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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

15/05/2013 11:30

Funai diz que situação é tensa, mas nega que índios estejam armados

Paula Maciulevicius

A Funai (Fundação Nacional do Índio) nega que os índios que invadiram a fazenda Buriti, na região de Sidrolândia, estejam armados e afirma que os terena estão usando fogos de artifício. O grupo passa de 350 indígenas que ocupam três fazendas, além da Buriti, eles tomaram por inteiro a Querência São José e Santa Helena, onde já estavam desde o início do ano.

Conforme a Funai, o clima é considerado tenso, no entanto, não houve tiroteio e a decisão de tomar por completo as duas propriedades e entrar na Buriti foi acordada em uma reunião na tarde desta terça-feira. A Funai afirmou que já comunicou a Polícia Federal sobre os acontecimentos.

Os terena, segundo a Funai, não pretendem deixar as fazendas.

Às 4h30 da manhã de hoje, de acordo com a proprietária da fazenda Buriti, Jussimara Bacha, índios chegaram pela estrada armados e atirando. Por volta das 23h eles já tinham entrado na fazenda vizinha, onde fizeram um segurança refém. A primeira tentativa foi de entrar pelos fundos da Buriti e chegar até a sede. Houve reação dos seguranças da propriedade e os indígenas recuaram.

No início da manhã, a proprietária conseguiu visualizar cerca de 100 indígenas ocupando o pasto da fazenda. Na sede estão além de Jussimara e o filho, um casal de funcionários, três crianças e dois seguranças.

Disputa – Índios terena ocupam desde maio de 2011, a fazenda 3R, também da família Bacha. A série de ocupações é parte da reivindicação dos 17 mil hectares da aldeia Buriti que estão na posse de fazendeiros e que foram identificados em 2011 como terras indígenas. Atualmente, cerca de cinco mil índios vivem em apenas 2,1 mil hectares.

No dia 02 de agosto de 2001, a Funai identificou 17.200 hectares como Terra Indígena Buriti. No mesmo ano, fazendeiros da região solicitaram a nulidade da identificação antropológica, através de uma Ação declaratória na Justiça Federal de Campo Grande. Durante este período a demarcação ficou paralisada.

Em 2004, o Juiz Federal de Campo Grande, Odilon de Oliveira, deu a sentença do processo, decidindo contra os direitos territoriais do povo Terena.

Após a decisão do Juiz, foram movidos recursos pelo Ministério Público Federal e Funai para o Tribunal Regional Federal da 3º Região, em São Paulo, que tramitaram até o seu julgamento definitivo em 11 de dezembro de 2006.

Na decisão do Tribunal, foi modificada a sentença proferida pelo Juiz Federal de Campo Grande, reconhecendo que a Terra Indígena Buriti é terra “tradicionalmente ocupada pelo povo Terena”, sendo determinado o prosseguimento normal da demarcação pelo Governo Federal. Em 25 de Julho de 2005 ainda foram movidos pelos fazendeiros Embargos contra a decisão o que causou ainda mais demora na solução do processo.

Com a decisão do Tribunal Regional Federal reconhecendo os direitos territoriais dos Terena, após 9 (nove) anos de espera, em 28 de Setembro de 2010, foi publicada a Portaria Declaratória (nº 3.079/2010) dos limites da Terra Indígena Buriti pelo Ministério da Justiça.

Em Outubro de 2009, houve uma grande mobilização de retomada de terras. Em novembro os Terena foram expulsos por ação da Polícia Militar de MS em conjunto com fazendeiros incidentes na Terra Indígena, sem que houvesse qualquer ordem judicial para isso. Foi instaurado Inquérito na Policia Federal de Campo Grande para apurar o caso.

Após a Portaria Declaratória do ministro, o próximo passo seria que a Funai promovesse a demarcação física dos limites da terra, disponibilizando imediatamente os profissionais encarregados para a colocação dos marcos, visando que o processo administrativo possa seguir para suas etapas finais, com a esperada homologação da demarcação pela Presidenta da República, Dilma Roussef.



FUNAI mentirosa.
O que é tacapé, faca e machado nas mãos dos índios como reportado pelo repórter de uma TV local?
Biscoito?
 
Erika Basso em 15/05/2013 15:08:36
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