Vítima de feminicídio, Vanessa achava ter encontrado "o amor da vida", diz irmã
Welsa lembra início da relação de Vanessa e João Augusto; ele é julgado por matar a mulher e a filha Sophie

A empresária Welsa Kenya, 28 anos, irmã de Vanessa Eugênia Medeiros, afirmou em depoimento que a vítima demonstrava felicidade no início do relacionamento com João Augusto Borges e chegou a dizer que tinha “encontrado o amor da vida dela”. Emocionada, lembrou dos momentos que antecederam a descoberta de que ela tinha sido assassinada.
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A empresária Welsa Kenya, irmã de Vanessa Eugênia Medeiros, prestou depoimento no julgamento de João Augusto Borges, acusado de matar Vanessa e a filha Sophie em 26 de maio de 2025, em Campo Grande. Welsa relatou que a relação parecia normal e que a irmã dizia ter encontrado o amor da vida dela. O réu é acusado de matar as vítimas no horário do almoço e abandonar os corpos em uma área de mata, onde foram encontrados incendiados.
Welsa prestou depoimento durante o julgamento de João Augusto, 22 anos, que está sendo realizado esta manhã, na 2ª Vara do Tribunal do Júri, em Campo Grande.
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Ao responder os questionamentos da promotoria, Welsa lembrou que Vanessa e João ficaram juntos por aproximadamente dois anos e, pelo que a família via, a relação parecia normal, sem discussões aparentes ou sinais de que algo mais grave pudesse acontecer.
A irmã contou que Vanessa engravidou cerca de três meses após o início do relacionamento. Conforme Welsa, a notícia foi recebida com alegria pelo casal. “À primeira vista, foram muito felizes, foi tudo tranquilo”, contou.
Depois, a vítima se mudou de Chapadão do Sul para Campo Grande, alugou uma casa e passou a morar com o companheiro. Com a gravidez, no entanto, Vanessa teve enjoos frequentes, faltava ao trabalho e não conseguia mais manter a casa sozinha, porque os dias de ausência eram descontados. Foi então que João teria proposto que os dois morassem por um período na casa dos pais dele.
Durante o depoimento, Welsa também foi questionada sobre o comportamento de João. Ela disse que nunca ouviu falar que ele tivesse alguma doença, perturbação mental ou envolvimento com drogas.
Sobre o dia do desaparecimento, Welsa afirmou que recebeu mensagem de João por volta das 8h do dia 27 de maio. Ele dizia que Vanessa havia saído de casa, não tinha levado o celular e não havia voltado desde o dia anterior. A irmã disse que achou a situação estranha, porque Vanessa não costumava sair sem o aparelho.
Welsa contou ainda que tentou mandar mensagem para a irmã e percebeu que o celular estava online, mas João teria dito que era ele quem estava mexendo no aparelho. Diante da situação, ela orientou que ele procurasse a delegacia e avisou que pegaria um ônibus de Chapadão do Sul, onde mora, para ir a Campo Grande.
Ao ser questionada pelo advogado Lucas Brandolis, assistente de acusação, sobre o impacto de saber quem cometeu o crime, Welsa se emocionou. “Receber a notícia é como a gente pedir para que isso seja mentira, né? Seja apenas um trote ou algo do tipo, mas foi muito doloroso”, disse. Ela lembrou que também era madrinha de Sophie e afirmou que amava muito a criança e a irmã, caçula de três filhas.
“Foi como se tirasse um pedaço de mim”, declarou Welsa. “Porque você conviver, você ajudar a cuidar do início até ver a sua irmã crescendo, ela se arrumando, ver ela correndo atrás dos seus sonhos, é algo muito triste. É uma coisa que não se deseja para ninguém.” Segundo ela, a família era “muito unida”.

O crime aconteceu em 26 de maio de 2025, em Campo Grande. Segundo a investigação, Vanessa Eugênia Medeiros e a filha Sophie foram mortas por João durante o horário de almoço dele. Depois, ele voltou ao trabalho e, mais tarde, levou os corpos no porta-malas do carro até uma área de mata no Indubrasil, onde as vítimas foram deixadas e incendiadas. Elas foram encontradas durante a madrugada por um vigilante, que acionou a PM (Polícia Militar).
João foi preso horas depois, quando tentava registrar boletim de ocorrência pelo desaparecimento das duas.
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