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Campo Grande, Terça-feira, 25 de Setembro de 2018

15/04/2017 09:40

CCR MSVia lucrou, contratou, investiu menos e ainda quer reajustar contrato

Empresa arrecadou R$ 291 milhões só com o pedágio em 2016 e teve lucro de R$ 57 milhões, mas quer revisão de contrato para ‘se livrar’ do prazo para duplicar rodovia

Anahi Zurutuza
BR-163 próximo à Capital, onde pista ainda não foi duplicada; rodovia federal é uma das mais movimentadas do Estado (Foto: Arquivo)BR-163 próximo à Capital, onde pista ainda não foi duplicada; rodovia federal é uma das mais movimentadas do Estado (Foto: Arquivo)

Alegando precisar revisar o contrato com o governo federal para não ir a falência, a CCR MSVia lucrou R$ 57 milhões com a BR-163 no ano passado, contratou 269 pessoas e reduziu em 13,2% o total de investimentos em relação ao ano anterior.

Apesar de fechar 2016 com balanço financeiro positivo, diante da crise econômica, a empresa quer “se livrar” da obrigação de duplicar até 2020 toda a rodovia federal que corta Mato Grosso do Sul de norte a sul.

Conforme consta no balanço financeiro do ano de 2016, divulgado pela CCR no dia 7 de março, a receita da empresa foi de R$ 750 milhões, quase 30% a mais que o total arrecadado no ano anterior – R$ 580 milhões.

Só o pedágio – que custa por veículo entre R$ 4,60 e R$ 7,40 – rendeu à concessionária R$ 291 milhões, três vezes o total arrecado em 2015, quando motoristas pagaram R$ 89 milhões à empresa para trafegarem pela BR-163.

Em 2016, a CCR MSVia investiu menos, R$ 533 milhões em obras, equipamentos e veículos.

Segundo divulgou no relatório, foram 13,2% a menos que em 2015, quando gastou com R$ 637 milhões.

A empresa terminou o ano com lucro de R$ 57 milhões e novas contratações. Hoje, a concessionária emprega cerca de 3 mil pessoas no Estado, se contatos os terceirizados.

Crise – Em tempos de recessão, empresas de todos os setores da economia apertam os cintos e o economista Marcio Coutinho explica que apesar de estar aparentemente bem financeiramente não significa que a CCR MSVia ou qualquer outras empresa tenha de cortas gastos. “Numa análise geral, a gente perceba que o que a empresa quer é parar de investir e continuar arrecadando para ganhar fôlego, para não serem estrangulados no futuro. Empresas deste porte projetam lá na frente”.

O economista explica que é justamente por isso que grandes companhias dificilmente quebram, como aconteceu com o pequeno empresário.

Coutinho lembra ainda que o fato de ter contratado no ano passado também não é sinal de que a concessionária está passando ilesa pelos anos de recessão econômica. “Os gastos com pessoal tem impacto significativo nas despesas, mas é a última coisa que o empresariado corta, justamente porque saber que para recontratar, treinar vai gastar mais ainda”.

Trecho duplicado da rodovia federal (Foto: CCR MSVia/Divulgação)Trecho duplicado da rodovia federal (Foto: CCR MSVia/Divulgação)

Estágio das obras – Em três anos, metade do prazo para que a CCR concluísse a duplicação da BR, nem um quinto da obra foi terminada. Até agora, só 138 km da rodovia têm pistas duplas, embora a empresa argumente que a quantidade de trechos duplicados ficou acima da meta – que era de 129 km – para o período.

A empresa tem o compromisso, firmado em contrato, de duplicar 806 km até o quinto ano da concessão, mas na quarta-feira (11), a concessionária anunciou a paralisação das obras na rodovia, ao menos até que o pedido de revisão contratual para que o prazo seja prorrogado por tempo indeterminado.

A proposta da empresa é repactuar o acordo de forma que entre o 10º e 15º ano de operação, metade da rodovia (400 km) esteja duplicada.

Revisão –  O presidente da CCR MSVia, Roberto Calixto, explicou que desde a assinatura do contrato, em março de 2014, as condições econômicas do país mudaram, as taxa de juros subiram de 5% para 7,5% no período e em 2013 quando as projeções foram feitas o Brasil não passava pelas dificuldades, que iniciaram em 2014.

Para as obras na BR-163, a empresa fez dívidas milionárias de longo prazo com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e com a Caixa Econômica Federal.

A CCR cogita rescindir o contrato caso não tenha o prazo ampliado, mesmo sob pena de multa, mas não detalha valores, estimados em milhões.



É o fim da picada. Receberam um patrimônio público, construído com dinheiro público, tiveram lucro, continuam cobrando, e já querem rever a concessão sem a contrapartida.
Alô Ministério Público, confiamos em você.
 
Nino Fell em 15/04/2017 20:47:28
Utilizo o trecho entre Dourados e Mundo Novo constantemente, aproximadamente a cada 45 dias e posso afirmar que tem vários trechos em condição lamentável. Levando em consideração o perfil moral dos políticos e gestores do nosso estado, acredito que a CCR vai corrompe-los e obter o benefício de continuar cobrando pedágios absurdos e não cumprir os termos estabelecidos primariamente no contrato de concessão.
 
Luiz Eugenio de Arruda em 15/04/2017 20:08:03
Devolvam a BR 163 para o governo federal e caiam fora CCR MS Via! Alguem aqui ja tentou realizar uma denúncia no DNIT? Façam para ver... Te tratam feito um idiota, não fazem nada com seu chamado. Eu nao duvido nada que o governo ceda ...
Fica a dica meu povo, parem de circular pela 163. Se for para Dourados ou Ponta Porã, vá pelas estaduais.
 
Tiagochico em 15/04/2017 20:00:11
É simples ! a CCR Via continua fazendo a sua manutenção nas rodovias, e paralisa a cobrança do pedágio até que alcance os valores absurdo que pagamos nesses anos,ai sim encerra o contrato!. #achaquesomosidiotas
 
Diego Fernanda em 15/04/2017 15:48:19
Se vão parar, tem que parar de cobrar pedágio, e esta havendo muito desperdício, e serviços mal feitos, tem trechos que já refizeram trêz vezes
 
Fazendeiro em 15/04/2017 10:53:51
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