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Capital

Sem diálogo, indígenas voltam ao Distrito Sanitário e ameaçam fechar BRs

Mesmo após terem acampando na porta do Dsei, os indígenas voltam a reclamar de falta de diálogo e reivindicam saúde nas aldeias

Por Alana Portela e Bruna Marques | 22/02/2021 11:46
Várias indígenas estão nesta manhã (22), na na frente do Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena). (Foto: Bruna Marques)
Várias indígenas estão nesta manhã (22), na na frente do Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena). (Foto: Bruna Marques)

Mais uma vez, os indígenas voltam ao Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena) na tentativa de dialogar com o secretário especial de Saúde Indígena, Robson Santos da Silva, que viria de Brasília para ouvir as reivindicações. Cerca de 50 índios estão nesta manhã (22), reunidos no local, que fica na Vila Bandeirantes, onde ameaçam até fechar as BRs

“O secretário nacional viria hoje para conversar com a gente. Agora, caso não tenhamos respostas, vamos nos reunir para ver o que podemos fazer e de repente, até fechar BRs. Não temos diálogo e queremos ser ouvidos”, afirma o cacique terena da aldeia Arara Azul - localizado no município de Aquidauna - Pedro Lulu.

Pedro Lulu é um dos caciques terena que está no local. (Foto: Bruna Marques)
Pedro Lulu é um dos caciques terena que está no local. (Foto: Bruna Marques)

No local, estão reunidos indígenas de oito etnias que há tempos exigem diálogo com a coordenação da Dsei e reivindicam saúde nas aldeias. Nem mesmo o último acampamento que fizeram na porta do Distrito Sanitário no fim do mês passado ajudaram a ter a solicitações atendidas.

“Com essa nova gestão, não vimos nenhuma ação em relação a saúde das crianças, idosos, hipertensos e diabéticos”, declara Pedro Lulu.

O cacique ainda questiona a falta de orientação sobre a vacina da covid-19. “A informação que temos é que a coordenação vai devolver 15 mil doses porque os índios não querem vacinar. Mas, existe falta de comunicação, pois é dever deles explicarem o que é essa vacina e o que ela traz”.

Com dificuldade em se comunicar, eles ainda pedem mudança na coordenação da Dsei. “Os caciques estão injuriados com isso, queremos a troca de coordenação por alguém de confiança”.

Quem também está reclama da situação é Vanuiria Martins Fernandes, 34 anos. Ela é guarani nhandeva, mora na aldeia Cerrito, em Eldorado, e fala da falta de profissionais da saúde para atender as aldeias.

Vanuiria Martins Fernandes também resolveu marcar presença no local. (Foto: Bruna Marques)
Vanuiria Martins Fernandes também resolveu marcar presença no local. (Foto: Bruna Marques)

“Há uma precariedade, desrespeito com a comunidade indígena em relação a saúde. Muitos profissionais indígenas estão sendo demitidos sem nos consultar”.

Conforme ela, essa falta de diálogo tem dificuldade a vida de quem vive nas aldeias. “Está afetando a nossa saúde”, frisa. Por isso, Vanuiria também pede a troca da coordenação do Dsei. “Que entre alguém de confiança, pois o atual não tem nem interesse em nos conhecer, nunca foi na nossa aldeia e não conhece nossa realidade”.

Enquanto nada se resolve, os indígenas permanecem em frente a Dsei, na esperança de conversar com o secretário nacional nesta tarde.

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