlos aguarda desde o dia 13 para que esposa faça cirurgia no maxilar. (Foto: Ana Paula Carvalho)

A equipe do Campo Grande News encontrou o motorista em um orelhão na porta do Prontomed tentando ligar para o plano de saúde da empresa onde trabalha.

Desde que a “saga” por uma vaga no centro cirúrgico começou, Carlos tenta conseguir atendimento pelo plano HB, mas a Santa Casa não tem convênio com a empresa. “Já liguei no 0800, agora vou ligar nesse outro número aqui. A gente tem plano de saúde, mas estamos dependendo do SUS aqui”, afirma.

Carlos é motorista de uma usina em Chapadão do Céu, em Goiás e, desde o dia do acidente está em Campo Grande acompanhando a esposa. O médico deu um atestado de acompanhante por 15 dias, mas a empresa não aceitou. “A firma não aceitou o atestado. Vou perder 15 dias de trabalho, mas eu não posso deixá-la aqui sozinha”, afirma.

A única vez que Luciene precisou de atendimento médico na Capital, foi quando foi dar a luz ao filho mais velho. “Há 18 anos isso não era assim. Agora a gente vem para cá e fica 15, 30 dias dentro do hospital”, indigna-se Carlos.

O motorista passa o dia no hospital. Por volta das 23h ele vai para a pensão que está sendo paga pela prefeitura de Chapadão.

É durante as noites solitárias que o eito aperta mais. Com os olhos cheios d’água ele fala da esperança de conseguir que a esposa faça a cirurgia o mais rápido possível. “Agora só fica a esperança de conseguir que ela seja operada logo para irmos para casa”, diz.

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Sou médica formada há 10 anos. Tenho um mestrado e doutorado concluídos em cardiologia.
Hoje não consigo mais trabalhar com a medicina. Os plantões são estressantes e angustiantes, os pacientes mal educados, as agressões físicas e verbais de familiares, a falta de material e de gente competente nas emergências, a carga horária exaustiva, o trabalho incessante e o autoritarismo dos chefes.
 
Natalia Alonzo em 21/06/2012 12:39:01
Cezar Soares de Oliveira ....com essa você foi o campeão!!!!!!!

só falou verdade.........é que politicos só querem para eles........$$$$$$
 
GILMAR CANDIDO em 21/05/2011 12:23:59
A culpa é nossa, que votamos nos médicos, eles se apegam a políticagem e não fazem nem a política nem a medicina. Aliaz, se médico com poder político resolvesse a questão, teríamos os melhores hospitais do mundo.
 
valter antunes em 21/05/2011 11:48:22
Com certeza vergonhosa a situação dos salários se comparados aos nossos deputados, vereadores que muitas vezes nem se quer tem o ensino médio isso é uma desigualdade muito injusta, por parte dos nossos governantes, ridículo...
 
Charles Vargas em 21/05/2011 10:14:40
A santa casa abriu 200 vagas para médicos, mas só 105 se inscrevem. Por que será?Algum motivo tem. Segundo o diretor clínico da Santa Casa, Luiz Alberto Kawamura, mesmo com o concurso, os setores da pediatria, pronto socorro, pronto médico, plantão hospitalar e terapias intensivas ficarão com déficit de profissionais, porque não tiveram o número suficiente de inscritos. Na pediatria foram abertas 14 vagas, o número de inscrições não chegou à metade. Mas se o poder publico tivesse interesse já tinha resolvido á muito tempo.Não tem ninguém na Prefeitura e nem no governo para solucionar esse impasse que se arrasta por muito tempo?Isso por que o prefeito é medico e o governador também, e seu eles fossem engenheiros?

 
Edson Garcia em 21/05/2011 09:24:39
realmente é uma vergonha o que os médicos ganham, mas acho que isso deve-se em razão da má administração, a desvalorização da vida está cada vez mais evidente por essa razão não se tem mais razões para ter tantos médicos. sei lá o que esses governantes pessam, quem sabe eles pessam somente no proprio bolso.
 
jose corsine em 21/05/2011 09:16:45
CONHEÇO VÁRIOS MÉDICOS BRASILEIROS BONS QUE FORMARAM NA BOLVIAÍ, E POR QUESTÃO DE BUROCRACIA NÃO CONSEGUEM REVELIDAR SEU DIPLOMAS NO BRASIL.......FAÇAM AS PROVAS COM ELES........REVELIDEM SEUS DIPLOMAS E COLOQUE ESTES PARA TRABALHAR......
 
GILMAR CANDIDO em 21/05/2011 08:35:46
QUEM DA UMA OPINIAO DESSAS DE CONTRATAR MEDICO DA BOLIVIA DEVE SER NO MINIMO IDIOTA... A NAO TEM SUS, NAO TEM ATENDIMENTO E IMAGINA OS MEDICOS FORMADOS LÁ QUE MARAVILHA QUE DEVE SER... SOBRE A MULHER DA CIRURGIA DO MAXILAR, TALVEZ SE OFERECER DINDI POR FORA ELA CONSIGA SER OPERADA... É ASSIM QUE AGE ESSA CORJA... DEMORAM PRA ATENDER PRA VER SE SAI ALGUM POR FORA... FALO ISSO PORQUE ACONTECEU COMIGO NAO É DR. ARNÓBIO...
 
Fernando Frederico em 21/05/2011 07:14:45
Além do salário ser uma vergonha a nivel nacional, existe ainda a precariedade da instituiçao, faltam materiais essenciais, como um medico vai se responsabilizar sabendo que só o fato de o paciente estar ali ja compromete sua recuperaçao devido as condiçoes do Hospital, precisa reavaliar muita coisa aí....Tantos medicos na politica sulmatogrossense e nada fazem....
 
viviane avila em 21/05/2011 06:55:50
Muitos médicos foram formados em Universidades Particulares e só de gasto mensal eles tinham em média uns 3 ou 4 mil reais. Mesmo os que são de Universidades Públicas têm os seus gastos e francamente, um salário de 2.400 reais não muitos interessados mesmo.
 
Thiago Kalunga em 21/05/2011 03:15:39
Enquanto isso, a Funsau contrata um tal senhor, vindo sei lá de onde, com não sei quantos processos na justiça e paga 48 mil no contrato...infelizmente os mais necessitados estão fora de questão pela autoridades públicas, o ministério da saúde aqui no estado sequer aparece pra dar explicações na mídia...vamos morrendo "nós povão" vão enriquecendo sem causa " senhores homens públicos".
 
Rafael Cardoso em 21/05/2011 01:53:43
A tempo argumentava as autoridades públicas da necessidade de criar hospitais regionais em MS , para evitar superlotação da Santa Casa em Campo Grande , hospitais ditos regionais foram criados ,mas falta apoio financeiro , número suficiente de médicos , laboratórios e especialistas etc.... e o que é pior falta uma união de várias prefeituras de uma determinada região para colaborar com o Hospital Regional ,base da região , em tempo em Mato Grosso ,já existe um consórcio entre vários municípios que procuram evitar mandar seus contribuintes para Cuiabá , conheço algumas cidades em MS que criaram mini-hospitais que prestam pouco serviço aos seus habitantes , a solução e vir para Campo Grande ........Vamos orar bastante para não ficar doente .......só por Deus mesmo .
 
Paulo Roberto Marques Pereira em 20/05/2011 11:59:07
Fico estarrecido de ver o salário que os médicos aqui do Estado do Mato Grosso do Sul tem que se sujeitar, depois nossos governantes não sabem porque faltam tantos médicos para atendimento do SUS, com um salário de R$ 2.400,00 ou plantão de R$ 600,00 para quem estudou aproximadamente 07(sete) anos mais especializações, doutorados e mestrados vão lá uns 09(nove) anos, como isto é desigual ou pra dizer desonesto com a profissão. Pra deixar como exemplo o delegado em início de carreira ganha em torno de R$ 7.500,00 um oficial da PM ou BM ganha R$ 6.190,00 e nem precisa de nível superior e por aí vai promotor R$ 10.000,00 até motorista do TRT, MPU e TRE tira lá os seus R$ 4.500,00.
Não estou aqui falando que estes cargos ganham muito é o salário dos médicos é que é uma verdadeira vergonha não do Estado mais a nível Nacional.
 
Cezar Soares de Oliveira em 20/05/2011 11:17:02
Neste caso não tem como criticar e sim que que eles achem logo uma solução porq doença não espera.
 
elias alonso da silva em 20/05/2011 09:29:17
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