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Interior

Advogado aguarda acesso ao inquérito para tentar soltar diretores

Por Ricardo Campos Jr. | 25/01/2017 17:39
Advogado que representa presos da operação Xadrez (Foto: Albertoni/Diário Corumbaense)
Advogado que representa presos da operação Xadrez (Foto: Albertoni/Diário Corumbaense)

A defesa de Ricardo Wagner Lima Nascimento e Doglas Novaes Vila, diretores dos presídios de regime fechado e aberto de Corumbá, aguarda acesso ao inquérito para avaliar como reverterá as prisões dos clientes, cumpridas na segunda-feira (23) durante a Operação Xadrez.

Os gestores são investigados por tráfico de drogas, associação para o tráfico, corrupção, peculato e falsidade documental no município localizado a 419 quilômetros de Campo Grande.

“Em razão de não termos tido acesso aos autos, não podemos saber se existe erro ou não. O habeas corpus só pode ser impetrado se houver erro. Ontem conversamos com o juiz e ele disse que vão abrir os processos para nós. Dependemos disso para entrar com alguma medida”, disse o advogado que cuida do caso, Nivaldo Paes Rodrigues.

A defesa considera que a prisão temporária foi determinada dentro da legalidade e sem excesso. Ela vale por 30 dias, enquanto durarem as investigações. Ao fim, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) pode denunciá-los à Justiça.

“A Constituição diz que todos são inocentes até que a ação transite em julgado. Para mim, como advogado, o Ricardo e o Doglas são inocentes até que se tenha uma prova robusta e contundente contra eles”, afirma Rodrigues.

Xadrez - Conforme apurado pelo Campo Grande News, os diretores mantinham relação ilegal com alguns presos membros do PCC (Primeiro Comando da Capital), favorecendo entrada de drogas, armas e objetos ilícitos nas unidades, como celulares e carregadores. Com isso, eles teriam recebido altos valores de facções.

Ao todo foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, um de condução coercitiva e nove de prisão temporária, cujos alvos também abrangeram detentos dos regimes aberto e fechado suspeitos de envolvimento com o esquema fraudulento.

Também receberam mandados de prisão temporária comerciantes da cidade que possuem vínculo de parentesco com os condenados e que fazem parte da associação criminosa.

Um dos locais visitados pelo Gaeco foi a clínica de fisioterapia do vereador Yussef El Salla (PDT), que está na sede do MPE corumbaense prestando depoimento. Ele é investigado por fornecer atestados médicos falsos a detentos e civis, segundo informações extraoficiais.

Em nota, a Agepen informou que a procuradoria jurídica do órgão está acompanhando a operação e os desdobramentos das investigações, tendo instaurado processo administrativo para apurar as condutas dos gestores e suas responsabilidades. Além disso, diretores interinos para as unidades estão sendo providenciados.

A agência informou que zela, junto com a Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública), pela transparência nas instituições a elas vinculadas e "veem com bons olhos toda ação, de qualquer instituição, que objetive apurar e combater quaisquer tipos de crimes, irregularidades e atos de corrupção que possam existir em suas unidades".

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