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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

09/02/2009 16:05

Instrução do Ibama frustrou pesca neste carnaval

Redação

Neste ano, o período de defeso foi prorrogado pelo governo do Estado para que as ações de proteção seguissem uma instrução normativa do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), que determina que o defeso deve ir até o dia 28 de fevereiro. A decisão frustra a expectativa de pescadores que pretendiam ir para a beira dos rios do Estado nesse carnaval.

"O decreto estadual que instituiu o período de defeso é muito antigo e desatualizado, e nele está determinado que fica proibida a pesca nos rios do Estado até 31 janeiro, mas isso não é o que os técnicos do Ibama e dos Estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso recomendam", esclarece.

O período de defeso compreende os quatro meses em que a piracema acontece, quando os peixes sobem os rios para se reproduzirem. Durante este tempo, os pescadores profissionais recebem uma salário para não serem prejudicados e ainda lhes é permitido capturar cinco quilos de peixe mais um exemplar para sustento próprio.

Mas quem pretende pescar no carnaval vai poder fazê-lo, isso porque desde o dia 1º de fevereiro o Ibama liberou a prática da pesca esportiva, ou seja, o pesque e solte. Porém, isso vale somente para a calha do Rio Paraguai, em Mato Grosso do Sul. A pesca convencional, amadora e profissional, continua proibida em todos os rios do Estado até 28 de fevereiro.

Em busca de abrigo - A degradação ambiental dos rios tem forçado os peixes a buscarem lugares mais isolados para sua reprodução, este fato é constado pela Pesquisa de Período Reprodutivo, realizada todos os anos pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul).

O estudo não tem por objetivo fazer um levantamento da quantidade de peixes que há nos rios, mas sim determinar em que estágio da reprodução cada uma das espécies se encontra. Com os resultados é possível se saber se é necessário ou não estender o período de defeso.

"O que temos notado é que, para realizarmos este estudo, temos de ir cada vez mais para pontos distantes, usar diferentes tipos de petrechos e ainda esperar por mais tempo para capturarmos as espécies", revela Francisca Fernandes de Albuquerque, gerente de recursos pesqueiros e fauna do Imasul.

Segundo Francisca, isso não significa que está havendo uma redução da quantidade de peixes, mas sim que eles não estão encontrando facilmente os locais ideais para reprodução e para sobrevivência. "O assoreamento, o barulho, a navegação fazem os peixes buscarem locais com melhores condições para viverem e isso os leva para pontos mais isolados", explica, ressaltando que ainda existem peixes em "abundância" nos rios do Estado.

De acordo com a gerente, o Imasul não tem detectado redução dos estoques pesqueiros. "Caso isso estivesse ocorrendo, em nossas pesquisas nós encontraríamos apenas peixes adultos, ou só jovens e isso não está acontecendo", frisa.

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