ACOMPANHE-NOS    
JULHO, QUINTA  29    CAMPO GRANDE 15º

Interior

Suspeitos de favorecer PCC, diretores de presídios devem ficar 30 dias presos

Servidores são suspeitos de favorecer entrada de drogas, armas e celulares em unidades penais, além de manter relação promíscua com facção

Por Luana Rodrigues | 23/01/2017 14:49
Ricardo Wagner Lima Nascimento, diretor do Estabelecimento Penal Masculino de Corumbá, um dos presos na operação. (Foto: Agepen)
Ricardo Wagner Lima Nascimento, diretor do Estabelecimento Penal Masculino de Corumbá, um dos presos na operação. (Foto: Agepen)

Na mira do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), os diretores dos presídios de regime fechado e aberto de Corumbá, Ricardo Wagner Lima Nascimento e Douglas Novaes Vila, devem ficar presos por 30 dias.

De acordo com a coordenadora do Gaeco, promotora Cristiane Mourão Leal, que comanda a Operação Xadrez, desencadeada nesta segunda-feira (23), foi decretada a prisão temporária da dupla, investigada por favorecimento de presos, corrupção e peculato, nos presídios da cidade, que fica distante cerca de 419 quilômetros de Campo Grande.

Conforme detalhes apurados pelo Campo Grande News, os diretores mantinham relação promíscua com alguns presos, membros do PCC (Primeiro Comando da Capital), favorecendo entrada de drogas, armas e objetos ilícitos como, por exemplo, celulares e carregadores, nas unidades penitenciárias. Com isso, eles teriam recebido altos valores de facções.

O Ministério Público não confirma, nem rejeita esta informação. Informa que maiores detalhes só serão repassados à imprensa no final da investigação, que começou há sete meses.

“Por enquanto não podemos revelar detalhes sobre as investigações, até para não atrapalhar nosso trabalho”, explicou Mourão. 

Os dois diretores eram agentes penitenciários de carreira e desde junho de 2015 estão nos cargos de chefia das unidades penitenciárias.

Em nota, a Agepen (Agência Estadual de Administração Penitenciária) informou que a procuradoria jurídica do órgão está acompanhando a operação e os desdobramentos das investigações, tendo instaurado processo administrativo para apurar as condutas dos gestores e suas responsabilidades. Além disso, diretores interinos para as unidades estão sendo providenciados.

A agência informou que, junto com a Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública), zela pela transparência nas instituições a elas vinculadas e "veem com bons olhos toda ação, de qualquer instituição, que objetive apurar e combater quaisquer tipos de crimes, irregularidades e atos de corrupção que possam existir em suas unidades".

A coordenadora do Gaeco adiantou que as ações no interior do MS não tem relação com a crise penitenciária enfrentada pelo país, mas afirmou que a ação mostra que o Estado tem um sistema carcerário frágil, assim como no restante do Brasil.

"O sistema brasileiro é falido há muito tempo, e aqui não é diferente, o esquema é praticamente o mesmo. Hoje Corumbá foi o alvo, mas outras penitenciárias também podem ser", revela a promotora.

Os presos na operação serão transferidos para presídios de Campo Grande ainda nesta segunda-feira, segundo a promotora.

Selfie postado por preso de dentro de presídio em Corumbá, em janeiro de 2016. (Foto: Reprodução/ Facebook)
Selfie postado por preso de dentro de presídio em Corumbá, em janeiro de 2016. (Foto: Reprodução/ Facebook)

Selfies - Em janeiro do ano passado, dois presos do Estabelecimento Penal de Corumbá publicaram selfies em suas redes sociais de dentro do presídio.

Leonardo César de Oliveira e Jordyan Valdonado da Costa chegaram a conversar pelo Facebook, além de postarem frases, músicas e ‘selfies’, tiradas com celulares, de dentro da cadeia.

Na época, a Agepen informou que os dois internos foram encaminhados para cela disciplinar e um procedimento interno foi aberto para apurar o caso.

O diretor do Estabelecimento Penal, Ricardo Wagner Lima do Nascimento, disse que os agentes da unidade prisional iriam intensificar ações de combate a entrada dos aparelhos.

Materiais apreendidos na Operação Xadrez já começam a chegar na sede do MPE em Corumbá. (Foto: Capital do Pantanal)
Materiais apreendidos na Operação Xadrez já começam a chegar na sede do MPE em Corumbá. (Foto: Capital do Pantanal)

Xadrez - Coordenada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), a ação desencadeada nesta sgeunda-feira (23) é resultado de uma investigação por tráfico de drogas, associação para o tráfico, corrupção, peculato e falsidade documental no município localizado a 419 quilômetros de Campo Grande.

Ao todo foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, um de condução coercitiva e nove de prisão temporária, cujos alvos também abrangeram detentos dos regimes aberto e fechado suspeitos de envolvimento com o esquema fraudulento.

Também receberam mandados de prisão temporária comerciantes da cidade que possuem vínculo de parentesco com os condenados e que fazem parte da associação criminosa.

Um dos locais visitados pelo Gaeco foi a clínica de fisioterapia do vereador Yussef El Salla (PDT), que está na sede do MPE corumbaense, prestando depoimento. Ele é investigado por fornecer atestados médicos falsos a detentos e civis, segundo informações extraoficiais.

Nos siga no Google Notícias
Regras de comentário