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06/10/2017 10:25

De volta do Haiti, militares trazem saudades e muita história para contar

Missão no País devastado por terremoto em 2010 marcou quem foi para ajudar na reconstrução

Renata Volpe Haddad
Ex-integrantes da Força de Paz no Haiti, em solenidade realizada hoje. (Foto: Divulgação)Ex-integrantes da Força de Paz no Haiti, em solenidade realizada hoje. (Foto: Divulgação)

Um terremoto que atingiu o Haiti em janeiro de 2010, causando grandes danos à capital Porto Príncipe e outros locais da região, destruiu milhares de edifícios, todos os hospitais, e os principais presídios. O Brasil enviou tropas militares em uma missão que acabou este ano. Do CMO (Comando Militar do Oeste), foram enviados três mil homens, em três contingentes: 2006, antes do terremoto, 2010 e 2013.

A solenidade dos militares da Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti) de Mato Grosso do Sul, foi realizada na manhã desta sexta-feira (6), em Campo Grande. As histórias dos militares que participaram da missão, são muitas. Uma que chama bastante atenção, é do enfermeiro, Sargento Firmino Garcia, que foi duas vezes ao país, em missão.

A primeira vez foi em 2010, logo após o terremoto e o sargento relembra o que sentiu quando chegou ao país. "Sabíamos do desastre que o terremoto causou pelo que a mídia publicava, mas quando eu cheguei lá, tudo mudou. As pessoas estavam sofrendo e elas viam na gente um escape, uma ajuda, um pedido de socorro", conta.

Garcia diz ainda que como os hospitais foram devastados com o terremoto, o Exército brasileiro era quem ajudava a população. "O Haiti estava devastado. A base de Forte Nacional foi aberta ao público. Ouvi muitos choros. Eu fiz 13 partos na nossa base. Salvei vidas. E os haitianos eram tão gratos a nós, que nada paga essa gratidão", relembra com lágrimas nos olhos.

Participantes da Força de Paz foram homenageados hoje. (Foto: Divulgação)Participantes da Força de Paz foram homenageados hoje. (Foto: Divulgação)

A vida do sargento cruza com a do haitiano eletricista, Chamyr A Jean, de 34 anos, ainda em 2010. Eles se conheceram em um curso de enfermagem ministrado pelo Exército. Os dois ficaram muito amigos.

O haitiano conta que morava no bairro Forte Nacional, onde tinha o batalhão brasileiro. "Eu fazia faculdade de Administração e o Exército tinha proximidade com a faculdade. Fazíamos atividades juntos, organizamos partidas de futebol e conheci o Garcia em um curso que eu participei", relata.

Depois de seis meses, tempo que cada contingente ficava no país, podendo retornar novamente, o sargento embarcou para Mato Grosso do Sul. Ele conta que voltou ao Haiti em 2013 e teve uma surpresa. "Quando cheguei em Forte Nacional, encontrei Chamyr trabalhando dentro do Exército, como intérprete. Ele se destacava entre os outros e era o sonho dele trabalhar com a gente", relembra.

Chamyr diz que queria muito ajudar os militares. "Eles chegaram num país sem saber a língua, sem conhecer ninguém, o trabalho deles era muito difícil e eu queria muito ajudar".

O haitiano Chamyr, que hoje vive em Campo Grande, junto com o amigo, Sargento Garcia. (Foto: Renata Volpe)O haitiano Chamyr, que hoje vive em Campo Grande, junto com o amigo, Sargento Garcia. (Foto: Renata Volpe)

Sobre como começou a falar português fluente, Chamyr diz que aprendeu conversando com os militares. "Eu buscava pela internet como falar e não saía sem um dicionário, foi assim que eu desenvolvi o idioma", lembra.

O desempenho do haitiano dentro da base, chamou atenção das autoridades. "O major Garcia me disse em 2013 que eu me destacava entre os outros e que tinha ganhado um presente, mas não falou o que era. Mas meu sonho era conhecer o Brasil. Uns meses depois, ele chegou com meu visto e um passaporte".

Chamyr chegou em Campo Grande em dezembro de 2014. O sargento conta que pediu para o colega ficar uma semana na cidade para conhecer. "Ele mudou a ideia de vir só para visitar e teve uma oportunidade de curso técnico. Ao fim do curso, ele já foi empregado, começou a trabalhar. Nós ajudamos com o visto permanente para ele poder trabalhar e hoje já tem a casa própria. É muito gratificante ter ajudado as pessoas lá e poder continuar ajudando aqui", conta Garcia.

Solenidade foi realizada no CMO, em Campo Grande. (Foto: Renata Volpe)Solenidade foi realizada no CMO, em Campo Grande. (Foto: Renata Volpe)

Miséria - O coronel Reginaldo Santos foi em 2013 ao Haiti como chefe de seção do estado maior, que é responsável pelo recursos humanos. No ano, em torno de mil militares embarcaram com ele na missão. "O militar brasileiro tinha por missão maior, manter o Haiti em um ambiente seguro e estável, porque existia muita violência em todos os níveis, roubos e as tropas de paz foram para lá, para tentar dar uma melhor condição de vida".

O que mais chamou atenção do coronel no país, foi a miséria. "Mais de 90% da população haitiana, vive abaixo da linha da miséria. Pessoalmente, isso foi o que mais me chamou atenção. Quando você retorna da missão, você volta com outro olhar. Comecei a dar valor em coisas que antes eu não me importava. Fazer parte dessa história é muito gratificante".

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