A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

29/09/2013 10:02

Vivendo em área de risco, moradores do Itamaracá tentam evitar despejo

Bruno Chaves
Há três anos Rosilene aguarda casa da Emha para mudar da beira do córrego (Foto: Marcos Ermínio)Há três anos Rosilene aguarda casa da Emha para mudar da beira do córrego (Foto: Marcos Ermínio)

Amedrontados com o fantasma do despejo, moradores do Jardim Itamaracá, região sudeste de Campo Grande, convivem diariamente com a insegurança de não saberem até quando viverão em suas casas. As famílias ocupam há anos áreas de comodato da prefeitura, que foram consideradas locais de risco por estarem próximo ao Córrego Bálsamo.

Segundo o líder comunitário Wagner Pereira, a região do grande Itamaracá possui 28 áreas verdes. Dessas, 20 foram ocupadas há muito tempo por cerca de 200 famílias. “A prefeitura começou a fazer a regularização. Mas por causa do Ministério Público Estadual parou. Como se trata de áreas verdes, área pública, elas não podem ser regularizadas”, diz.

Pereira conta que três ações do MPE pedem para que a prefeitura cesse os termos de permissão de uso das áreas por serem consideradas de risco. Por causa desses documentos, as pessoas temem o despejo, além do risco de serem taxadas como invasoras e não poderem participar de programas habitacionais da Emha (Empresa Municipal de Habitação).

“Eles acham que a qualquer momento podem sair. Como tem lei que diz que invasores não tem direito a casa, eles ficam mais preocupados. Gera uma instabilidade. Estão Vivendo em incerteza porque moram há muito tempo na área e já criaram um vinculo”, opina.

Por causa dessa situação, Pereira diz que, como um dos líderes da comunidade, pretende fazer um diagnóstico habitacional da região e encaminhar à Prefeitura de Campo Grande e à Promotoria de Meio Ambiente do MPE. Para ele, a prefeitura foi omissa em relação aos moradores da região.

“Se você é dono de uma fazenda e espera cinco anos para tomar providência sobre uma ocupação, é sinal de que não está preocupado. O município foi inerte e permitiu com que os moradores fossem parar lá. Agora, as famílias já têm uma vivencia na área e estão acostumadas com o local”, revela.

Os moradores ainda afirmam que não se opõem a pagar pelo terreno. Pelo contrário, afirma o líder, “eles aguardam a regularização há anos”.

Andréia fez cadastro na empresa de habitação e reclama que prazo para entrega da casa sempre é adiado (Foto: Marcos Ermínio)Andréia fez cadastro na empresa de habitação e reclama que prazo para entrega da casa sempre é adiado (Foto: Marcos Ermínio)
Casas irregulares foram marcadas pela empresa de habitação e os donos receberam promessas de novas residências nas Moreninhas (Foto: Marcus Ermínio)Casas irregulares foram marcadas pela empresa de habitação e os donos receberam promessas de novas residências nas Moreninhas (Foto: Marcus Ermínio)

Mais famílias e mais incertezas – Além das famílias que aguardam a solução para o conflito envolvendo as áreas verdes do Itamaracá, existe outro grupo de moradores que também ocupa, irregularmente, terrenos da prefeitura às margens do Córrego Bálsamo. Mas ao contrário dos primeiros moradores, esses foram inscritos em programas habitacionais da Emha e de revitalização do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) 2.

“O pessoal da Emha já veio aqui várias vezes e prometeram casas para a gente. Pegaram nossos dados e pediram para a gente ir entregar documentos. Disseram que as casas ficariam prontas em outubro de 2012, depois passaram para outubro de 2013 e já vieram e falaram que seria para o fim desse ano”, disse a dona de casa Rosilene Alves, 31 anos, que mora há quatro anos na área.

Rosilene conta que decidiu ocupar a área por falta de opção de moradia. Quando ela chegou ao local, apenas vegetação habitava o terreno. “Entrei, limpei e morei”, resume. Ela vive na Rua Antônio Fontoura Borges e, depois das várias marcações da empresa de habitação, fica a espera de uma casa popular, que deverá ser entregue no bairro Moreninhas.

Quem confirmou a mesma história foi a dona de casa Andréia Ribeiro da Silva, 33 anos. Ela mora ao lado do córrego há mais de cinco anos e diz que os dados de toda a família foram pegos pela Emha. “Documentação minha, do meu marido e dos meus quatro filhos. Desde 2010 existe esse processo. Mas ninguém da uma resposta certa. Queremos essa casa porque aqui é complicado. Quando chove muito, a água do córrego sobe, entra nas nossas casas e estraga o que temos”.

Do outro lado do córrego, na Rua Irinéia Sá Carvalho, vive, há 10 anos, a aposentada Maria Monteiro Vidal, 65 anos, que também já foi cadastrada nos programas habitacionais. “Semana passada eles vieram aqui e mudaram o prazo de outubro desse ano para dezembro. Agora, é quase certo que vão jogar para o ano que vem. Estão muito devagar. Já fizemos tudo e só estamos a espera da chave”, afirma.

A reportagem do Campo Grande News procurou informações, com as assessorias do MPE e da Prefeitura de Campo Grande, acerca das ocupações de áreas verdes da região do grande Itamaracá. No entanto, até o fechamento desta matéria, os questionamentos não foram respondidos.

Aposentada mora acima do nível do córrego, mas também terá que deixar área (Foto: Marcos Ermínio)Aposentada mora acima do nível do córrego, mas também terá que deixar área (Foto: Marcos Ermínio)
Crianças da vizinhança também sonham em morarem em um local mais bonito (Foto: Marcos Ermínio)Crianças da vizinhança também sonham em morarem em um local mais "bonito" (Foto: Marcos Ermínio)
Promotoria e prefeitura firmam acordo para recuperar área de preservação
Foi celebrado entre o MPE (Ministério Público Estadual) e a prefeitura de Campo Grande acordo para recomposição da vegetação nativa da área de preser...
Concurso recebe inscrições para 83 vagas técnico-administrativas
Seguem abertas as inscrições para o concurso que oferece 83 vagas para técnico-administrativos em Educação na UFMS (Universidade Federal de Mato Gros...
Vice-governadora visita projeto em que detentos reformam escolas
O projeto "Pintando e Revitalizando a Educação com Liberdade", desenvolvido pelo Poder Judiciário estadual, foi conhecido e elogiado na sexta-feira (...
Crianças do Vespasiano Martins recebem Papai Noel e ganham presentes
As crianças do loteamento Vespasiano Martins, na periferia de Campo Grande, receberam a visita especial do Papai Noel neste sábado (16). Foram distri...


É por isso que não temos posto policial, de bombeiro, posto de saúde, creche, escola e quadra de esportes para nossas crianças na região, as áreas estão sendo invadidas por pessoas de outro local, inclusive de outras cidades.
Os proprietários compraram o seus lotes, pagam inclusive o valor da área destinada para a construção do posto de saúde, mas ficam sem a área, ganham uma invasão e tem que procurar pelo atendimento médico em outra região bem distante.
 
VALDECY PEREIRA SIQUEIRA em 30/09/2013 08:03:00
eu não entendo, milhares e milhares de pessoas sem casas, de onde vem tanta gente aqui para Campo Grande ?
 
eraldo a bento em 30/09/2013 07:22:17
engraçado pois tem gente que pega umas quinhentas vezes eles não tem um controle ou tem maracutaia e pessoas que realmente tem precisa não ganha
 
giane de campos em 29/09/2013 19:55:16
E essas famílias, sofridas e honestas, não estão pedindo muito não: Só querem uma moradia digna, que lhes garanta um mínimo de bem estar para suas famílias!
 
MARCELLO MENDES em 29/09/2013 18:36:33
Invadem e depois a Prefeitura que de solução? Dinheiro público não está ai para resolver problemas particulares.
 
João Dias em 29/09/2013 17:20:34
quando locutor,apresentador de programa de radio, atual prefeito, sr alcides bernal, falava em mudar a situação do povo que vive nessas condições,
só foi ganhar a eleição, como mudou
sai de dentro dessa prefeitura, vai resolver Problema.
OBS: cuidado em votar nesses locutorzinho de rádio e televisão, que começou ontem,
e já se acham.
 
daniel mendes neto em 29/09/2013 14:04:30
O dia que pararem de dar casas para quem não precisa, quem sabe muda essa realidade.
 
Geancarlos Rocha em 29/09/2013 10:55:59
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions