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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

17/06/2008 08:55

Confronto entre índios e PM termina com cinco presos

Redação

Um confronto no início da manhã desta terça-feira entre a PM (Polícia Militar) e índios da aldeia Passarinho em Miranda, que fica a 212 quilômetros de Campo Grande, terminou com cinco pessoas presas.

A PM foi para a fazenda Boa Sorte com oficial de Justiça para cumprir mandado de reintegração de posse. Segundo os policiais, quando eles conversavam com as lideranças do local, começaram a ser atacados com flechas, pedras e facão. A versão dos índios é bem diferente.

As lideranças foram oficiadas da determinação judicial e mesmo assim houve confronto, que começou com cerca de 60 índios e a mesma quantidade de policiais.

No entanto, de acordo com a PM, mais indígenas se aproximaram e passaram a atacar os policiais, que revidaram com balas de borracha e granadas de efeito moral.

Segundo a PM, quatro lideranças indígenas foram presas por desobediência e uma mulher por dano, pois quebrou um vidro da viatura com tijolo.

O proprietário da fazenda, Nilton Dias Miranda, disse que os índios invadiram a propriedade desde sexta-feira (13), alegando que a terra pertence a eles.

Esta foi a segunda vez que a propriedade de 55 hectares é invadida. A primeira foi em 18 de maio, e houve um acordo para que desocupassem.

O superintendente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Claudionor Miranda do Carmo, deve ir para Miranda.

Índios - Os indígenas contam outra história sobre o que ocorreu hoje e contabilizam apenas quatro presos: Jaime de Almeida, Florindo da Silva Filho, Ramona Quirino Araújo e Normberto Lopes.

Segundo lideranças, a Polícia chegou com a determinação da Justiça Estadual, que foi contestada pelos índios, assim como a desocupação na madrugada, o que é arbitrário, reclamam.

Ao serem comunicados que as famílias não aceitavam deixar a área, os policiais teriam feito ameaças e, "para intimidar as família, saíram atirando para o alto e jogando bombas de efeito moral. Muita gente ficou machucada, até crianças", conta o terena Jelson de Almeida.

Os terena argumentam que decidiram entrar na área pela segunda vez na última sexta-feira, diante da demora nos estudos antropológicos para a demarcação da terra indígena reivindicada por eles.

As famílias que vivem hoje nas aldeias Passarinho e Moreira ocupam 160 hectares em Miranda, mas receberam da Procuradoria da República a informação de que os registros mostram que na verdade eles têm direito a 208 hectares.

A diferença seria, justamente, onde fica a propriedade invadida no dia 13. "Temos fotos que mostram que a área é nossa", garante Jelson.

Sobre as ameaças que índios teriam feito ao dono da área, o terena afirma que nada disso ocorreu. "Pelo contrário, já procuramos até o Ministério Público para denunciar as ameaças de morte feitas pelo Nilton contra o cacique da Passarinho", assegurou.

 

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