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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

05/04/2011 11:00

Família é despejada de prédio do antigo albergue noturno da Capital

Paula Vitorino

Família teve de deixar prédio do antigo albergue. (Foto: João Garrigó)Família teve de deixar prédio do antigo albergue. (Foto: João Garrigó)

A família de Joelson Corrêa da Silva, de 58 anos, foi despejada na manhã de hoje do prédio onde antigamente funcionava o albergue noturno de Campo Grande. Ele era zelador do local há 11 anos e morava junto com a esposa e as três filhas, de 11, 13 e 14 anos.

De acordo com Joelson, a ação de despejo foi “uma surpresa”, apesar de há meses saber da possibilidade. Ele diz que a família já havia sido notificada em datas anteriores para deixar o local, mas “nunca ninguém apareceu para tirar a gente, desta vez eles apareceram sem avisar”.

Ele negava-se a sair do prédio enquanto não recebesse seus direitos trabalhistas por ter sido funcionário do local, que era mantido pela Associação das Abnegadas de Mato Grosso do Sul.

Há alguns meses a Prefeitura Municipal comprou o prédio e entrou com ordem de reintegração de posse na justiça.

“Esse é o resultado de você ter direito e trabalhar honestamente. Eles chegam e te arrancam de qualquer jeito”, desabafa.

Junto com a ação de despejo desta manhã, o oficial de justiça solicitou a escolta da Polícia Militar, um caminhão fretado da Prefeitura Municipal e uma equipe do CCZ (Centro de Controles de Zoonozes).

Até o cachorro de estimação da família foi levado pelo CCZ, que segundo o morador, não teria apresentado justificativa para retirar o animal. “Talvez tenham ficado com medo de usarmos o cachorro para resistir a desocupação”, aponta Joelson.

A desocupação foi feita de forma improvisada, utilizando baldes e alguns caixotes para armazenar os poucos móveis do albergue e levar para dentro do caminhão de mudança.

Joelson disse que provisoriamente irá para a casa de um filho, que mora no bairro Lageado.

“Não sabemos nem como está a situação da residência, se vai caber todo mundo”, contou Joelson sobre o único local que a família tem para ficar.

Ele negou-se a ir para um abrigo municipal. “Não sou mendigo”, afirmou.

Apenas o ex-zelador estava no local no momento do despejo. As filhas estavam na escola e a esposa trabalhando de doméstica. Ele irá aguardar até que toda a família chegue para sair do albergue.

O advogado da família informou que já está tomando as devidas providências para “tentar reverter a situação”.

Joelson Corrêa da Silva, de 58 anos, foi despejada na manhã de hoje.Joelson Corrêa da Silva, de 58 anos, foi despejada na manhã de hoje.

Caso - Joelson foi contratado como auxiliar de serviços gerais e cuidava sozinho do albergue noturno, que abrigava pessoas que passavam pela Capital e não tinha local para dormir. Entretanto, ele diz nunca ter recebido corretamente o salário combinado, além de horas extras e adicionais noturnos.

O ex-zelador moveu processo trabalhista contra a Associação das Abnegadas. No dia 4 de agosto de 2009 houve audiência sobre o caso e a entidade sequer mandou representantes. A instituição foi condenada a pagar as dívidas trabalhistas, mas alegou não ter recursos, sendo o prédio do antigo albergue seu único patrimônio.

A destinação do prédio ainda não foi definida pela prefeitura de Campo Grande, que comprou o local, mas já foram levantadas propostas para construção de um pronto-socorro infantil, de uma unidade para saúde do homem e centro de apoio ao turista.



Bem lembrado Carlos Alberto...
Se existe uma ação contra a antiga proprietária, a Prefeitura não poderia ter "comprado" o imóvel, pois deve constar na matrícula do imóvel (no cartório) a penhora do bem...
É mais um triste exemplo da justiça para com os pobres...
 
José Rodrigues em 06/04/2011 12:32:15
A Associação deveria ter sido mais humana com a situação desse senhor. E ainda passou o truque geral, tanto nele como na prefeitura, vendendo o bem e não pagando a idenização com o dinheiro que receberam. A situação é completamente absurda, os ex-dirigentes dessa associação precisam responder legalmente pelo extremo a que esta situação chegou.
 
Elisete Vieira em 06/04/2011 08:39:29
Interessante como a velocidade das coisas ocorre diretamente na proporção dos interesses.... o trabalho para prevenir os resultados das enchentes em Campo Grande, os trabalhos de prevenção da dengue (no que concerne ao poder publico municipal), a situação da Santa Casa (na parte que refere ao poder publico municipal)....dentred tantas outras coisas, caminham mais lentos que uma tartaruga... Penso que a mesma justiça que é celere em questões como a da reportagem acima, deveria também ser celere e severa na cobrança de ações junto aos dirigentes municipais...em benefíco da população !
 
Augusto Malheiros em 06/04/2011 07:24:23
acredito sim, que essa familia que dizia cuidar do prédio do albergue tenha seus direitos, mas, ja tinha passado a hora da prefeitura intervir no local. Pois sou moradora do bairro, esse albergue além de ter um aspecto horrivel para abrigar os desamparados, tambem é um local de atrair bandidos para Campo Grande colocando em riscos muitas familias... Puxa até que enfim autoridades conseguem tomar uma iniciativa.....
 
marcia sarandia em 05/04/2011 11:43:25
Espero que não fique em pune os seus direitos. Deus que ajude esta familia e seu advogado também.
 
Lucelia Ribas em 05/04/2011 06:20:04
Não sou advogado, mas se existe uma ação trabalhista e o prédio estava no nome dos devedores, ele não poderia ser vendido, e sim servir de penhora e leiloado, se preciso for, para pagar a dívida trabalhista. Algum advodado poderia verificar o caso. É triste ver uma família humilde ser despejada assim.
 
Carlos Alberto em 05/04/2011 03:14:35
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