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Capital

Suspensão de contratos revolta e moradores bloqueiam rodovia

A revogação foi reflexo de três dias seguidos de invasões e ações de desocupação na área pública às margens da BR-262

Por Geisy Garnes e Kísie Ainoã | 30/07/2020 16:46
Com galhos e entulhos, os moradores bloquearam a rodovia (Foto: Kísie Ainoã)
Com galhos e entulhos, os moradores bloquearam a rodovia (Foto: Kísie Ainoã)

Mais de 200 famílias beneficiadas com terrenos no Loteamento José Teruel II, na região do Bairro Dom Antônio Barbosa II, bloquearam a BR-262 na tarde desta quinta-feira (30) em represália a revogação de contratos com a AMHASF (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários).

A suspensão foi reflexo de três dias seguidos de invasões e ações de desocupação na área pública às margens da rodovia, próximo ao aterro sanitário, ao lado do terreno já loteado da antiga favela Cidade de Deus.

Segundo o diretor-presidente da agência municipal de habitação, Eneas José de Carvalho, durante as ocupações foi constatado que moradores removidos da antiga favela Cidade de Deus II, já beneficiados com lotes no Loteamento José Teruel II, incentivaram familiares a ocupar a área publica na intenção de forçar uma nova distribuição de habitações, por isso, a medida foi tomada.

“Todas aquelas que tinham pré-contrato, por haver indícios que estavam incentivando invasão, para pôr os familiares para dentro da área pública e gerando toda essa crise que está tendo agora, nós tomamos a iniciativa de revogar os contratos”, explicou.

Assim que a revogação contratual foi publicada no Diário Oficial de Campo Grande, as mais de 200 famílias que vivem na região organizaram manifestação e bloquearam a BR-262 com pedaços de madeira, galhos e entulhos. Ao Campo Grande News, o catador Marcio de Lima Gomes, um dos representantes do grupo, afirmou que o movimento é uma retaliação a portaria e que nenhuma ameaçada irá pará-los.

“Não adianta ele ameaçar, nós estamos unidos. E outra, a gente não tem nada a ver. Eles querem jogar o povo contra o outra, mas não vamos nos acovardar”, afirmou. Nas palavras do catador, se a situação não for resolvida até o final da tarde de hoje, o próximo passo é o fechamento da coleta de lixo. “Campo Grande vai parar amanhã”.

Em contrapartida, o diretor-presidente da afirmou que não irá recuar da decisão. “Eles não vão conseguir colocar essa invasão de maneira que force a prefeitura a achar uma solução para eles. Eu vou continuar lutando pelas 42 mil pessoas inscritas que estão aguardando de maneira ordeira. Vou continuar dessa maneira, não vou recuar”.

Com a portaria publicada, a agência municipal se prepara para acionar o Ministério Público Estadual para acompanhar o caso.

“Se em juízo for interpretado que eles estavam incentivando todo o gasto de dinheiro público, não vamos adotar medidas de reintegração de posse vias judiciais, mas agora com acompanhamento de autoridades judicial. O Ministério Público sempre cobra a gente, diz que nós não tomamos providências, e quais são as providências que eles tomam quando as pessoas estão provocando esse tipo de situação? Privando o direito das pessoas de ir e vir, fechando BR com manifestação vazia. Baderneiros com facas ontem, ameaçando o trabalho dos técnicos. Vão responder sim”.

Toda a ações dos moradores na rodovia é acompanhado por policiais rodoviários federais. Segundo o chefe da delegacia da PRF (Polícia Rodoviária Federal) em Campo Grande, Maurício Pepino, as famílias se comprometeram a liberar a passagem dos motoristas a cada 15 minutos e por isso não houve a necessidade de desocupação.

Prisões – As quatro pessoas presas e levadas para a delegacia na manhã de ontem (29), ganharam a liberdade provisória após passaram por audiência de custodia nesta manhã. Cada um foi sentenciado ao pagamento de R$ 100 de fiança.

O quarteto, três homens e uma mulher, tentaram impedir a ação dos agentes que desmontavam os barracos e desobstruíram as vias fechadas pelas 150 famílias que invadiram a região. Eles foram indiciados por esbulho possessório, ameaça, resistência e injuria contra funcionário público em razão de suas funções.

BR-262 era liberada a cada 15 minutos (Foto: Kísie Ainoã)
BR-262 era liberada a cada 15 minutos (Foto: Kísie Ainoã)
Mais de 200 família tomaram conta da rodovia (Foto: Kísie Ainoã)
Mais de 200 família tomaram conta da rodovia (Foto: Kísie Ainoã)