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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

15/07/2008 19:00

Funai pode deflagrar ação para demarcar terras guarani

Redação

O governo federal quer deflagrar o maior levantamfento antropológico realizado em Mato Grosso do Sul de uma só vez, para demarcação de terras indígenas.

No dia 14 de julho, a Funai publicou seis portarias, determinando a criação de grupos técnicos para primeira etapa de trabalho necessário para identificar áreas tradicionais do povo guarani. O estudo deve ocorrer em 26 municípios do Estado (veja mapa abaixo), que juntos correspondem a quase 1/3 do território sul-mato-grossense.

A "força-tarefa" deve passar por Dourados, Douradina, Amambai, Aral Moreira, Caarapó, Laguna Carapã, Ponta Porã, Juti, Iguatemi, Coronel Sapucaia, Antônio João, Fátima do Sul, Vicentina, Naviraí, Tacuru, Rio Brillhante, Maracaju, Mundo Novo, Sete Quedas, Paranhos, Japorã, Bela Vista, Caracol, Porto Murtinho, Bonito e Jardim. Na maioria, locais já conhecidos por conflitos entre fazendeiros e indígenas, região de "reconhecido confinamento" da etnia guarani e reivindicada pelos índios.

A investigação em campo deve durar entre 13 e 73 dias, dependendo da área investigada. O grupo técnico terá oito meses para apresentar relatório com os resultados, a partir da finalização do levantamento nos locais, indicando onde estão e qual o tamanho do território que pertencia tradicionalmente aos índios e, portando, estão passíveis de demarcação.

O estudo é classificado como etno-histórico, antropológico e ambiental, e irá ouvir relatos de pessoas que há muito vivem na região, além de procurar vestígios de antepassados, como cemitérios indígenas ou objetos soterrados pelo tempo.

Dentre os membros da equipe estão ecólogos, pesquisadores, engenheiros agrônomos, geólogos e historiadores, do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e também profissionais sul-mato-grossense da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados).

As despesas serão custeadas pelo Programa de Proteção e Promoção dos Povos Indígenas e Ação de Regularização Fundiária de Terras Indígenas.

Reação - Apenas a possibilidade de início do levantamento já provocou reações em Mato Grosso do Sul. Para evitar o processo a ordem do governo estadual e impedir a publicação das portarias.

Hoje, em reunião com o presidente Lula, o próprio André Puccinelli teria pedido a suspensão, dentre outros assuntos que tratou em Brasília, como presidente do Codesul.

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