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Acusado de encomendar morte da tia por herança tem liberdade negada

Relatora cita crime premeditado, disputa por patrimônio e risco de represália para manter prisão

Por Gustavo Bonotto e Bruna Marques | 17/08/2026 19:09
Acusado de encomendar morte da tia por herança tem liberdade negada
Maria José de Oliveira Beserra, de 70 anos, em foto tirada 15 dias antes de ser encontrada morta em Ribas do Rio Pardo. (Foto: Arquivo da família)

A desembargadora Elizabete Anache negou, no fim da tarde desta segunda-feira (17), em Campo Grande, o pedido de liberdade apresentado pela defesa de Fábio Santos Fogaça, de 45 anos, acusado de mandar matar a própria tia durante uma disputa por herança em Ribas do Rio Pardo, a 98 quilômetros de Campo Grande. A relatora da 1ª Câmara Criminal do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) considerou que há elementos concretos para manter a prisão preventiva, entre eles, a decisão cita o risco de intimidação ou represália contra outra pessoa ligada à disputa familiar.

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Desembargadora do TJMS negou pedido de liberdade de Fábio Santos Fogaça, 45 anos, acusado de encomendar a morte da tia Maria José, 70 anos, durante disputa por herança em Ribas do Rio Pardo. A magistrada manteve a prisão preventiva por risco de intimidação a envolvidos no caso e gravidade dos fatos. A defesa alegou colaboração com investigações, residência fixa e bons antecedentes, argumentos considerados insuficientes pela relatora.

Fábio está preso desde julho e foi denunciado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) como mandante da morte de Maria José de Oliveira Beserra, de 70 anos. A defesa pediu que a prisão fosse revogada ou substituída por outras medidas enquanto o pedido de liberdade é analisado em definitivo. Os advogados alegaram que ele colaborou com a investigação, entregou o celular para análise, tem residência fixa, trabalho, bons antecedentes e uma filha recém-nascida.

A desembargadora afirmou, porém, que esses fatores não afastam os motivos usados para manter Fábio preso. Na decisão, ela destacou “a gravidade concreta dos fatos narrados” e citou a suspeita de um crime premeditado, cometido “mediante paga ou promessa de recompensa”. A relatora também ressaltou que o caso está ligado a uma disputa pela divisão do patrimônio deixado pela ex-vereadora Magnólia Marques Fogaça.

Outro fundamento citado pela magistrada foi o risco para a produção das provas e para pessoas ligadas ao caso. Segundo a decisão, existe informação de que “outra pessoa diretamente envolvida” na disputa pela herança “poderia sofrer intimidação ou eventual represália”. O documento não identifica quem seria essa pessoa, mas aponta esse risco como uma das razões para preservar a prisão.

A juíza também analisou o argumento de que Fábio colaborou com as autoridades desde o início da apuração. A desembargadora reconheceu que essa postura é um ponto favorável, mas afirmou que ela não basta para afastar a prisão diante dos demais elementos reunidos no caso. A decisão registra que a colaboração “não possui o condão automático de revogar a prisão preventiva”, ou seja, não garante por si só a liberdade do acusado.

A relatora chegou à mesma conclusão sobre os demais argumentos apresentados pela defesa. Ela afirmou que residência fixa, trabalho, primariedade e bons antecedentes não são suficientes, isoladamente, para justificar a soltura neste momento. Para a desembargadora, os fundamentos apresentados pela Justiça de Ribas do Rio Pardo indicam, nesta análise inicial, motivos concretos para manter Fábio preso.

Disputa - A acusação aponta Fábio como responsável por encomendar o assassinato e Rogério Nascimento da Silva como o homem que executou o plano. Segundo o Ministério Público, a motivação foi a disputa pela herança de Magnólia, primeira vereadora de Ribas do Rio Pardo.

Maria José e a irmã, Maria Jeni de Oliveira Gois, pediram à Justiça o reconhecimento de Magnólia como mãe socioafetiva das duas. Elas afirmaram que foram criadas pela ex-vereadora, embora nunca tenham sido adotadas formalmente. Caso o pedido seja aceito, ambas passam a integrar a divisão da herança em igualdade com os demais sucessores.

O inventário aponta patrimônio declarado de R$ 371 mil e pelo menos sete imóveis registrados diretamente em nome de Magnólia. O espólio também reivindica outros bens que estão registrados em nome da empresa Esteves & Cia Ltda., da qual a ex-vereadora era sócia. A Justiça suspendeu a divisão dos bens em 23 de junho porque o reconhecimento de novas herdeiras poderia alterar quem tem direito ao patrimônio e a parcela destinada a cada integrante da família.

Segundo a denúncia, Fábio não aceitava a participação da tia na divisão da herança. O Ministério Público afirma que o descontentamento era conhecido entre familiares e que ele chegou a expulsar Maria José de um imóvel onde funcionava uma antiga cerâmica. O acusado também teria rompido relações com Maria Jeni durante a disputa.

Maria José foi encontrada morta dentro de casa em 29 de junho, seis dias depois da suspensão do inventário, em Ribas do Rio Pardo, a 98 quilômetros de Campo Grande. Conforme a acusação, Rogério foi ao endereço à procura de Maria Jeni e entrou na residência de Maria José quando descobriu que a irmã dela não estava no local. A vítima dormia quando sofreu ao menos 15 golpes de faca e não teve possibilidade de defesa.

Acusado de encomendar morte da tia por herança tem liberdade negada
Ex-vereadora Magnólia Fogaça em frente ao "álbum" de recordação preso na sala de estar. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

A denúncia do MP afirma que Rogério retornou à casa de Fábio depois do crime para receber R$ 2 mil. Em depoimento obtido anteriormente pelo Campo Grande News, Rogério havia relatado uma promessa de R$ 5 mil e afirmou ter recebido R$ 2 mil. A acusação apresentada à Justiça sustenta que o assassinato ocorreu por pagamento ou promessa de recompensa e em razão da disputa pelo patrimônio.

Rogério foi preso em 5 de julho, em Campo Grande, depois de fazer uma atendente de restaurante refém com uma faca. Durante a ocorrência, ele confessou ter matado Maria José e afirmou que agiu a pedido de Fábio. Mais tarde, porém, mudou a versão durante depoimento e passou a negar que tivesse entrado na casa da vítima.

Na segunda versão, Rogério afirmou que Fábio teria saído da chácara, cometido o crime e voltado assustado. Ele relatou que o sobrinho de Maria José teria dito apenas “está feito” ao retornar. A denúncia, no entanto, atribui a execução a Rogério e aponta Fábio como responsável por encomendar a morte.

Fábio foi preso em Ribas do Rio Pardo no dia seguinte à captura de Rogério. Em depoimento, ele negou participação no assassinato e disse que conhecia Rogério havia 15 anos, além de afirmar que o contratou para desmontar um barracão na propriedade da família. Ele autorizou o acesso da polícia ao próprio telefone e admitiu que costumava apagar as conversas mantidas com Rogério.

A prisão temporária de Fábio foi convertida em preventiva no fim de julho