Ex-jogador da Seleção troca quadra por espeto e comida campeira
Nélio Wider recomeçou ao lado do pai e transformou o negócio no Carandá Bosque em nova fonte de renda
Do basquete profissional à churrasqueira, Nélio Wider encontrou no negócio ao lado do pai um novo caminho. A sombra de uma árvore no Carandá Bosque, algumas mesas e o cheiro de carne na brasa marcam o espaço onde o empreendedor, de 41 anos, construiu uma nova fase da vida. Ex-jogador profissional de basquete, com passagem pela Seleção Brasileira em 2003, segundo ele, Nélio hoje comanda o Nelão Espetos e Assados, em Campo Grande.
RESUMO
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Ex-jogador profissional de basquete com passagem pela Seleção Brasileira em 2003, Nélio Wider, de 41 anos, trocou as quadras pela churrasqueira e comanda o Nelão Espetos e Assados, em Campo Grande. Após encerrar a carreira por frustração com o esporte, enfrentar a falência durante a pandemia e se reorganizar financeiramente, ele recomeçou ao lado do pai com um cardápio simples, focado em espetos, macarrão de comitiva e costelada mensal.
Natural de Ponta Porã, ele deixou o município ainda criança e morou com a família na Bolívia antes de voltar ao Brasil. No esporte, passou por diferentes equipes, disputou campeonatos nacionais, jogou na Europa e na Liga Nacional do Paraguai. A carreira, porém, terminou marcada pela frustração. “Eu parei por causa de frustração. Fiquei frustrado com o esporte no todo no Brasil.”, conta.
Longe das quadras, Nélio precisou encontrar outra profissão. E acabou parando na churrasqueira, apesar de admitir que cozinhar nunca foi seu forte. “Eu sempre fui um zero à esquerda na cozinha. Mas, para quem gosta de comer, você vai se especializando”, brinca.
O primeiro passo foi vender espetinhos como ambulante. Depois, vieram outros pontos e um restaurante na região da Bom Pastor. O negócio cresceu, até que a pandemia mudou tudo. “Eu quebrei. Quebrei gostoso”, lembra, aos risos, ao recordar o período.
Com o restaurante fechado, dívidas acumuladas e sem conseguir emprego, Nélio recebeu a ajuda de um amigo, que o chamou para trabalhar em uma empresa de terraplanagem. O período serviu para reorganizar a vida financeira. Depois, incentivado pela esposa, voltou para a cozinha. Trabalhou novamente em restaurante, mas decidiu que era hora de recomeçar de outra maneira. Foi quando chamou o pai, parceiro desde os primeiros espetinhos, para voltar às origens.
Os dois encontraram um ponto fechado e apostaram em um conceito simples: pouca coisa no cardápio, mas tudo bem feito. Há cerca de dois anos, nasceu ali o Nelião Espetos e Assados. “Eu montei aqui um conceito de simplicidade. Foco na comida, não no ambiente. O básico bem feito é a melhor coisa que tem”, resume.
A sombra da árvore que fica em frente ao estabelecimento virou parte da identidade do lugar, que mantém a proposta de comida simples e feita na hora.
No começo, Nélio fazia churrasco todos os finais de semana. A carne assada ganhou público e abriu espaço para pratos que remetem à comida de fazenda, como arroz carreteiro, feijão gordo e macarrão de comitiva. O último acabou virando o carro-chefe da casa.
Aos sábados, o almoço reúne as especialidades da casa: arroz carreteiro, macarrão de comitiva, feijão gordo, mandioca, farofa de alho, vinagrete e espetinhos. Nos demais dias, o cardápio é mais enxuto, com espetos, acompanhamentos e hambúrguer na brasa. A costela, por sua vez, ganhou um dia próprio: a costelada acontece uma vez por mês.
Nélio passou a fazer o evento mensalmente porque ele e o pai são os responsáveis pela cozinha. Manter o churrasco toda semana estava ficando pesado. “Eu parei porque aqui quem cozinha sou eu e meu pai. Isso estava desgastando muita gente”, explica.
Agora, a preparação começa com antecedência para que, no dia da costelada, tudo esteja pronto e fresco. O cuidado também vale para o restante do cardápio. Nélio afirma que não reaproveita comida de um dia para o outro. O que sobra é destinado à doação quando possível ou descartado.
A preocupação com desperdício explica também a quantidade reduzida de opções. Em vez de oferecer dezenas de tipos de espetinho, ele trabalha apenas com os produtos que têm saída. “O prejuízo maior não é o financeiro. É você estragar o seu produto lá na geladeira”, afirma.
O espeto simples custa R$ 12 e os hambúrgueres começam em R$ 25. O almoço de sábado é servido em marmita e inclui as opções de comida campeira.
Mas o restaurante acabou ganhando outra função além de alimentar quem passa por ali. Do outro lado da rua fica uma academia de jiu-jitsu. Os alunos começaram a frequentar o espaço depois dos treinos e, aos poucos, Nélio se aproximou da turma. Ele conta que ficou impressionado com a amizade entre os atletas e decidiu experimentar o esporte. Comprou um quimono e começou a treinar. "Apanhei igual bife. Me batem até hoje”, brinca.
A brincadeira virou amizade. Hoje, os alunos fazem parte da rotina do restaurante e a relação, segundo Nélio, deixou de ser apenas comercial.“Virou uma família. Hoje a gente adotou todos eles, e eles também nos adotaram”, conta.
O evento de costelada acontece uma vez por mês. A próxima edição está prevista para o dia 13 de setembro. Mas quem quiser ir ao sábados saborear outros pratos, o endereço é: R. Vitório Zeola, 1431 - Carandá Bosque.
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