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Capital

Sem solução, alagamentos causam prejuízos há mais de 12 anos na Gunter Hans

Moradores e comerciantes relatam transtornos e risco para quem trafega no trecho

Por Geniffer Valeriano | 01/07/2026 12:55

Canteiro marcado por pneus, placa de carro pendurada em portão e ponto de ônibus com base enferrujada são alguns dos rastros deixados pelos alagamentos na Avenida Gunter Hans. Considerado crônico, o problema causa “dores de cabeça” há anos para comerciantes, que aguardam por uma solução.

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Comerciantes da Avenida Gunter Hans e Avenida Campestre, em Campo Grande, convivem há anos com alagamentos recorrentes durante temporais. Móveis adaptados com pés de metal, veículos arrastados e ruas interditadas são reflexos do problema crônico atribuído à falta de drenagem. A Prefeitura foi procurada, mas não respondeu sobre previsão de obras.

Em diferentes ocasiões, o Campo Grande News já mostrou os transtornos causados pelos alagamentos na Avenida Gunter Hans durante temporais na Capital. Reportagens anteriores registraram veículos ilhados, motoristas desviando pelo canteiro central para escapar da água e até danos mecânicos após tentativas de travessia .

Na prática, os efeitos dos alagamentos são sentidos diariamente por quem trabalha na região. Próximo à Avenida Ministro João Alberto, o comerciante Emanuel Bezerra, de 44 anos, mantém uma conveniência há cinco anos. Apesar de morar no Coophavila II, ele conta que só descobriu o problema após começar a trabalhar no local.

“Aqui o asfalto não é plano, aí acontecem os alagamentos. É terrível. Tem comércios e residências, e nesse prédio moram duas pessoas que não conseguem sair quando alaga”, relatou.

Sem solução, alagamentos causam prejuízos há mais de 12 anos na Gunter Hans
Móveis precisam de pés de metal para resistir alagamentos em conveniência (Foto: Sofia Lupaes)

Para reduzir os prejuízos, Emanuel adaptou o espaço. Todos os móveis e equipamentos foram elevados com pés de metal. “O transtorno é muito grande. Já entrou água aqui por causa dessas chuvas fortes. E essa rua de chão, ali na lateral, se fosse asfaltada ajudaria, mas enquanto não resolver isso o problema continua”, afirmou.

A Avenida Ministro João Alberto também é apontada como fator que contribui para os alagamentos pelo empresário Francismar Gomes, de 36 anos. Ele tem uma loja na esquina das duas vias e, embora a água não invada o comércio, diz que o impacto é inevitável.

“A parte que mais alaga é mais à frente, mas os veículos sobem na calçada e, com os pedestres, fica perigoso. Uns 100 metros adiante fica totalmente interditado. Alguns carros ficam presos e o fluxo aumenta bastante aqui”, explicou.

Sem solução, alagamentos causam prejuízos há mais de 12 anos na Gunter Hans
Loja de Francismar fica ao lado da avenida onde desce a enxurrada que provaca os alagamentos (Foto: Sofia Lupaes)

Segundo Francismar, em dias de chuva o mais seguro é aguardar o nível da água baixar. “Já aconteceu de alagar duas vezes no mesmo dia. Quem conhece a região busca rotas alternativas”, disse.

Ele também descreve o dilema de quem tenta atravessar o trecho alagado. “Ou fica preso na enxurrada ou sobe no canteiro para fugir da água”. Para o comerciante, o problema está na drenagem insuficiente.

“Sempre que chove mais forte, alaga. Acredito que seja falta de drenagem, principalmente da rua lateral, que não tem asfalto nem sistema de escoamento. A água desce e não consegue chegar ao córrego”, pontuou.

Além dos comerciantes da Gunter Hans, lojistas da Avenida Campestre também sofrem com os alagamentos. Em março de 2025, a força da enxurrada viralizou nas redes sociais após um homem ser filmado “surfando” na correnteza.

“Aqui vira um rio, não é mais rua. É uma enchente forte, as casas ali embaixo ficam debaixo d’água. Depois que construíram o Assaí e fecharam aquela área, piorou muito”, disse a comerciante Silvana Ayala Jaques, de 34 anos, que mantém uma lanchonete na via.

Ela relata que, mesmo com a calçada mais alta, a água já quase invadiu o estabelecimento. Apesar disso, ainda mantém esperança de solução. “Tem que ter esperança. Quem sabe aparece um político bom, porque a gente precisa”, comentou.

O otimismo não é compartilhado por todos. O mecânico Eilon Ferreira, de 45 anos, não acredita em intervenção. “Isso deveria ter sido previsto antes do asfalto. Agora, só quebrando tudo para fazer drenagem. Quem vai fazer? Eu não acredito”, desabafou.

Sem solução, alagamentos causam prejuízos há mais de 12 anos na Gunter Hans
Silvana está entre os comerciantes que ainda esperam que o problema seja solucionado (Foto: Sofia Lupaes)

A descrença é resultado dos 12 anos convivendo com enchentes. Em uma das ocasiões, ele teve o carro arrastado pela correnteza, sendo contido por um poste de energia próximo à oficina. “Pelo menos duas vezes por ano, quando chove forte, alaga lá em cima e desce tudo para a Campestre. É sempre assim e complica muito”, relatou.

Durante os temporais, o mecânico acaba recebendo veículos com problemas após tentativas de travessia. Apesar do ganho, ele prefere que o problema deixe de existir. “Já teve carro com calço hidráulico, motor danificado. Não é barato. Até ônibus deixam de passar. Só os mais aventureiros tentam e acabam parando no meio da enxurrada”, disse.

A reportagem procurou a Prefeitura de Campo Grande para comentar a situação e informar se há previsão de obras na região. Até o momento, não houve retorno. O espaço segue aberto.

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