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Cidades

Carroceiros se organizam para sobreviver na periferia

Por Redação | 13/09/2009 09:50

Carroceiros de Campo Grande resolveram se organizar para acabar com um problema que já virou rotina de trabalho na Capital. Dia sim dia não, dizem eles, cavalos são apreendidos e levados ao CZZ (Centro de Controle de Zoonoses) após serem encontrados em vias urbanas.

Quem depende dos animais para trabalhar, garante que a prefeitura abusa, por não haver uma associação que represente a categoria. "Muitas vezes o cavalo está pastando amarrado, em um terreno baldio, e os fiscais levam e para tirar de lá, temos de pagar R$ 25,00", reclama o carroceiro Gerson Costa da Silva, o Gringo, que há 11 anos faz transporte na região do São Conrado.

Na periferia, as carroças são o meio mais barato de transporte, desde móveis a necessidades do dia-a-dia, entulho e entrega de botijão de gás. O valor de R$ 10 por "viagem", rende lista de clientes fiéis.

Outra "bronca" que os carroceiros pretendem resolver, é a rejeição de parte da comunidade diante da exploração dos animais. "Tem gente que sacrifica os bichos, mas nós trabalhamos sério. Minha égua come 15 quilos de ração por dia e ainda levo para pastar. Também poupo de grandes cargas, sempre respeito um limite de peso para que ela não sofra", conta Gringo sobre a égua Buga, de 6 anos.

Seguindo exemplo dos colegas de Dourados, o grupo quer criar a Associação de Carroceiros de Campo Grande, que teria, nas contas dos que encabeçam a ideia, cerca de 6 mil associados. O levantamento foi feito no ano passado, "anotando nome por nome dos carroceiros que trabalham na cidade", conta Gringo.

José Rodrigues, de 60 anos, é um dos que resiste aos tempos modernos e há 25 anos trabalha como carroceiro no Jardim Aero Rancho. Criou os filhos, construiu a vida, mas a cada dia diz que está mais difícil continuar na profissão. "Não sei trabalhar com outra coisa, mas é complicado. Pegaram meu animal e disseram que da próxima vez vão apreender", comenta.

Na sexta-feira passada, o grupo procurou o Centro de Defesa dos Direitos Humanos Marçal de Souza para pedir apoio.

"Mostramos o que é necessário para criação da entidade, para organizar a categoria. Apresentamos um modelo de estatuto, e vamos ajudar nesse processo", explica o presidente da entidade, Paulo