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Capital

Com faca no pescoço de refém, assassino confessou matar filha de ex-vereadora

Rogério Nascimento afirmou que cometeu o crime a mando de Fábio Fogaça, sobrinho da vítima

Por Clara Farias | 06/07/2026 17:24

Rogério Nascimento da Silva, de 37 anos, preso por roubo majorado e apontado como autor do assassinato de Maria José de Oliveira Beserra, de 70 anos, filha adotiva da primeira ex-vereadora de Ribas do Rio Pardo, Magnólia Marques Fogaça, confessou o crime enquanto mantinha uma atendente de restaurante refém, em Campo Grande. Durante a ação, segurando uma faca contra o corpo da adolescente, ele afirmou que matou a idosa a mando do sobrinho dela, Fábio Fogaça, que também foi preso.

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Rogério Nascimento da Silva, de 37 anos, confessou ter matado Maria José de Oliveira Beserra, de 70 anos, filha adotiva da ex-vereadora Magnólia Fogaça, a mando do sobrinho Fábio Fogaça, durante um sequestro em Campo Grande. A confissão foi gravada em vídeo. O crime teria sido motivado por disputa de herança, após as filhas adotivas de Magnólia entrarem com ação de reconhecimento de maternidade socioafetiva, o que poderia alterar a divisão dos bens da família.

A confissão foi registrada em vídeo. Nas imagens, Rogério diz que quer esclarecer o crime. Um policial que negociava a libertação da refém pergunta a qual caso ele se referia, e o homem responde: "De uma senhora de 70 anos, de Ribas do Rio Pardo, no último dia 29".

Na sequência, Rogério afirma que pessoas inocentes estavam sendo investigadas pelo homicídio. "O menino que foi me buscar de moto não sabia, a menina que me emprestou a moto não sabia. Até mesmo eu não estava sabendo até chegar lá. O rapaz que encomendou o crime me deu um conhaque para beber, uma cocaína para cheirar e depois falou do crime", declarou.

Em outro trecho da gravação, ele diz que havia prometido anteriormente a Fábio que cometeria um homicídio, caso fosse solicitado. "Quando ele pediu para eu matar, eu falei que mataria. Ele falou que era uma senhora, uma mulher. Como eu tinha prometido, eu fiz. Não é do meu feitio fazer isso, eu não mato mulher", afirmou.

Na manhã desta segunda-feira (6), o Campo Grande News esteve no restaurante onde a adolescente foi feita refém. A gerente contou que, no domingo (5), havia apenas um cliente no local quando Rogério entrou. Segundo ela, o homem repetia que não estava ali para roubar e pedia que a Polícia Militar fosse chamada.

"Ele dizia que estava ali para se entregar por um crime que havia cometido em Ribas do Rio Pardo", relatou à reportagem.

Com faca no pescoço de refém, assassino confessou matar filha de ex-vereadora
Maria José foi morta com 14 facadas dentro de casa (Foto: Direto das Ruas)

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que Rogério solta a vítima e é imobilizado por policiais militares. Depois de ser colocado na viatura, ele retirou um isqueiro das partes íntimas e ateou fogo ao compartimento de presos, enquanto ameaçava matar os policiais. Os próprios militares controlaram as chamas e o encaminharam à delegacia em outro veículo.

Rogério é apontado pela investigação como o autor das 14 facadas que mataram Maria José de Oliveira Beserra. A principal linha investigativa da Polícia Civil é de que o crime tenha sido motivado por uma disputa pela herança da família.

Conforme processo ao qual a reportagem teve acesso, os netos de Magnólia Marques Fogaça abriram o inventário em dezembro de 2024. No procedimento foram apresentadas as certidões de óbito dos dois filhos biológicos da ex-vereadora, Gilberto Fogaça Marques e Geraldo Fogaça Marques, sendo indicados como herdeiros apenas os netos.

No inventário, constam pelo menos sete imóveis registrados diretamente em nome de Magnólia Marques Fogaça, entre áreas rurais e terrenos urbanos em Ribas do Rio Pardo. O espólio também reivindica outros imóveis registrados em nome da empresa Esteves & Cia Ltda., da qual a ex-vereadora era sócia, sob o argumento de que ela exercia a posse integral dos bens. Esses imóveis também são objeto da disputa sucessória.

No entanto, em setembro do ano passado, as filhas adotivas de Magnólia, Maria José de Oliveira Beserra e Maria Jeni de Oliveira Gois, ingressaram com uma ação para obter o reconhecimento da maternidade socioafetiva. Diante da possibilidade de que o resultado desse processo altere o quadro de herdeiros e a divisão dos bens, o juiz determinou, em 23 de junho deste ano, a suspensão do inventário até o julgamento da ação ou pelo prazo de um ano.

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