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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

13/05/2011 18:18

Gravação fala em cocaína no presídio federal; Ministério diz ser montagem

Marta Ferreira

O novelo de acusações entre agentes penitenciários demitidos do Presídio Federal de Segurança Máxima de Campo Grande e autoridades do Judiciário e Sistema Penal Federal ganha, a cada dia, mais voltas. A nova é uma gravação tornada pública pelos agentes, em que uma voz atribuída ao ex-diretor do Sistema Penitenciário, Wilson Damázio, diz, durante conversa com integrantes do sindicato da categoria, que entraram drogas na unidade de Campo Grande e na de Catanduvas PR).

Os agentes demitidos, acusados de tirar e divulgar documentos sigilosos do presídio. (Foto: João Garrigó)Os agentes demitidos, acusados de tirar e divulgar documentos sigilosos do presídio. (Foto: João Garrigó)

O Ministério da Justiça diz que foi tudo uma montagem dos agentes e dos advogados deles, investigada em sindicância. Conforme o Ministério informou, os agora ex-funcionários estão sendo processados por calúnia, em razão dos resultados da apuração.

A informação dada pelo ministério não que esclarece como teria sido feita essa montagem.

O diálogo em questão, ocorreu, segundo os agentes, em 7 de julho de 2008, em uma época de negociação salarial. Ao reclamar da postura dos sindicalistas, entre os quais está Yuri Mattos Carvalho, um dos demitidos na semana passada, a voz atribuída a Damázio diz que “entrou cocaína aqui, não entrou”, se referindo à unidade de Campo Grande. Uma outra voz questiona “entrou?”, e a que seria de Damázio reforça, “entrou cocaína aqui, entrou maconha lá”. O lá seria Catanduvas.

Na sequência, a afirmação que dá ainda mais gravidade ao teor da suposta conversa. A voz que seria de Damázio diz que nada foi feito para investigar a entrada dos entorpecentes nos presídios considerados os mais seguros do País, onde estão bandidos do quilate de Fernandinho Beira-Mar.

“Por acaso eu instalei algum procedimento contra os agepens?”, afirma a voz. “Você está vendo que é uma falha, não é nada dolosa. Eu não posso chegar e dizer que eu vou responsabilizar”, completa.

Wilson Damázio, citado na gravação, não está mais no Depen. Hoje, ocupa uma secretaria no governo do Pernambuco.

Guerra no sistema penal- O presídio federal de Campo Grande virou polêmica recorrente desde que os agentes denunciaram a existência de um sistema de gravação até de visitas íntimas dos presos, em 2008.

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) saiu em defesa dos direitos dos advogados de não sem gravados no parlatório e levou o caso ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça), denunciando irregularidades no uso das câmeras pela Justiça Federal, e ao CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), alegando que procuradores apoiaram o uso indevido de gravações.

Nas duas instâncias, os procedimentos foram considerados normais.

O imbróglio envolve a denúncia de tentativa de suborno do juiz Odilon de Oliveira, ex-corregedor do presídio federal, e a afirmação, em depoimento, de José Reinaldo Girotti, preso por assalto ao Banco Central, de que foi torturado por agentes penitenciários. Os fatos ficam mais nebulosos ainda porque tudo é investigado em sigilo.

Na semana passada, veio a decisão de demissão de quatro dos cinco agentes investigados, Yuri Mattos Carvalho, Ivanilton Morais Mota, Waldemir Ribeiro Albuquerque e José Francisco de Matos.

Os quatro protagonizaram ontem um bate-boca durante coletiva da corregedora do TRF da 3ª Região sobre o assunto, em que o principal teor foi a defesa do juiz Odilon de Oliveira.

O quinto agente investigado, Alexander dos Santos, não foi punido. Ele hoje trabalha na penitenciária federal de segurança máxima de Mossoró.



A hipótese aventada por Joni Coutinho é de que se trata de decisão judicial para esquentar a ordem (decisão judicial com data retroativa para dar ar de legalidade à ordem).

Do mesmo jeito que o Ministério Público Federal deixa de denunciar Damázio por prevaricação, poderá deixar de responsabilizar os sequestradores dos agentes Yuri e Valdemir por abuso de autoridade (teriam sido "convidados" a comparecer na superintendência da PF para absolutamente nada ser feito em relação a eles, o que demonstra a ilegalidade do ato).

Quando o Ministério Público Federal queda inerte em situações que tais, comete crime de prevaricação, porque a lei penal é para todos, mas com certeza jamais os membros do MPF denunciarão ums aos outros por prevaricação ou qualquer outro crime, o que gera uma espécie de reação em cadeia recíproca maculando toda a instituição.

Isso dá o direito da população acreditar falsamente que existe uma relação promíscua entre o Ministério Público Federal e a Polícia Federal.

Caso a Justiça Federal não cobre as providências do MPF, revelam-se indícios de que está acobertando o ato, cometendo também crime, que, aliás, jamais responderão por ele, visto que o MPF estaria sendo beneficiado e teria de quedar inerte.

Destarte, só resta à população em geral, na sua ignorância jurídica, acreditar falsamente que os poderes da república se tangenciam numa relação promíscua e criminosa.

 
Antonio Gomes de Jesus em 14/05/2011 12:01:41
Os demitidos devem procurar uma saída política para reverter suas demissões. Procurem a bancada de advogados (juristas) existentes no Congresso Nacional. Eles podem pressionar o Ministério da Justiça, uma vez que o resultado beneficiará não só a questão da prerrogativa do advogado como a prórpia OAB. Quanto a atuação do Juiz Odilon, é possível que sua decisão tenha sido feita a posteriori das filmagens feita no presídio, apenas para beneficiar o Damázio. Isso eu digo porque fui APF junto com Damázio e conheço seu modus operandi.
 
Jôni Coutinho em 14/05/2011 11:21:38
O Ministério da Justiça está agindo para proteger um pessoa confessadamente culpada, visto que Damazio já confessou que a voz falando da entrada de cocaína e maconha nas unidades prisionais é dele.

É por isso que a população não pode mais acreditar nas manifestações do órgãos públicos.

Tentam impor a mentira oficial.
 
Júlio Ambrósio de Menenses em 14/05/2011 09:54:58
Damázio apenas alega que foi em outro contexto, entretanto, a gravação monstra que ele mente com a maior desfaçatez!
 
Anton Van em 14/05/2011 09:50:06
Aquele presídio federal está parecendo a mesma m. dos presídios estaduais.
 
Joacir T. G. Torres em 14/05/2011 05:55:45
A cada nova notícia reafirmo minha convicção de que o crime organizado escalou os Poderes da República.

Detalhe: os agentes que denunciaram Damázio (Dadá, para os "íntimos") à Polícia Federal por conta da sua confissão do crime de prevaricação (em tese) pela inércia em relação à entrada de cocaína e maconha nas unidades prisionais federais (IPL 189), tiveram o IPL deturpado e estão sendo acusados de denunciação caluniosa porque teriam denunciado o coitado sabendo que ele é inocente. Que absurdo! Parece até piada, mas é verdade!
 
Ton Vander em 14/05/2011 05:31:05
Agentes demitidos lutem por seus direitos. Esqueçam os corruptos! Aprendam que são poderosos e tem a caneta em mãos. Receio que algo mais grave aconteça com vocês, afinal vocês já foram "convidados" a entrar no carro para dar um passeio na polícia federal, para serem "convidados" para visitar São Pedro não é nada difícil. Cuidado! Vocês todos tem família para cuidar. REFLITAM e se tiverem juízo, DESISTAM!
 
Rute Emília em 14/05/2011 04:22:59
É meu povo, esse país é inacreditável, quando se trata de justiça então!!!!! Não consigo entender como que para um mesmo fato haja um culpado e outro inocente quando ambos tiveram o mesmo grão de responsabilidade, enfim quando se precisa salvar a pele de um amigo ou de um "Coronér" A "lei" toma rumos diferentes e nos surpreende com soluções dignas de shakespere. Creio que ninguém entendeu a constituição no tocante a "igualdade", e assim se explica porque o símbolo da justiça é cega, é porque ela não vê a verdade e é corrupta.
 
Paulo Pereira Nascimento em 14/05/2011 03:19:57
Que novela global, que atores medíocres. A tropa de uma ONG sem noção, encabeçada por uma pessoa aposentada de forma precoce (é fato que somos nós, cidadãos de bem, que pagamos a aposentadoria, através do estado MS, por TRANSTORNO MENTAL do tal Paulo Magalhães, delegado de polícia civil "encostado" que a segurança pública quer distância, e que AINDA ASSIM "advoga", nessas condições, para os ex-agentes), e seus personagens de circo, resolve "invadir" um site sério de notícias. Pelo jeito, o mundo todo, encabeçado pelo juiz Odilon, arquiteta maldades e injustiças contra esses santos, verdadeiros paladinos da justiça (que Odilon, que nada!!), como se não tivessem coisas mais importantes para fazer. Está fácil resolver: mandem o Ministro da Justiça embora, mandem a juíza Suzana embora, mandem o juiz Odilon embora, mandem os outros juízes embora, mandem a União que entrou com ação fechar, fechem o MPF, fechem o MPE, fechem o DEPEN, mandem a AJUFE fechar, abram o presídio federal; E reintegrem os íntegros agentes e façam o aposentado por transtorno mental ter mente sã, para voltar à polícia civil (afinal, se pode advogar...). O Brasil, quem sabe, assim estará salvo. Ah, e o Léo, aquele da novela "Insensato Coração", será mocinho no final da trama. Como? Dizem que advogará para ele um aposentado por invalidez mental, que não tem nada de bem para fazer o dia todo, culto que só, e provará que todos conspiram contra o pobre coitado. Aguardem! Bom final de semana, aos que detém sanidade mental comprovada.
 
Marcio Lima em 14/05/2011 03:06:44
Tudo o que aconteceu é consequência da Lei da Mordaça do funcionalismo público, instituído na "era FHC" e bem recepcionada pelo PT. Ela veio em benefício da "santa impunidade".
 
Jôni Coutinho em 14/05/2011 01:34:04
O certo e o errado.

Juquinha havia quebrado um vaso de sua avó e juntou os cacos e os escondeu atrás da cortina da sala. Toda vez que a avó entrava na sala, Juquinha ficava muito temeroso que ela descobrisse o que ele havia feito. Isso causava um incômodo muito grande no menino e, como ele não conseguia imaginar uma forma de se livrar do que havia feito, resolveu dizer que atrás da cortina existia um grande sapo sigiloso (raça do sapo). A avó, que morria de medo de sapo, jamais chegava perto da cortina.

Paulinho era um bom menino, tinha ótimas notas na escola e respeitava muito todas as pessoas independente da qualificação delas. Certa vez Paulinho achou um carteira contendo muito dinheiro e resolveu procurar as autoridades para entregar o que havia encontrado. O policial pegou a carteira e elogiou o menino que ficou muito feliz. Ele saiu dalí correndo contar para sua mãe o que havia feito. Contou para os amigos e parentes. Ele estava feliz por ser reconhecido por "homem honesto", motivo pelo qual gostava de contar sua façanha para que todos os que o viessem a conhecer também o reconhecessem como tal.

Certa vez Paulinho foi visitar Juquinha e resolveram brincar de "pique esconde". Paulinho foi esconder-se atrás da cortina e pisou nos cacos do vaso. Agachou-se e pegou uns caquinhos e levou-os até Juquinha e disse: esse não era o vaso de tua avó? Juquinha, muito esperto, saiu correndo aos gritos dizendo de que Paulinho havia quebrado o vaso.
Juquinha - "foi ele, foi ele quem quebrou o vaso. eu vi". Paulinho apanhou tanto da avó que nunca mais foi visitar ao amigo.

Moral da história: história sem moral.
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VALDEMIR RIBEIRO ALBUQUERQUE em 13/05/2011 11:49:36
A Campo Grande News tem razão quando afirma que "os fatos ficam mais nebulosos ainda porque tudo é investigado em sigilo". Até porque não existe qualquer risco ao presídio federal e sim que algumas autoridades consideradas "ilibadas" venham a ser presas, demitidas ou aposentadas. Ocorre que este fato em especial NÃO pode ser montagem porque Damázio JÁ CONFESSOU NOS AUTOS que é o "dono" da voz e que realmente disse isso. Alega, para se defender que falou em outro contexto - todavia é um absurdo o Ministério da Justiça não ter ética ou honra de assumir para com a população a verdade dos fatos.
 
Paulo Magalhães em 13/05/2011 09:25:45
"tudo é investigado em sigilo". Pois é, o vento que venta cá, não venta lá!
 
Carlos Alberto de Oliveira Braga em 13/05/2011 07:07:09
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