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Capital

Sem clima de festa, ovos de chocolate passam despercebidos a 20 dias da Páscoa

Corredores que antes ficavam abarrotados do produto, hoje são ocupados por pequenas ilhas de ovos de chocolate

Por Liniker Ribeiro e Clayton Neves | 27/03/2020 08:00
Em supermecado no Bairro Cel Antonino, número de ovos de chocolate este ano é 10% menor que no ano passado (Foto: Kísie Ainoã)
Em supermecado no Bairro Cel Antonino, número de ovos de chocolate este ano é 10% menor que no ano passado (Foto: Kísie Ainoã)

Não foi só a rotina de muitas famílias que mudou após a pandemia do novo coronavírus. Eventos foram cancelados, estabelecimentos fecharam e, agora, até os ovos de páscoa passam despercebidos nos supermercados. Os corredores que antes ficavam abarrotados semanas antes da data, hoje são ocupados por pequenas ilhas do produto.

Há 20 dias da Páscoa, tem até quem ainda não havia percebido a chegada dos ovos de chocolate. “Eu nem tinha percebido que já tinham colocado. Passei ao lado, mas só reparei agora”, afirmou o atendente de lanchonete Luiz Felipe, de 23 anos.

Na explicação dos comerciantes, a data já vem apresentando queda no movimento há alguns anos, principalmente nos bairros. Mas, a atual situação do país, e o surto da Covid-19 contribuem para que a data, em 2020, não receba mais investimentos.

Denyson Prado, proprietário de supermercado, afirma que foco dos clientes está na compra de alimentos (Kísie Ainoã)
Denyson Prado, proprietário de supermercado, afirma que foco dos clientes está na compra de alimentos (Kísie Ainoã)

“A gente tenta fazer umas ilhas com ovos, mas isso deu uma atrapalhada. O pessoal está atrás mesmo é de comida, ninguém está priorizando páscoa”, analisa Denyson Prado, de 34 anos, proprietário de um supermercado no Conjunto Habitacional Mata do Jacinto.

Em outro estabelecimento, no Bairro Cel. Antonino, os pedidos de ovos de chocolate este ano foram 10% menores que em 2019, conforme o gerente comercial César Gaedicke, de 30 anos. “No bairro já não tem vendido mais tantos ovos, tem sido mais barras de chocolate. Fora que, agora, o pessoal vai começar a economizar e não vai poder nem mesmo ficar se reunindo. Então, acho que pela dificuldade de aglomeração de pessoas, a tendência é que a procura seja menor”, opina Gaedicke.

Mas, apesar do cenário não ser tão animador, entre um corredor e outro é possível encontrar gente disposta a diminuir a quantidade de ovos de chocolate este ano, sem deixar de garantir pelo menos para os filhos. É o caso da servidora pública Luciana Nassar, de 44 anos.

À reportagem, ela conta que a epidemia do novo coronavírus mudou a rotina dentro de casa e que vai afetar, inclusive, as comemorações de Páscoa. “Todo ano a gente compra ovos e decora a casa, mas agora não tem clima, todo mundo está em quarentena”, diz. Para a data não passar em branco, ela conta que irá presentear a filha, Maria Vitória, de 8 anos.

A filha do engenheiro eletricista Alexandre Taniguchi, de 38 anos, também não ficará sem o produto este ano. “Vamos analisar valores e ver a questão dos que vem com brinquedos”, garante.

Em supermecado na Mata do Jacinto, ovos de chocolate estão expostos em apeans três ilhas em corredor (Foto: Kísie Ainoã)
Em supermecado na Mata do Jacinto, ovos de chocolate estão expostos em apeans três ilhas em corredor (Foto: Kísie Ainoã)