Cadeirante percorre 6 km à noite por falta de ônibus adaptado, denuncia mãe
Estudante de psicologia enfrenta chuva, risco no trânsito e pressão para usar transporte sem acessibilidade
Sem transporte acessível na volta da faculdade, um estudante cadeirante de 20 anos tem enfrentado o trajeto de cerca de 6 quilômetros pelas ruas de Coxim, à noite, com risco no trânsito e exposição à chuva.
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Um estudante cadeirante de 20 anos enfrenta dificuldades para retornar da faculdade em Coxim (MS) devido à falta de ônibus adaptado. Alessandro Lucas da Silva, que cursa Psicologia na UEMS, precisa percorrer 6 quilômetros em sua cadeira elétrica durante a noite, enfrentando riscos no trânsito e exposição às intempéries. Segundo Maria Rosa Gomes da Silva, mãe do jovem, enquanto há transporte adaptado disponível na ida à universidade, o retorno não conta com veículo acessível. A situação tem gerado preocupação devido aos riscos à segurança do estudante, que já enfrentou problemas com chuva e falhas no equipamento durante o trajeto.
O caso foi relatado pelo canal Direto das Ruas na tarde desta quinta-feira (19) pela mãe do jovem, Maria Rosa Gomes da Silva, de 46 anos. Segundo ela, o filho Alessandro Lucas da Silva cursa Psicologia na UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e depende de ônibus com rampa para se locomover.
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O problema, conforme o relato, está no retorno para casa. “Ele precisa de um ônibus que tenha rampa para entrar com a cadeira elétrica, que são as pernas dele. Na ida tem, mas na volta querem que ele vá em outro ônibus que não tem acessibilidade”, afirma.
Sem alternativa, o estudante percorre o trajeto pelas ruas da cidade utilizando a cadeira elétrica, o que, segundo a mãe, coloca a segurança dele em risco. “Eu sempre tenho que acompanhar ele de moto, porque muitas vezes as pessoas não respeitam no trânsito. Esses dias quase aconteceu um acidente”, relata.
A situação se agrava em dias de chuva ou quando há problemas com o equipamento. “Esses dias ele chegou na marra, quase ficou no caminho por causa da bateria da cadeira. Ontem mesmo ele se molhou todo na chuva, e ainda estava gripado e tossindo”, diz.
Maria também questiona as condições do transporte oferecido. Segundo ela, o ônibus indicado para o retorno já circulou com passageiros em pé, acima do permitido.
Além disso, afirma que o filho tem sido pressionado a aceitar o uso do veículo sem acessibilidade. “Mandaram uma assistente social que tentou convencer ele a usar esse ônibus. Ela disse que ele tinha que pensar no coletivo e não só nele. Ele ficou constrangido, porque só está lutando por um direito”, afirma.
De acordo com Maria Rosa, o estudante já teve ansiedade no passado e a situação tem causado preocupação. “Tenho medo de ele voltar a precisar de remédio por causa dessa pressão”, diz.
Apesar das dificuldades, o jovem segue frequentando as aulas. “Ele vem batalhando para não desistir do curso”, completa a mãe.
Em reposta do Campo Grande News, a Prefeitura de Coxim, por meio da Secretaria Municipal de Educação, afirmou que o transporte universitário oferecido ao estudante é um serviço “de cortesia e apoio à educação”, já que a obrigação do município se limita à rede municipal. Segundo a administração, não procede a informação de falta de acessibilidade no retorno, pois o aluno seria atendido por dois veículos adaptados: na ida, com ônibus com rampa, e na volta, por coletivo com elevador lateral que o deixaria em casa.
O impasse, conforme a prefeitura, estaria relacionado ao uso de cadeira elétrica, que “possui dimensões e peso que dificultam a operação segura” no equipamento disponível à noite, embora o veículo “cumpra todas as normas de acessibilidade”. O município também informou que organizou horários para evitar atrasos e se colocou à disposição da família para orientar o uso do sistema.
*Matéria editada às 17h34 para acréscimo de informações.
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