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Campo Grande, Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

12/04/2017 13:44

Paralisia da duplicação na BR-163 pode gerar até duas mil demissões

Aline dos Santos
Presidente da CCR MS Via apresentou dados sobre contrato durante coletiva de imprensa. (Foto: André Bittar). Presidente da CCR MS Via apresentou dados sobre contrato durante coletiva de imprensa. (Foto: André Bittar).

A paralisia por tempo indeterminado nas obras de duplicação da BR-163, que liga o Estado de Norte a Sul, pode resultar na demissão de duas mil pessoas. Nesta quarta-feira (dia 12), a CCR MS Via, que administra a rodovia, anunciou a suspensão dos investimentos e que protocolou um pedido de revisão de contrato na ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

“A paralisação da obra certamente vai originar a demissão dos parceiros. A MS Via conta com mil funcionários próprios e 3 mil de empresas terceirizadas. Nesse universo de 3 mil, deverá ter uma redução significativa. No quadro próprio, esse número é pequeno, em tono de 70,80 pessoas”, afirma o presidente da CCR MS Via, Roberto Calixto, que participou de entrevista coletiva hoje em Campo Grande.

Sobre os terceirizados, ele avalia que a redução pode chegar a 70%, percentual que, considerando total de 3 mil, equivale a 2.100 demissões. “Porque as empresas continuam operando, têm outros serviços”.

Conforme estimativa do Sinticop (Sindicato dos Trabalhadores na Construção Pesada de Mato Grosso do Sul) um efeito imediato da paralisação das obras é a perda de 1.500 empregos.

“Já fomos comunicados por algumas empresas que haverá dispensa em massa. A CCR MS Via só vai manter os funcionários que fazem a manutenção da rodovia, em torno de 200 pessoas”, afirma o presidente do sindicato, Walter Vieira dos Santos.

A empresa atribui a situação a fatores como menor demanda de veículos do que a projeção inicial, atraso de um ano na liberação de licenças ambientais para obras de duplicação, encargos não previstos no financiamento com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e crise econômica.

Dentre os pedidos, que não têm prazo para ser avaliado pela ANTT, estão a revisão da estrutura econômico e financeira do contrato a longo prazo e duplicação somente em alguns pontos. Desta forma, deixa de valer o prazo para duplicação de 806 km em cinco anos. Ou seja, o contrato pode completar os 30 anos sem que toda a rodovia tenha sido duplicada.

Por enquanto, serão mantidos serviços como o 0800, atendimento pré-hospitalar, conservação, equipe de tapa-buraco, limpeza da via, serviço de guincho. Os itens serão mantidos com a arrecadação do pedágio.

Finanças – A CCR MS Via teve receita de R$ 445 milhões em três anos. O custo operacional foi de R$ 350 milhões, com pagamento de juros de R$ 47 milhões. O investimento nas obras totalizou R$ 1,5 bilhão. Sendo R$ 842 milhões financiados por BNDES e Caixa e R$ 662 milhões de aporte de acionistas. Em três anos, foram recolhidos R$ 61,9 milhões para 21 prefeituras que ficam às margens da BR-163.

Vida e morte– A concessionária fez restauração de pavimento em 330km, tem rede de fibra óptica em 389 km, conta com 407 câmeras e 17 bases de atendimento. O SAU (Serviço de Atendimento ao Usuário) registrou 241 mil ocorrências, atendeu 136 mil pessoas e realizou sete partos em três anos. A 163, que tinha o título de Rodovia da Morte, teve redução de 31% nos óbitos.

 

Rodovia pode terminar  período de 30 anos de contrato sem duplicação. (Foto: Alcides Neto)Rodovia pode terminar período de 30 anos de contrato sem duplicação. (Foto: Alcides Neto)


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