A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

20/09/2012 09:44

Vizinhos a reserva reclamam de abandono e pedem volta de projeto

Elverson Cardozo

Na Mata do Segredo, cenário é de muito lixo e, nos últimos dias, incêndios. Para moradores, Projeto Florestinha, que antes funcionava no local, ajudava a manter local limpo

Mata do Segredo virou depósito de lixo. (Foto: Simão Nogueira)Mata do Segredo virou depósito de lixo. (Foto: Simão Nogueira)
Incêndio atingiu a área neste final de semana. (Foto: Simão Nogueira)Incêndio atingiu a área neste final de semana. (Foto: Simão Nogueira)

O Parque Estadual Mata do Segredo, localizado no Jardim Presidente, em Campo Grande, está abandonado. A constatação é dos moradores que pedem a volta dos pequenos patrulheiros ambientais, os meninos do projeto Florestinha, desenvolvido pela PMA (Polícia Militar Ambiental).

Além do descuido, a área está novamente tomada pela sujeira. No meio do mato é possível encontrar de tudo: sofá, televisão, sacolas plásticas, garrafas pet e uma infinidade de materiais que agridem o meio ambiente.

Mas o lixo não chega ali sozinho, é claro. É jogado pelos moradores que acabaram provocando as queixas dos vizinhos.

Neste final de semana um incêndio destruiu cerca de 20 hectares do Parque. Segundo moradores, as chamas, que começaram na sexta-feira (14), só foram controladas totalmente no domingo.

Jhonny Kessy, de 17 anos, estava em casa quando o fogo começou e conta que se assustou com as labaredas, de tão altas. A residência onde o estudante mora, com faz fundo com a mata, ficou tomada pela fuligem.

Por pouco um sofá não pegou fogo. “Ficou cheio de furinhos”, contou, ao relatar que ele e os vizinhos tentaram controlar o incêndio utilizando uma mangueira de jardim.

Não se via lixo, afirmou o motorista Ivani Barbosa de Souza. (Foto: Simao Nogueira)"Não se via lixo", afirmou o motorista Ivani Barbosa de Souza. (Foto: Simao Nogueira)

Problemas como esses mostram a falta que faz a presença dos Florestinhas na região. O motorista Ivani Barbosa de Souza, de 55 anos, pede a volta do projeto que envolvia toda a sociedade. “Não se via lixo”, resume.

Hoje, toda a área, especialmente as entradas, está abandonada. Ivani sai em defesa da população. “Se não tiver uma pessoa instruída para conversar, eles não vão se envolver”, disse.

Para o motoboy Julio Cesar Veigas, de 29 anos, o fim do projeto, além de prejudicar o bairro, tirou das crianças e adolescentes mais uma opção de lazer e conhecimento.

Da rua Josefina Mingarelli, onde mora há 4 anos, a única lembrança que sobrou foram os portões que guardavam o antigo prédio dos Florestinhas. A edificação, afirmou, foi demolida há aproximadamente 3 anos.

De lá para cá, a área virou depósito de lixo e é ponto de encontro de usuários de drogas. “O pessoal entre aí para fumar", disse. "Todo dia quando eu chegou tem lixo aqui na frente”, acrescentou.

Desativação-O relações públicas da PMA (Polícia Militar Ambiental), Edmilson Paulino Queiroz, de 45 anos, informou que os Florestinhas deixaram a Mata do Segredo por força maior. Com a estrutura comprometida há anos e sem passar por reforma, o prédio em que ocupavam desabou durante as férias de 2009.

A ação continua no Parque Municipal Cônsul Assaf Trad, no Alphaville, em Campo Grande. Segundo o major, a casa que ocupam atualmente é doada pela fundação que leva o nome bairro. Mas o local não é aberto ao público por falta de estrutura, iluminação e segurança, afirmou.

Restos de televisões estão entre os entulhos jogados na mata. (Foto: Simão Nogueira)Restos de televisões estão entre os entulhos jogados na mata. (Foto: Simão Nogueira)
Garrafas pet, sacolas pláticas e papelões também. (Foto: Simão Nogueira)Garrafas pet, sacolas pláticas e papelões também. (Foto: Simão Nogueira)

Além disso, a “nova” sede dos Florestinhas é bem menor que a anterior. A área total é de 4 hectares. A casa está passando por reforma e vai se transformar, em breve, no Centro de Educação Ambiental Florestinha.

Além disso, um projeto encaminhado ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Groso do Sul), entregue desde a desativação, prevê uma nova sede para o projeto no Parque do Segredo. “Constrói que a gente se instala”, disse, ao afirmar que a proposta é atender o maior número possível de crianças.

Patrulha mirim do projeto Florestinha. (Foto: Divulgação)Patrulha mirim do projeto Florestinha. (Foto: Divulgação)

Projeto Florestinha - Desenvolvido pela PMA, em parceria com a SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) – vinculada à prefeitura de Campo Grande -, o projeto Florestinha existe há 20 anos, desde 1992.

Entre os objetivos está o de conscientizar crianças e adolescentes, com idade entre 7 e 18 anos, às questões relacionadas ao meio ambiente.

Na sede do programa eles recebem reforço escolar, tem aulas de teatro, aprendem sobre reciclagem, entre outros assuntos.

Das ações desenvolvidas destaca-se a qualificação e o encaminhamento de jovens ao mercado de trabalho, por meio de entidades como o Instituto Mirim e Cidade dos Meninos.

Em 20 anos de existência, cerca de 10 mil jovens passaram pelo projeto Florestinha em Mato Grosso do Sul. Deste total, 2.640 mil são de Campo Grande.



Flagrante de uma verdadeira hipocrisia da política ambiental nessa gestão.
 
Madalena Arre Pendid em 20/09/2012 10:03:20
Toda reserva em área urbana sofre com esse tipo de problema no Brasil. Vide o Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, invadido por traficantes e favelas. Oferendas de macumba com velas acesas põem fogo no mato, viciados utilizando a mata para se drogar e se esconder, saudosistas da zona rural caçando nas unidades de conservação, utilização indevida dos mananciais... Estamos no Brasil, amigos
 
Fabio Pellegrini em 20/09/2012 02:21:32
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions