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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

13/05/2010 18:38

Conselho Tutelar intima mãe a parar de constranger filho

Redação

Acorrentada em frente ao portão da sede da Igreja Universal do Reino de Deus, Sueli Ferreira de Moura recebeu há pouco um telefonema de uma conselheira tutelar identificada como Andrea, que também exerce a função de obreira da igreja, e disse que a mulher será intimada a prestar depoimento ao órgão sobre o protesto que está fazendo no sentido de pedir a volta do filho à vida normal.

A mesma conselheira que ligou para Sueli é acusada por ela de não ter registrado ocorrência sobre o problema do seu filho. A mãe persiste em afirmar que a Igreja Universal fez lavagem cerebral no jovem, o impossibilitando de ter uma vida normal.

Sueli procurou o Conselho Tutelar da Capital há 15 dias e em contato com Andrea, ficou sabendo que ela era obreira e que respeitava sua religião, mas não consentia com o comportamento do filho. "Conversei por uma hora e quinze minutos com ela, mas ela se recusou a registrar ocorrência", protesta a mãe.

Com ânimos exaltados e num tom de discórdia, Sueli e a conselheira começaram a discutir, quando o telefone foi desligado. Ao lado dela está o filho, que permanece calado e prefere não tecer opinião sobre o episódio.

Uma mulher de 30 anos, amiga de Sueli, disse ao Campo Grande News que até o momento nenhum bispo foi até a frente da igreja conversar com a mãe desesperada. "Só vieram algumas obreiras e disseram que ela estaria com o demônio no corpo".

Algumas mulheres que acompanham o drama de Sueli estão de prontidão na frente da igreja e adiantaram que se a imprensa sair do lugar, a mãe será enxotada dali.

O fanatismo religioso do adolescente chegou a tal ponto que ele pediu à mãe para emancipá-lo, pois não quer ter família. "Ele até rouba coisas de casa para dar à igreja", ressalta uma amiga da família.

Sueli também conta que já procurou um delegado na DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) e suplicou para que o filho fosse retirado da igreja. "O delegado só olhou pra mim e disse: eu atendo cem mães que querem os filhos na igreja e vem você e pede para eu tira-lo da igreja!".

"Não sou contra a igreja, mas sim ao modo como a igreja tem influenciado o meu filho. Eu o criei para vê-lo formado e não vendendo balas na rua", reclama Sueli.

O adolescente saiu da escola Joaquim Murtinho às 17h30. Uma advogada que não quis se identificar, apontada como representante da Igreja Universal do Reino de Deus, o buscou. Antes de entrar no veículo o jovem foi recomendado a não falar nada para a imprensa. Apesar de querer se expressar, a mulher impediu qualquer manifestação do jovem.

Decidida, Sueli afirma que prefere o filho em um abrigo a vê-lo na Igreja Universal e que só sairá dali assim que a avó do garoto, que mora em Recife, chegar a Campo Grande.

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